Aldo sobre o futuro: “Não passa pela minha cabeça lutar pelo cinturão”

Em coletiva concedida à imprensa no Rio, José Aldo falou sobre sua próxima luta no dia 2, seus adversários e o futuro de sua carreira.

Thiago D Amaral
Colaborador do Torcedores

Crédito: Thiago D'Amaral/Torcedores

Nessa quarta (16), o brasileiro José Aldo concedeu entrevista coletiva no Rio de Janeiro. Ele falou com a imprensa sobre diversos assuntos. Entre eles, sua próxima luta contra Rafael Moicano, os desafios para seu ano e o fim de sua carreira. O ex-campeão também falou sobre a violência em Fortaleza, local da luta, e sobre uma possível disputa de cinturão. No próximo dia 2, Aldo enfrenta Moicano no UFC Fortaleza, no Centro de Formação Olímpica do Nordeste.

Uma das principais falas de Aldo foi sobre o término de seu contrato e uma possível disputa pelo cinturão. O ex-campeão dos pesos pena disse que não pensa em disputar novamente o título e que não quer renovar seu contrato de três lutas com o UFC. Ele também disse que seu desejo é fazer essas três lutas em eventos no Brasil durante esse ano. Confira abaixo as principais respostas da entrevista.

Decisão da luta em 3 rounds

“Primeiramente eu ia lutar com o Cub Swanson, estava fechado com ele, mas ele machucou, beleza, e depois disso eles (do UFC) tinham oferecido para mim o Moicano. Não vejo problema nenhum, nunca falei que não lutaria com ele ou com qualquer outro atleta. Independente de qualquer coisa, eu defendo minha bandeira, e se não for da minha equipe eu luto com qualquer um. E eu mandei uma relação de uns dez, 15 nomes da categoria com quem eu poderia lutar, e o nome do Moicano também estava dentro. Em nenhum momento eu neguei qualquer coisa. Quem não achava bom isso e com quem rolou esse negócio de três ou cinco rounds foi o Dedé. Ele que fechou a luta em três rounds, ele achou melhor. Para mim, tanto faz: cinco, dez rounds, quantos rounds forem precisos, eu luto, ou com Moicano ou com qualquer outro. Não tenho nenhum problema com isso, não”.

Possibilidade de lutar com um peso leve

“A gente falou uns três nomes, ele não falou, eu perguntei com quem que ele queria que eu lutasse. Coloquei, sim, pesos-leves também. Não só do meu peso. Dos mais bem ranqueados depois de mim, eu coloquei todos eles, e coloquei também alguns dos leves também, que para mim seria bem válido. Mas aí não aconteceu”.

Lutar contra um brasileiro

“Não me incomoda. Eu falei desde o início, comecei minha carreira lutando no Brasil primeiro para depois lutar fora. Eu só não luto com o pessoal da minha academia, que tá sempre comigo. Agora, o resto, sendo brasileiro ou não, não vejo problema nenhum. Eu não vou tirar o sonho de ninguém, de querer se privar, de querer lutar contra um cara que tá querendo ser campeão também”.

Sobre as características do Moicano

“Acho que ele tem as características completamente diferentes das do Holloway. Holloway é um cara que ataca bastante, que assimila muito bem os golpes. Então, não tem nada parecido. Pode ser o tamanho, só. O resto mesmo, de lutar, não. Completamente diferente. Então, eu tô indo para um outro caminho, que eu tenho certeza que vai me levar a vitória. Hoje em dia, ele tá fazendo uma coisa que todo lutador tá fazendo. Então, não é uma coisa nova. A gente estuda bastante. Todo dia, a gente tá estudando cada movimento, justamente pra não ter erro”.

Disputa pelo cinturão

Nem passa pela minha cabeça lutar pelo cinturão. Eu não penso em colocar uma luta pelo título agora. Só se fosse colocar uma renovação de contrato. E eu já deixei claro, tanto pro Dedé, quanto pro Dana, o que eu quero fazer, o que eu penso em fazer. E, se for bem e no contrato novo tiver essa abertura, aí sim eu posso lutar pelo título. Mas não passa pela minha cabeça fazer uma luta agora pelo título”.

Violência no Ceará

“Espero que as autoridades locais tomem uma providência e façam o caminho certo pra que tudo se resolva. É um desejo meu de lutar no Nordeste também, lutar em Fortaleza, onde tenho bastantes fãs. E, quando botaram meu nome no card, eu recebi muitas mensagens. Então, eu quero estar lá, sim. Tem o lance da violência? Tem. Mas eu espero que tudo se resolva até essas duas semanas que a gente tem pela frente”.

Objetivos conquistados na carreira

“Eu acho que eu conquistei tudo aquilo que eu queria e mais um pouco. Eu não sonhava que ia ser dessa maneira, não esperava. Então fico bem feliz quanto a isso, sou um cara bem realizado, tanto no pessoal, quanto no profissional. Nos dois lados, eu conquistei tudo aquilo que eu almejei na minha vida. Não me arrependo de nada, se pudesse voltar atrás, eu faria tudo de novo”.

Volta ao Brasil e recepção da torcida

“Eu penso que vai ser muito mais calorosa. Principalmente, depois de perder, acho que o carinho aumentou bastante. Tinha aquele lance, sim, do cinturão, todo mundo gostava de ficar vendo. Mas o carinho que eu recebo dos fãs, na rua, mandam mensagem, é muito maior”.

Final da carreira

“Não quero dar meu dinheiro para comprar minha saúde de volta. Porque hoje eu estou dando a minha saúde para pegar o dinheiro. Mas eu não quero fazer isso: quero estar bem, poder aproveitar o crescimento da minha filha, minha família também, minha esposa, poder viajar, poder sorrir um pouco, brincar, sem esse lado de lutar até os 40 anos, como eu vejo nossos grandes ídolos fazerem e terem uma má performance. Sempre falo isso para o Dedé: no dia em que eu não estiver no meu ritmo, que não puder manter minha explosão física, pode me tirar, porque eu acho que não vai mais ser hora de estar ali dentro. Não quero lutar por dinheiro. Me programei a vida inteira para estar bem financeiramente para, amanhã, quando quisesse parar, poder parar sem problema nenhum”.

Final do contrato

“Eu tenho que ler o contrato, que é em inglês, mas pode ter certeza que, se eu luto pelo título e venço, o contrato se renova automaticamente. Aí o Dedé tem que entrar em ação, tem que negociar. Isso que eu não quero, entendeu? Eu não quero me prender, porque meu objetivo é esse: quero lutar agora em Fortaleza para todo mundo e quero encerrar minha carreira aqui no Brasil também. Isso que a gente programou com o Dedé, por isso que eu estou já adiantando: pretendo lutar em maio também e depois finalizar no segundo semestre, que eu sei que vai ter outro evento no Brasil, e eles já sabem disso. Então, não tem por que eu chegar e mirar uma luta pelo título. Mas pode ter certeza: eu vou atropelar todo mundo que entrar na minha frente, porque eu vou vencer essas três lutas. Se eu lutasse pelo título, automaticamente poderia renovar o contrato. Eu não quero mais isso”.

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