PAPO TÁTICO: Real Madrid passeia sobre o Al Ain e consolida hegemonia europeia na Copa do Mundo de Clubes da FIFA

Era de se esperar que alguns até esperavam por mais um milagre do valente Al Ain neste sábado (22). Até mesmo pela maneira como o time de Zoran Mamic eliminou o River Plate. Mas a tarefa era complicada demais dessa vez. Impossível até. O Real Madrid fez exatamente o que a lógica mostrava, venceu a equipe dos Emirados Árabes por 4 a 1 e conquistou o seu terceiro título seguido da Copa do Mundo de Clubes da FIFA (o sétimo da sua história). A goleada na decisão consolida ainda mais a superioridade dos clubes da Europa sobre o resto do mundo e coloca em xeque até mesmo o formato do Mundial Interclubes. Como tornar a competição atrativa diante do abismo técnico e tático que foi percebido mais uma vez? E como fazer os demais clubes do planeta chegarem no patamar de Real Madrid e companhia? Cartas para a FIFA.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / FIFA Club World Cup

Apesar da superioridade do Real Madrid (que jogava no mesmo 4-3-3 da vitória sobre o Kashima Antlers), o Al Ain chegou a assustar ainda na primeira etapa em mais um vacilo defensivo de Marcelo. El Shahat (o “ponta-direita” do 4-2-3-1 proposto por Zoran Mamic) se livrou da marcação, passou por Courtoius e só não fez o gol porque Sergio Ramos salvou em cima da linha. No lance seguinte, Modric acertou belo chute da entrada da área e abriu o placar para o escrete comandado por Santiago Solari. Com a vantagem no placar, o Real Madrid foi se soltando mais e criando chances, mas aí entrou em cena a qualidade do ótimo goleiro Khalid Eisa (um dos melhores em campo novamente). Mesmo assim, é muito difícil fugir do óbvio. Bale, Toni Kroos, Benzema e companhia estavam a anos-luz do limitado (porém valente) Al Ain.

Santiago Solari manteve o seu 4-3-3 básico no Real Madrid reforçando as jogadas pelos lados do campo. As duplas Bale-Marcelo e Carvajal-Vázquez levavam ampla vantagem no confronto diante do valente porém limitado time do Al Ain. Já a equipe árabe até criou chances, mas a superioridade do adversário logo se fez presente.

O golaço de Llorente (outro que vem crescendo muito no Real Madrid) praticamente jogou uma ducha de água fria nos jogadores do Al Ain. O brasileiro Caio Lucas (que jogou por dentro num 4-2-3-1 e terminou a partida como “falso nove” num 4-3-3 mais móvel) aparecia por todos os lados do campo, mas o Real Madrid se fechava bem e cedia poucos espaços. O gol de Shiotani (marcado oito minutos depois de Sergio Ramos marcar o terceiro dos merengues e comemorar pedindo silêncio à torcida presente no Estádio Xeique Zayed) ainda animou um pouco o time árabe, mas sem muitas mudanças no panorama da partida, já que Vinícius Júnior entrou no lugar de Lucas Vázquez e iniciou a jogada que culminou no quarto gol da sua equipe (com a preciosa “colaboração” de Yahia). Venceu a melhor equipe de todas na competição.

Zoran Mamic tentou mudar o esquema tático e o posicionamento defensivo, mas o Al Ain seguia sendo presa fácil para o Real Madrid. Destaque para o golaço de Llorente e para a jogada de Vinícius Júnior no quarto gol do Real Madrid. Vitória justa da melhor equipe da Copa do Mundo de Clubes da FIFA.

Análises táticas à parte, o terceiro mundial seguido do Real Madrid não é nenhuma surpresa. Mesmo tendo caído de produção após as saídas de Zinedine Zidane e Cristiano Ronaldo, o time merengue ainda é um gigante do futebol e está a anos-luz das equipes asiáticas, africanas e sul-americanas. A diferença em todos os quesitos beira o absurdo. Talvez esse seja o principal motivo pelo qual a FIFA quer modificar o formato da sua Copa do Mundo de Clubes. Colocar mais clubes na disputa, no entanto, pode levar à dois problemas: primeiro, o inchaço no torneio e no calendário; e segundo, a grande possibilidade de termos apenas equipes europeias na reta final (tal como tivemos na Copa do Mundo da Rússia). Aliás, já passou do tempo dos grandes times da América do Sul se organizarem e recuperarem o nível de décadas passadas.

Que o Real Madrid é o maior time do mundo isso ninguém discute. O grande problema está no resto do mundo. Como fazer um campeonato mundial com tamanha discrepância técnica e tática? Os vexames recentes de River Plate, Atlético Nacional (da Colômbia), Atlético-MG e Internacional estão aí para provar que os sul-americanos precisam rever conceitos. E pra ontem.

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