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Oposição, Nobre, proposta bilionária e ataques: relembre a história da Blackstar com o Palmeiras

O presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, encerrou definitivamente qualquer tipo de negociação com a Blackstar, empresa de Hong Kong, que ofereceu ao clube um patrocínio bilionário para estampar sua marca na camisa do clube pelos próximos dez 10 anos, e com a possibilidade de dividir o espaço com a Crefisa, atual patrocinadora.

Danielle Barbosa
Jornalista. Escrevendo para o Torcedores desde 2014.

Crédito: Fábio Menotti/Divulgação

A história da Blackstar com o Palmeiras começou alguns dias antes da eleição presidencial, que definiu a reeleição de Maurício Galiotte como mandatário do clube pelos próximos três anos. Na disputa estava Genaro Marino, ex-vice-presidente do Verdão no primeiro mandato de Galiotte.

A primeira vez que Marino mencionou que havia uma outra empresa disposta a patrocinar o Palmeiras foi em uma entrevista à rádio Transámerica. Na ocasião, sem citar o nome da empresa, ele revelou que uma carta estava sendo preparada para oficializar a intenção de uma multinacional patrocinar o clube com um “valor igual ou superior ao da Crefisa“.

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O ex-candidato revelou também que a empresa foi apresentada por Paulo Nobre, ex-presidente que não possui boa relação com Galiotte e nem com Leila Pereira, conselheira do clube e dona da Crefisa.

Na semana da eleição, que aconteceu no dia 24 de novembro, o clube recebeu de forma oficial a carta de intenção da empresa, se apresentando como Blackstar. O Torcedores.com chegou a pesquisar sobre a empresa e tudo o que conseguiu descobrir foi que a “Blackstar International Limited” tem escritórios em Hong Kong e no Oriente Médio e que atua nos mercados de energia e bioenergia.

A PROPOSTA MILIONÁRIA:

Com a derrota de Genaro Marino na eleição, Maurício Galiotte prometeu ouvir a proposta da empresa antes de sacramentar a renovação de patrocínio com a Crefisa por mais três anos. O Palmeiras recebeu uma proposta de pouco mais de R$ 1 bilhão por dez anos de contrato, que ainda teria um montante por “luvas” e uma espécie de um fundo emergencial.

Rubnei Quícoli, representante da Blackastar e responsável por intermediar as conversar com o Palmeiras, falou pela primeira vez sobre o assunto na semana passada, em entrevista à ESPN Brasil. “Estamos apresentando mais uma proposta de patrocínio. Não estamos concorrendo com a Crefisa. Dentro da formalização, foi colocado para a Crefisa continuar no Palmeiras. Queremos compor e fomentar mais o Palmeiras, que se tornou um dos nomes fortes do futebol. Admiro muito a Crefisa e sempre aplaudi, como palmeirense, todo o trabalho que está sendo feito. Não estamos querendo substituir a Crefisa e colocar a Blackstar”.

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O executivo ainda deixou claro que, se não entrasse em acordo com o Palmeiras, procuraria outros clubes. “Existe outro recurso disponibilizado para conversar com outros clubes. A preferência, logicamente, seria Corinthians e Flamengo, por conta do tipo de marketing que seria usado, diferente do Palmeiras. Não seria na proporção de dez anos, seria um pouco menor o tempo. Mas tem uma possibilidade grandiosa. É que não foi ainda acertado e definido com Palmeiras”.

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Reprodução/ESPN

QUESTIONÁRIO DO PALMEIRAS:

Após a entrevista do executivo à ESPN Brasil, o Palmeiras enviou um questionário a Quícoli cobrando algumas explicações antes de avançar a negociação. Entre as perguntas, o clube queria saber “Detalhes dos investimentos da empresa no Brasil para os próximos 10 anos”, “Como seriam feitos os pagamentos pelo patrocínio” e “Que garantias a Blackstar apresentaria durante as negociações com o clube”.

Indignado com o questionário do Palmeiras, Rubnei Quícoli enviou uma resposta nada amistosa e cheia de ironias. “Ressalto que o CONTRATO de patrocinar o PALMEIRAS é por 10 anos e com exclusividade no uniforme, e se é que parte dos membros do clube NÃO leu a CARTA INTENCIONAL apresentada por um conselheiro que ainda é VICE PRESIDENTE do PALMEIRAS diz: 10 anos com contra cheque de USD 250 milhões de dólares americanos provindo dos USA. (à vista)”.

Acha mesmo que um volume desses passe-se despercebidos e necessita um ou outro informar com certa ironia que isso é provindo de banco lá de Marte??? Estamos hoje atravessando um período de transição contra essa devassa corrupção no Brasil. Se firmar contrato e não tiver o dinheiro em conta me diz a quem será retribuído o PROBLEMA??? Será que parte dos conselheiros e integrantes do PALMEIRAS só sabem mesmo comer amendoins ou quando não comer uma bela pizza italiana regado com vinho tinto e rir da cara de 16 milhões de torcedores???”, diz outro trecho do documento.

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Em outro momento, o executivo exigiu mais respeito por parte do Palmeiras. “Se meu posicionamento mexeu com egos de meia dúzia de pessoas não era o propósito porque só se incomoda quem age de forma errado e como já disse: EGO CUSTA CARO.”

NOBRE SE EXPLICA:

Apontado como responsável por apresentar Rubnei Quícoli a Genaro Marino, Paulo Nobre usou seu perfil no Twitter para explicar sua relação com o executivo.

ATAQUES E MAIS ATAQUES:

Em uma carta aberta divulgada no último domingo (16), Quícoli detonou a postura de Galiotte na negociação com a Blackstar. “O PATÉTICO presidente do Palmeiras é covarde por usar de seu cargo no clube que sou torcedor e amo, soltar informações que estão manchando a integridade da empresa e mostra nitidamente despreparo e totalmente duvidoso sua conduta em não querer reconhecer publicamente aos palmeirenses que sua opção ao atual patrocinador é parcial e de interesses.”

O executivo também aproveitou para atacar a FAM, uma das patrocinadoras do Palmeiras e que também pertence à Leila Pereira. “Cabe lembrar aos palmeirenses que a FAM (faculdade das Américas) foi adquirida de forma ILÍCITA e o processo é público para todos saberem que podem ter problemas com esse patrocinador. Não sou eu que estou denunciando e sim o MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE SÃO PAULO”.

É importante esclarecer que estou defendendo a integridade da empresa que pela boca deste patético presidente levantou dúvidas dos recursos dos recursos do qual não entendi os motivos dele querer desqualificar uma empresa que está disposta a investir no clube que neste momento ele representa e tem dia de validade sua gestão… e sabemos que é um limitado“, completa o documento.

LIMINAR PARA IMPEDIR RENOVAÇÃO COM A CREFISA:

Crefisa

Foto: Fabio Menotti/Ag Palmeiras/Divulgação

Nesta segunda-feira (17), em entrevista ao blog do jornalista Eduardo Ohata, Quícoli ameaçou entrar a Justiça para impedir a renovação do Palmeiras com a Crefisa. “Se o Palmeiras renovar com a Crefisa e com a Faculdade das Américas [empresas do mesmo grupo], eu entro com um processo, com uma liminar na hora”.

O clube tem responsabilidade com 16 milhões de torcedores, sendo que essa [patrocínio] é só uma parte do faturamento do clube, e que não vai afetá-lo. Eu, como palmeirense, preocupado com a gestão do clube, vou entrar com um processo bloqueando [o patrocínio] até que a Crefisa e a FAM acertem o problema referente a essa ação de estelionato criminal, o que acho bem difícil conseguirem, que eu acho que a FAM irá perder, e aí quero ver como fica a situação”, acrescentou.

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