Do Rio 40 graus a Moscou -10ºC; carioca Oscar é um dos representantes do Brasil na estreia do vôlei de praia na neve

Vôlei de praia, frio, chuteira, neve. A partir do dia 20 de dezembro, quatro brasileiros representarão o país na primeira competição oficial de vôlei de neve. O evento, organizado pela organizado pela Confederação Europeia de Voleibol (CEV), será realizado na fria Moscou, na Rússia, com previsão de temperaturas variando entre 5 e 10 graus negativos.

Juliana Netto
Jornalista, publicitária e grande amante do voleibol brasileiro desde criancinha. Mantém, desde 2010, o blog Primeiro Set, espaço que busca divulgar informações e resultados da sua modalidade preferida. Procura dar um foco maior ao vôlei de praia, muitas vezes esquecido pela imprensa esportiva nacional.

Crédito: Para o carioca Oscar, participação de estreia terá caráter experimental, mas já projeta passos futuros na modalidade (Foto: FIVB/Divulgação)

A etapa é a primeira de uma sequência de seis que irão compor o Circuito Europeu da modalidade. Viajarão para o torneio os capixabas Luciano e Vinícius Freitas, além do niteroiense Márcio Gaudiê e do carioca Oscar, quarteto que nunca disputou nenhuma competição semelhante. Para a competição, o regulamento prevê a disputa de três contra três, diferente dos tradicionais jogos de duplas.

Para Oscar, acostumado aos 40 graus do Rio de Janeiro, a principal diferença, além do número de parceiros e do piso, será a temperatura. “Voltei a treinar essa semana, depois de um recesso de duas semanas. Nesta terça, peguei 35 graus no treino. Se tiver ventando, a sensação térmica deve cair ainda mais e vamos passar frio”, brinca.

Por mais que não tenha experiência na neve, o carioca Oscar espera aproveitar o convite e já pensa no futuro da nova modalidade (Foto: FIVB/Divulgação)

Por mais que algumas etapas internacionais exijam uso de roupas térmicas, a vestimenta também deve ser outro ponto de adaptação para os brasileiros. “Peguei umas dicas de atletas que estão lá (Moscou) e, nesta semana, comprei uns materiais para a viagem. Como por aqui é difícil encontrar esses produtos, acabei comprando uma chuteira normal, de campo, para jogar. Entrei no ar condicionado e vesti a roupa para já ir acostumando”, conta.

Algumas das dicas também vieram do campeão olímpico Emanuel que, em fevereiro, participou de um torneio de exibição em PyeongChang, na Coreia do Sul, sede da Olimpíada de Inverno 2018. “Inicialmente perguntei sobre o calçado. Ele disse que usou um tênis do futebol americano, que dá uma boa estabilidade. Como eu já tinha comprado a chuteira, vou com ela mesmo. Mas vou dar uma ligada para ele e tentar pegar mais algumas dicas que possam fazer diferença”, brinca o carioca, cujo maior contato com a baixa temperatura foi em uma etapa sul-americana em Cochabamba, na Bolívia, em 2013. “Eu e meu parceiro Felipão (Edson Filipe) enfrentamos quase três graus na semifinal. Enquanto o time do Chile estava jogando de camiseta, a gente estava de luva e roupas térmicas. Não estávamos acostumados e foi bem difícil, principalmente no aquecimento e nos dez primeiros pontos da partida”. Na ocasião, Oscar e Edson Filipe ficaram com o bronze.

Para o carioca, que já jogou em Anapa e Kazan, mas nunca no inverno de Moscou, o lado competitivo dos brasileiros, mesmo que em condições não habituais, podem fazer a diferença: “Já está no nosso sangue ser competitivo. Sabemos da dificuldade, mas queremos representar bem o país e, quem sabe, até ganhar. Serve como experiência, adaptação e preparação para as próximas etapas. A ideia é jogar mais alguns torneios do calendário e até mesmo entrar no ranking de neve”, diz ele que se considera um privilegiado em fazer parte do quarteto verde-amarelo que participa da estreia da modalidade. Para o futuro, a expectativa é de que o esporte entre na lista de esportes olímpicos e que o Brasil tenha representantes nos Jogos.

Por terem recebido o convite da Confederação Europeia, Oscar, Luciano,  Vinícius Freitas e Márcio Gaudiê entrarão direto na fase de grupos e só conhecerão os adversários após a disputa do qualificatório do torneio.