Retrospectiva 2018: o ano dos brasileiros em quadra

Enquanto os duplistas Bruno Soares e Marcelo Melo permaneceram entre os 10 melhores tenistas do mundo e conquistaram títulos importantes no circuito de 2018, os simplistas brasileiros sofreram queda de rendimento. Especialmente o experiente Thomaz Belluci, que vivenciou o pior ano em quadra. Na Copa Davis o desempenho também não foi o esperado. Mas a nova geração andou surpreendendo e trouxe esperança em relação ao futuro do tênis do Brasil. Um exemplo: Thiago Wild, campeão juvenil do US Open.

Paula Rühling
Jornalista formada pela Universidade Federal de Mato Grosso, apaixonada por esportes. Ex atleta de natação e típica jogadora de tênis de final de semana. Objetivo de vida: nunca deixar de contar boas histórias.

Crédito: Divulgação / ATP Finals

No dia nove de setembro de 2018, nos Estados Unidos, o brasileiro Thiago Wild brilhou em quadra. Em 1h18 e parciais de 6-1, 2-6 e 6-2 contra o italiano Lorenzo Musetti, o tenista paranaense conquistou um título inédito para o Brasil. O US Open juvenil foi apenas o segundo Grand Slam do país nesta categoria.

Mas Wild, de 18 anos, não se deslumbrou com o título. Ele sabe que o sucesso no juvenil não é garantia de um bom circuito profissional, no qual ele já disputou algumas partidas. É a partir de 2019 que o jovem entrará de cabeça no mundo dos grandes tenistas mundiais.

E, no circuito profissional, os brasileiros simplistas estão sofrendo. Thomaz Belluci não conquista um título de ATP desde 2015, e perdeu cinco das seis partidas que disputou em 2018.

Acostumado a chegar a finais e vencer Challengers, o ex-número 1 do Brasil não conseguiu bons resultados nem nas disputas “menos badaladas”. Começou o ano em 112° lugar do ranking da ATP, caiu para 311° e terminou em 241°.

Belluci admitiu que este foi o pior ano de sua carreira. Após cumprir suspensão de cinco menos por dopping, o brasileiro não encontrou a confiança que precisava para voltar a vencer. Nem mesmo André Sá, antigo parceiro e treinador do tenista por alguns meses, conseguiu ajudá-lo a recuperar seu melhor jogo. Mas Thomaz acredita que em 2019 será diferente, para ele e para os colegas.

Os duplistas se mantiveram em alta

Pelo menos, os tenistas brasilejros de duplas seguem comemorando o alto desempenho em quadra. Desde 2013 Bruno Soares e Marcelo Melo figuram entre os dez melhores tenistas de duplas, ainda que não tenham conquistados Grand Slams, como no passado.

Em parceria com Jamie Murray, Soares ergueu, pelo terceiro ano seguido, três troféus. Desta vez pelo Masters 1000 de Cincinnati, ATP 500 de Acapulco e ATP 500 de Washington. O mineiro chegou às quartas de final no US Open e em Wimbledon. Disputou também a final do Masters 1000 de Xangai, perdendo para Melo e Kubot.

O tenista de 35 anos encerrou o ano em 7° lugar do ranking com 5450 pontos. No ATP finals a dupla composta pelo brasileiro e pelo britânico chegou semifinal, mas não conseguiram passar por Bryan e Sock, que ficaram com o título.

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Logo atrás de Soares na classificação da ATP, ficou Marcelo Melo. O brasileiro e o polonês Lukasz Kubot chegaram muito próximo do título do US Open, mas mais uma vez os americanos foram superiores. Ainda assim, venceram outras quatro competições. Além de Xangai, ergueram os troféus em Halle e Pequim (ATP 500) e também em Sydney, no ATP 250 que abriu o ano de 2018. O ano só não foi perfeito para o mineiro por conta das inúmeras baladas que levou do parceiro, e por isso providenciou um capacete para os treinamentos de 2019.

2018 de outros tenistas brasileiros

Thiago Monteiro

Thiago foi o único simplista brasileiro profissional que manteve basicamente o mesmo desempenho de 2017 em 2018. Assim, ele encerrou o ano como número 1 do Brasil em simples, e em 123° no ranking da ATP. Em janeiro ocupava a 124° posição. Não conquistou títulos, mas chegou às semifinais dos Challengers de Lima e Bielle. O jogador de 24 anos disputou as quartas-de-final do ATP 500 em Halle, derrotando Fernando Verdasco nas oitavas.

Rogério Dutra

Rogerinho começou o ano em 101° lugar do ranking de simples e terminou em 165°. Mas teve dois grandes momentos em Grand Slam. Em janeiro, não precisou disputar o qualifiers do Australian Open, e na primeira rodada enfrentou Nick Kyrgios, 17° do mundo na ocasião. Já em Roland Garros, precisou jogar as três partidas antes de garantir lugar nas chaves principais. Na primeira rodada, enfrentou ninguém menos que Novak Djokovic. Chegou a estar na frente do sérvio, trocou muitas bolas boas, mas não foi o suficiente para passar.
(Embeded foto tênis magazine)

Marcelo Demoliner

O tenista, que atua também em duplas, conquistou, ao lado de Santiago Gonzáles, o título do ATP 250 de Antalya. Com David Hernandez ele venceu o Challenger de Barcelona. Ao todo, Marcelo venceu 18 partidas e perdeu outras 18. O gaúcho começou o ano na 34° posição do ranking, a melhor de sua carreira, mas terminou em 70° lugar.

Bia Haddad – a melhor representante brasileira

Com um 2017 excelente na disputa de simples, a brasileira Bia Haddad começou 2018 com uma vitória no Australian Open. Ganhou da australiana Lizette Cabrera, porém foi francamente derrotada por Karolina Pliskova, 6° do ranking da WTA, na segunda rodada. Também venceu uma partida do US Open, contra Whitney Oswigure. Ainda assim, a jovem de 22 anos, que era 71° do mundo em janeiro, fechou novembro apenas no 185° lugar do ranking.
Nas duplas, ela teve um desempenho melhor no começo do ano, e também uma queda maior depois. Após chegar às oitavas de final do Grand Slam da Austrália ao lado da romena Soraba Cirstea, Bia chegou a ocupar a 79° posição do ranking. Mas terminou o ano apenas como a duplista de número 246.

O Brasil na Copa Davis

O Brasil estará na repescagem da Copa Davis em 2019. Isso porque, em 2018, não conseguiu passar da primeira fase. Sob o comando de João Zwetsch, a equipe brasileira venceu a República Dominicana em fevereiro, mas perdeu para a Colômbia em abril. Em ambas as etapas, o time verde e amerelo jogou fora de casa.

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