Retrospectiva 2018: Os melhores do ano no futebol internacional para a coluna PAPO TÁTICO

Esse ano de 2018 nos brindou com muitas coisas no mundo do velho e rude esporte bretão. Foi ano de Copa do Mundo e de vermos a França de Didier Deschamps faturando o segundo título da sua história na Rússia jogando com um centroavante que não marcou gols. Vimos a valente Croácia fazer história na competição e a famosa geração belga colocando o Brasil de Tite na roda e finalmente vingando no cenário internacional. No âmbito dos clubes foi ano de afirmação do Real Madrid com o título da UEFA Champions League e da Copa do Mundo de Clubes da FIFA. Mas também tivemos a transferência de Cristiano Ronaldo para a Juventus e o Liverpool de Jürgen Klopp passando por cima dos adversários na Premier League. A coluna PAPO TÁTICO traz agora a sua Retrospectiva 2018 do futebol internacional. Vamos nessa?

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Getty Images

Impossível começar sem ao menos mencionar a Copa do Mundo da Rússia e a campanha sólida da França rumo ao bicampeonato mundial. A equipe comandada por Didier Deschamps pode não ter jogado o futebol mais vistoso, mas foi, sem dúvida alguma, a que teve mais consistência e força mental nos momentos decisivos. O 4-2-3-1 “torto” do técnico francês trazia Matuidi indo e voltando pela esquerda para liberar o jovem e veloz Mbappé (melhor jogador da Copa do Mundo na opinião deste que escreve) no outro lado numa estratégia de jogo extremamente eficiente. Mesmo com as críticas em cima de Giroud, centroavante que jogava para o time e não marcou gols na competição. A vitória sobre a Argentina nas oitavas de final foi a prova de que a França vinha com tudo para conquistar o seu segundo Mundial. E ele veio com goleada sobre a Croácia.

Matuidi mais preso pelo lado esquerdo para soltar Mbappé pelo outro lado. Griezmann decidindo na frente e Giroud preparando as jogadas. Pogba armando e Kanté correndo por todos. A França de Didier Deschamps foi consistente e eficiente na conquista da Copa do Mundo da Rússia.

Falando na vice-campeã mundial, a Croácia também merece destaque pelos feitos realizados na Copa da Rússia. Nem tanto por chegar na primeira final da sua história, mas pela maneira como ela chegou lá. O 4-1-4-1 de Zlatko Dalic trazia Brozovic na frente da zaga para liberar Modric e Rakitic para armar o jogo e ainda tinha em Perisic e Mandzukic dois jogadores capazes de feitos incríveis em momentos que nem mesmo a torcida croata acreditava na sua seleção. A goleada sobre a Argentina na fase de grupos e a vitória sobre a Inglaterra nas semifinais (depois da terceira prorrogação seguida) mostraram a qualidade daquela equipe. E Modric, mesmo não decidindo como se esperava, foi considerado o melhor jogador da Copa do Mundo e de toda a temporada. Decisão discutível da FIFA, mas que não diminui em nada o brilho dessa geração.

Zlatko Dalic armou um 4-1-4-1 que liberava Modric e Rakitic na criação das jogadas e encontrou na dupla Perisic e Mandzukic o fator de desequilíbrio na campanha do vice-campeonato da Copa do Mundo. Sem dúvida nenhuma, a Croácia de 2018 entrou para a história do futebol.

Saindo das seleções, passamos para os clubes nessa Retrospectiva 2018. E talvez nenhuma outra torcida teve tantos motivos para comemorar como a do Real Madrid. O time (ainda comandado por Zinedine Zidane) conquistou a sua UEFA Champions League de número treze jogando no mesmo 4-3-1-2 da temporada passada. A saída do vitorioso treinador e de Cristiano Ronaldo (que se transferiu para a Juventus) trouxe um certo clima de incerteza no clube. A experiência com Julen Lopetegui foi terrível e a diretoria recorreu a Santiago Solari, que montou um 4-3-3 que libera Gareth Bale para o ataque. O título da Copa do Mundo de Clubes da FIFA (o sétimo título mundial da história do clube) também contou com novidades no time titular, como o ótimo volante Marcos Llorente e o atacante Lucas Vázquez. O que o ano de 2019 reserva aos merengues?

Após as saídas de Zinedine Zidane e Cristiano Ronaldo após a Liga dos Campeões e a experiência ruim com Julen Lopetegui, o Real Madrid voltou a ter regularidade com Santiago Solari e a conquista da Copa do Mundo de Clubes da FIFA. Seu 4-3-3 libera Bale e Marcelo para o ataque e encontrou em Llorente uma ótima opção para o meio-campo.

A Retrospectiva 2018 também dá espaço para o fantástico Liverpool de Jürgen Klopp. A goleada sobre o Arsenal no último sábado (30) deixou os Reds com nove pontos de vantagem na liderança da Premier League. O treinador alemão ganhou os reforços dos brasileiros Alisson e Fabinho e do suíço Shaqiri e arrumou espaço para todos eles num 4-2-3-1 de movimentação constante e com um nível de intensidade na estratosfera. Mas o grande achado de Klopp está no posicionamento do brasileiro Firmino como “ponta de lança” à moda antiga, logo atrás de Salah (que passou a jogar como referência móvel no ataque) e alinhado a Sadio Mané (outro que vem jogando demais) e o já citado Shaqiri. Não é exagero nenhum colocar o Liverpool como o melhor time do mundo na atualidade e fortíssimo candidato a títulos no ano que está chegando.

O Liverpool encerra a temporada como a melhor equipe da atualidade. Jürgen Klopp achou espaço para Fabinho, Alisson e Shaqiri e posicionou Firmino como “camisa 10” no seu 4-2-3-1 de intensidade e ritmo alucinantes. Já são 17 vitórias e apenas três empates em vinte rodadas da Premier League de 2018/19.

E ainda há Cristiano Ronaldo. A sua transferência para a Juventus surpreendeu a todos e virou o mundo do futebol de pernas para o ar. Mas a grande verdade é que o português segue com muita fome de títulos. Com quase 34 anos de idade, CR7 passou a jogar mais próximo da área (como já vinha jogando no Real Madrid de Zidane) saindo da esquerda para o meio para aplicar o seu potente chute. O técnico Massimiliano Allegri entendeu a necessidade de montar seu time titular em torno do seu grande astro e apostou num 4-3-3 que varia para um 4-3-1-2 conforme a movimentação do argentino Dybala no ataque. Essa foi a formação da equipe de Turim na vitória sobre a Sampdoria no último sábado (30). Mas esse time da Juventus tende a crescer muito mais em 2019 e merece espaço na Retrospectiva 2018. Ainda mais com Cristiano Ronaldo louco para conquistar mais uma UEFA Champions League.

Não é somente a transferência de CR7 para o futebol italiano que merece espaço nessa Retrospectiva 2018. Cristiano Ronaldo corre menos do que nos seus áureos tempos, mas fez da Juventus uma das equipes mais fortes da temporada. São 17 vitórias em 19 rodadas do Campeonato Italiano e a sensação de que o céu é o limite para a equipe de Turim.

Voltando para as seleções, a eliminação do Brasil para a Bélgica levantou mais uma vez o questionamento sobre o papel da nossa seleção no cenário mundial. A equipe comandada por Tite sobrou contra rivais latino americanos, mas penou diante de uma Bélgica extremamente bem montada e organizada pelo técnico Roberto Martínez. A derrota por dois a um em Kazan fez com que muita gente se questionasse se realmente o Brasil ainda era uma potência do futebol e se nossos jogadores podem bater de frente com os europeus. Talvez a dor da derrota (natural em todo torcedor mais apaixonado) apagasse os méritos de Hazard, De Bruyne, Lukaku, Courtois e outros numa atuação quase perfeita na primeira etapa e também os méritos de Tite ao ajustar o time nos 45 minutos finais. O gol do empate não saiu por mero capricho dos deuses do velho e rude esporte bretão.

Foi o Brasil que jogou mal ou foi a Bélgica que jogou muito bem? Este que escreve fica com a segunda opção. O 4-3-3 de Roberto Martínez surpreendeu muita gente e engoliu a Seleção no primeiro tempo em Kazan. Méritos totais dos jogadores que entenderam a estratégia e da comissão técnica do escrete belga.

Boa parte desse questionamento segue a linha da nossa cultura de resultados. Se vencemos, é porque somos os melhores. Se perdemos, é porque nossos jogadores não honraram a camisa e nosso treinador cometeu erros cruciais. Não que os equívocos não tenham acontecido. Eles foram apontados mais de uma vez aqui na coluna PAPO TÁTICO (que também alertou para a qualidade da equipe belga). Mas não podem jamais esconder o fato de que os adversários também tiveram seus méritos nas vitórias contra a Seleção Brasileira. Quem poderia prever que Roberto Martínez fosse abandonar o 5-4-1 e apostar num 4-3-3 ousado e veloz na primeira etapa do jogo em Kazan? E quem poderia prever que Tite fosse conseguir corrigir os erros da sua equipe após o intervalo quando todos já falavam em novo vexame? O futebol é muito mais do que resultado, meu amigo.

Que no ano de 2019 eu e você consigamos enxergar o velho e rude esporte bretão em todos os seus aspectos e não pelo que achamos que tem que ser. Que nosso futebol volte a brilhar em todos os gramados. E que os motivos para sorrir sejam muito mais numerosos do que os motivos para chorar. Amigo, que seu 2019 seja absurdamente mágico. Essa é a principal mensagem dessa Retrospectiva 2018. Grande abraço!

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