Emily Lima avalia prós e contras de mudanças no futebol feminino com regra de Conmebol e CBF

A partir deste ano, entra em vigor a nova regra apresentada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pela Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol). Para disputar as principais competições do continente, os clubes devem contar com times de futebol feminino. Muitas equipes já possuem projetos voltados à modalidade, enquanto outras correm contra o tempo para se adequarem à medida. A mudança é vista com bons olhos pelos profissionais da área, mas estes alertam para cuidados necessários.

Bruno Nunes Loreto
Formado em Jornalismo na Universidade de Santa Cruz do Sul, UNISC. Amante dos esportes, principalmente o bom e velho futebol. Setorista de Grêmio e Fluminense.

Crédito: Reprodução/Youtube

Ex-técnica da Seleção Brasileira e atual comandante do Santos, Emily Lima torce para o sucesso dos clubes que estão adentrando no futebol feminino, mas avalia pontos positivos e negativos da mudança. A grande preocupação é com a qualidade das jogadoras. Com a necessidade de ser um produto vendável, buscando patrocinadores, a modalidade precisa de campeonatos apreciados pelo público.

“Faz 25 anos que ouvimos muitas promessas. Essa é mais uma e torcemos para que dê certo. Algumas equipes estão querendo fazer as coisas para desenvolver mesmo e alguns clubes fazendo apenas pela obrigatoriedade que foi imposta. Torcemos para que o mercado melhore, tanto para a gente como comissão técnica, porque vai abrir o mercado, como para as atletas”, disse.

“O que eu temo é ter poucas atletas para que possamos fazer competições competitivas. Já vejo bastante diferença do que temos hoje e temo abrir muito mais clubes e a qualidade cair. Precisamos pensar que temos que vender nosso produto. E para vender o futebol feminino, tem que fazer com que seja um jogo vistoso, que as pessoas se interessem, e não ver placares de 10, 15 a zero, que isso já é passado. Precisamos mudar isso. Não é só fazer os clubes terem o futebol feminino, mas como eles vão fazer. É muito delicado falar de futebol feminino, não é tão simples como as pessoas acham”, avaliou a treinadora em entrevista ao canal Papo de Concentra, do Youtube.

Um dos grandes problemas para a formação de tantas novas equipes pode ser a falta de jogadoras. De acordo com levantamento recente do Globoesporte.com, das 20 equipes que disputarão a Série A em 2019, apenas sete têm times femininos estruturados (Ceará, Corinthians, Flamengo, Grêmio, Internacional, Santos e Vasco). Outro seis (Atlético-MG, Bahia, Chapecoense, São Paulo, CSA e Goiás) já encaminharam projetos na área. Dois clubes (Athletico-PR e Fluminense) iniciaram o planejamento, enquanto os demais (Avaí, Botafogo, Cruzeiro, Palmeiras e Fortaleza) ainda não começaram a montar seus elencos.

“Temos poucas meninas praticando o esporte. Acredito que vamos ter muitos times para poucas atletas. Pode até ter atletas, mas a qualidade técnica e tática vai cair bastante. Conseguimos elevar um pouco isso durante esse tempo e agora podemos ter uma queda e pode não ser interessante para nós”, completou Emily.

Confira a entrevista completa da treinadora!

Clique AQUI para conferir o levantamento completo do Globoesporte.com.

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