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Opinião: Relembre 6 finais alternativas em torneios sul-americanos

Neste texto, resgatei finais chanceladas pela entidade máxima no futebol sul-americano, a Conmebol, que considero como “alternativas” ou popularmente conhecidas como “zebras”. Todas competições da entidade foram consideradas, Copas Mercosul, Merconorte, Libertadores, Sul-Americana, entre outras. Basicamente, foi usado como critério a representatividade do clube em âmbito internacional e o “peso” da camisa dentro de seus respectivos países.

Luciano Machado Massi Junior
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação/Conmebol

CSA-(BRA) x Talleres-(ARG) Copa Conmebol 1999

Essa pode ser considerada a mais alternativa das citadas, pois, de um lado, estava o Centro Sportivo Alagoano, ou apenas CSA, que na época disputava a Série C. Do outro, Club Atlético Talleres, nascido na região central da Argentina às margens do rio Suquía. Até a época, nem o clube marujo alagoano, muito menos Los Tallarines, possuíam títulos à nível nacional.

Desde meados de 1998, a Copa Conmebol já não despertava interesse nos cartolas sul-americanos. Ficou decidido, no Brasil, que apenas campeões regionais classificariam-se. No ano seguinte, muitos desses ganhadores abriram mão da vaga, cedendo a oportunidade aos respectivos vices. O caso mais curioso foi do CSA, apenas quarto colocado na Copa do Nordeste e pela primeira vez em sua história disputaria uma competição continental, após desistências de Vitória, Bahia e Sport. Sentiu a moral que essa taça possuía?

A equipe do São Raimundo foi o único campeão que aceitou participar, após a inédita conquista da Copa do Norte. Dentre as equipes brasileiras também estavam Vila Nova-GO e Paraná Clube-PR, todos debutavam internacionalmente.

Equipes “gringas” e inexpressivas como: Atlético Huila (COL), Sport Boys (PER), Deportivo Cuenca (ECU), Independiente Petrolero (BOL) e a desistência do “bicho-papão” River Plate (ARG), abriram caminho para chegada de duas zebras à decisão.

Brasil x Argentina é rivalidade até no “pedra, papel e tesoura” e não sairia por menos em uma decisão valendo um troféu continental. O Estádio Rei Pelé, em Maceió, foi palco do primeiro jogo. 4 a 2 para os donos da casa, Missinho, foi “o cara” dos alagoanos marcando um hat-trick e colocando uma mão na taça. Na volta, a catimba e soladas somadas com inexperiência internacional e uma cancha lotada por torcedores ensandecidos, abriram caminho para a virada dos hermanos. 3 a 0 e conquista inédita para o Talleres. Após uma final desse “calibre”, a Conmebol extinguiu o torneio, tornando essa sua última edição.

Cienciano (PER) Copa Sul-Americana 2003 e Recopa 2004

Los Cusqueños, como são conhecidos no Peru, não possuíam vasta experiência em âmbito internacional. Participaram apenas uma vez, na Libertadores de 2002, no mesmo ano, terminaram o campeonato nacional em quarto lugar, garantindo vaga na Copa Sul-Americana do ano seguinte. Iniciaram sua participação, nos play-offs, contra Alianza Lima (PER) e Universidad Católica (CHI), avançando diretamente para as quartas de final. A competição possuía um formato diferente do utilizado atualmente. Nessa fase, já estavam classificados Santos, São Paulo, Boca Juniors (ARG) e River Plate (ARG), quatro naturais favoritos em qualquer competição continental.

O Santos, comandando por Robinho e suas pedaladas, foi o primeiro gigante derrubado pelos peruanos. Arrancaram um empate de 1 a 1 em plena Vila Belmiro. Para agravar a situação santista, Cusco é a casa do Cienciano, mais precisamente no estádio Inca Garcilaso de La Vega, situado a 3.360 metros acima do nível do mar, onde o ar é rarefeito, dificultando o desempenho de atletas visitantes. Faltou fôlego para os Meninos da Vila e perderam por 2 a 1.

A “zebra inca” não estava ali à passeio. Mais uma vez provaram sua força e nas semis passaram pelo tradicional Atlético Nacional (COL) sem dificuldades, venceram as duas partidas e classificaram-se para uma final inédita, junto ao River Plate, que despachou, em pleno Morumbi, o São Paulo.

Faltava apenas um adversário para completar a tríade de campeões eliminados. Destemidos, Germán Carty, artilheiro do torneio, Portilla, Saraz e o goleiro Ibañez, peças importantes da invejável campanha, não se intimidaram com Maxi López, “El Muñeco” Gallardo, Marcelo Salas e um Monumental de Nuñez ensurdecedor (como de costume). A partida encerrou-se em 3 a 3, empate com um gostinho amargo para o River.

Amarga mesmo foi a volta. A equipe argentina perdeu um “caminhão” de gols possuindo um homem a mais em campo. Quem não faz, toma! O time da casa obteve poucos chutes à meta adversária, numa bola parada, Lugo faz o único e derradeiro gol da partida. 1 a 0. O Cienciano cravou sua bandeira na história do futebol. Tomou a taça do temido River. Nesse dia, torcedores do Boca eram “Cienciano desde pequenos”, mas somente nesse dia.

Outro embate contra um gigante argentino ainda estava reservado aos peruanos. Nada menos que o hexa campeão da América, Boca Juniors, em partida única valendo a Recopa de 2004. Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, campo neutro, recebeu a finalíssima.

Para os xeneizes, começou tudo de acordo com o protocolo, gol de Tevéz aos 31 minutos. Jogo morno, cozinhado em banho-maria por Palermo, “Pato” Abbondanzieri, Schiavi e claro, Tevéz, até os 43 minutos do segundo tempo, quando Rodrigo Saraz, de cabeça, deixa tudo igual, forçando a decisão por pênaltis:

4 covertidas pelo Cienciano, Ibarra, Lobatón, Portilla e Acasiete;
2 convertidas pelo Boca, Palermo e Schiavi;
Boca e River não foram páreos para o “gigante” Cienciano. Dois canecos de peso em menos de dois anos.

São Caetano (BRA) x Olimpia (PAR) Copa Libertadores 2002

Após dois vices consecutivos no Campeonato Brasileiro, o São Caetano classificava-se para a segunda Libertadores de toda sua história. Durante o torneio, Jair Picerni e seus comandados ganharam fama por eliminar gigantes, não atoa, terminaram como líderes no Grupo 1. Nas oitavas e quartas de final, despacharam Universidad Católica (CHI) e Peñarol (URU), ambos os embates decididos na disputa por pênaltis.

“Esbarraram” em um velho conhecido nas semifinais, o tradicional América (MEX), capitaneado por Cuauhtémoc Blanco. 2 a 0 na ida e vantagem considerável para o time do ABC. A partida de volta ficou marcada pela briga generalizada dentro de campo. O clima tenso, que predominava no estádio Azteca, não abalou Silvio Luiz, Marcos Senna, Serginho, Somália e Aílton, destaques daquela jornada histórica. Arrancaram um empate, carimbando a vaga na finalíssima, onde tiveram como último desafio o Olimpia (PAR), bi-campeões da América que venceram em duas oportunidades 1979 e 1990. O fato de 2002 também ser centenário do clube pesava muito para os paraguaios, la copa não poderia escapar.

E não escapou, mesmo perdendo na ida por 1 a 0, gol de Aílton, em pleno Estádio Defensores del Chaco, os Olimpistas não se deram por vencidos. No jogo da volta, o Pacaembu testemunhou torcedores dos mais variados clubes de São Paulo (juntos) em busca do mesmo ideal, apoiar o São Caetano. Tudo estava encaminhado até o intervalo, Aílton marca, novamente, implicando em 2 a 0 na soma dos resultados, a zebra é azul e passeia livremente.

Após o reinicio da partida, 12 minutos foram necessários para Córdoba e Báez deixarem tudo igual no placar agregado, 2 a 2 e mais uma disputa de penalidades no caminho do Azulão. Marlon e o finado Serginho desperdiçaram suas cobranças. Enciso, Orteman, López e Caballero convertem, 4 a 2. O caneco tinha uma nova (velha) casa, Assunção no Paraguai.
“América pintada de azul” foi apenas um sonho, quase alcançado.

Once Caldas (COL) x Boca Juniors (ARG) Copa Libertadores 2004

2004 foi um ano para ser esquecido na história do Boca. Perdeu dois títulos continentais para clubes inexpressivos, deixou escapar a taça da Recopa contra o Cienciano (PER) e a Libetadores frente ao Once Caldas.
Durante o caminho até a decisão, os colombianos despacharam nada menos que Santos e São Paulo. A equipe argentina também não teve vida fácil, passou pelo seu maior rival, o River Plate, nas semifinais. Depois do River, nada ou ninguém poderia parar equipe Azul y Oro.

Não contavam com a astúcia andina. Arrancaram com unhas e dentes um empate sem gols na partida de ida, diante de La Bombonera abarrotada por hinchas locais. Palogrande, palco para a partida de volta , testemunhou logo aos sete minutos, um golaço de Viáfara, abrindo o placar para os donos da casa. No segundo tempo, Nicolás Burdisso deixou tudo igual e a disputa por pênaltis foi inevitável.

Juan Carlos Henao, peça chave nas penalidades, contou com a ajuda de Schiavi, Cascini, Cángele e Burdisso que desperdiçaram suas cobranças. Algozes do Boca, “heróis” para o Once Caldas. O título ficou na Colômbia, apenas o segundo do país até a época.

Goiás (BRA) x Independiente (ARG) Copa Sul-Americana 2010

A equipe esmeraldina teve basicamente apenas dois adversários não-brasileiros em sua campanha, o Peñarol (URU), nas oitavas, e o multi campeão Independiente, na decisão. Isso ocorreu pela regra, já extinta da Conmebol, que obrigava times do mesmo país se enfrentarem. Tal regra, não tira o mérito goiano. Eliminaram o Grêmio na primeira fase, nas quartas e semis Avaí e Palmeiras, respectivamente.

Após encontros e desencontros, Goiás e Independiente decidiriam quem ia levar a “segunda divisão da América”. Do lado brasileiro, Rafael Tolói, Otacílio Neto, o veterano arqueiro Harlei e Rafael “He-Man” Moura, artilheiro da competição, foram notoriedades. Por parte dos argentinos, um fato curioso, Fabricio Bustos, atual atleta do Rey de Copas e campeão do mesmo torneio em 2017 contra o Flamengo, era apenas gandula do clube na conquista de 2010, assistiu de “camarote” o triunfo Rojo na partida de volta.

Após serem derrotados por 2 a 0 fora de casa, no estádio Serra Dourada, o Independiente aplica 3 a 1 em seu reduto, o estádio Libertadores de América, forçando a prorrogação, posteriormente, as penalidades. Todos convertidos com maestria coroando los Reyes com mais uma copa.