PAPO TÁTICO: E não é que o Santos de Jorge Sampaoli está ficando interessante?

A contratação do argentino Jorge Sampaoli pelo Santos gerou muita controvérsia por dois motivos. O primeiro era a já conhecida xenofobia de boa parte da imprensa esportiva com relação a técnicos estrangeiros. E o segundo era a passagem catastrófica do treinador pela Seleção Argentina na Copa do Mundo da Rússia. No entanto, mesmo com desconfiança, Sampaoli vem conseguindo implantar as suas ideias no elenco do Peixe aos poucos. E os resultados estão aparecendo dentro de campo. A bela vitória sobre o São Paulo neste domingo (27), no Pacaembu, calou boa parte dos críticos do técnico argentino (pelo menos por enquanto). Uma atuação coletiva de respeito de uma equipe bem organizada e que tende a evoluir ainda mais na temporada.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ivan Storti / Santos Futebol Clube

Antes de mais nada, é preciso dizer que o Santos foi muito superior ao São Paulo. Aliás, os comandados de André Jardine escaparam de levar uma goleada no Pacaembu. Sem exageros. Tudo por conta da estratégia de Sampaoli na primeira etapa ao posicionar Jean Mota e o paraguaio Derlis González à frente do venezuelano Soteldo num 4-3-1-2 que fechava espaços e tinha muita intensidade na marcação e nas transições para o ataque. Alison, Carlos Sánchez e Diego Pituca (um dos melhores em campo na opinião deste que escreve) simplesmente não cederam nenhum pedaço de campo ao São Paulo de André Jardine, que repetia o 4-2-3-1 na sua equipe, mas via Hudson e Jucilei sofrerem horrores na marcação. Mais à frente faltava a movimentação e entrega de Éverton, Nenê e Pablo. Não era o dia do Tricolor Paulista.

Sampaoli armou o Santos com Jean Mota e Derlis González soltos à frente de Soteldo e fez sua equipe jogar com muita intensidade nas transições e na pressão no homem da bola. O São Paulo quase não tinha como sair de seu campo e teve uma atuação coletiva muito ruim em toda a partida.

O gol de Luiz Felipe no final da primeira etapa fez com que André Jardine mandasse Diego Souza a campo no lugar do garoto Helinho, deixando o São Paulo com uma referência no ataque e deslocando Pablo para o trio de meias. Pouco tempo depois, Sampaoli fez duas mudanças que praticamente confirmariam a vitória. Sacou Orinho e Jean Mota para as entradas dos colombianos Copete e Aguilar, rearrumando o Peixe num 3-1-4-2 de muita movimentação ofensiva. Mas o trio de volantes seguia fazendo a diferença no Peixe. Alison recuperou a bola no meio-campo e serviu Derlis González, que marcou o gol da vitória num contra-ataque de manual. André Jardine ainda tentou responder com Liziero e Brenner nas vagas de Nenê e Hudson, mas o São Paulo não tinha mais forças para reagir no Pacaembu. Vitória justa.

A mudança para o 3-1-4-2 (com as entradas de Aguilar e Copete nos lugares de Orinho e Jean Mota) deu outra cara ao Santos e foi determinante para a vitória no Pacaembu. Destaque para a atuação segura de Diego Pituca, o melhor da partida na opinião deste que escreve.

É bem verdade que ainda estamos na terceira rodada do Campeonato Paulista e que muita coisa pode acontecer. Certo é que Jorge Sampaoli vem mostrando a que veio no Santos. Mesmo com um elenco sem estrelas, o argentino mostra que não perdeu o jeito para montar equipes intensas, móveis e extremamente velozes nas transições. Com Derlis González, Soteldo e Jean Mota na frente, Sampaoli conseguiu criar um trio ofensivo de muita movimentação e que lembrava muito (guardadas todas as proporções) o Chile campeão da Copa América em 2015. A marca do treinador também pode ser vista na recomposição defensiva e na mudança na formação básica da sua equipe durante as partidas. O Santos de Sampaoli ainda não é uma Universidad de Chile, mas já começa a impor respeito e chamar a atenção.

Este que escreve só espera que a cultura do resultado não influencie o julgamento de torcida, diretoria e imprensa. Sampaoli é bom técnico sim, mas não é gênio. Assim como André Jardine deixou de ser bom profissional e não presta mais. É preciso ter prudência e paciência nas análises. Tanto nas vitórias como nas derrotas.

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