PAPO TÁTICO: Vitória do Manchester United sobre o Tottenham tem a marca de Solskjaer

Seis jogos, seis vitórias. Nenhum outro treinador na história do Manchester United conseguiu atingir essa marca nas suas primeiras partidas no comando dos Red Devils. Mas o norueguês Ole Gunnar Solskjaer conseguiu. A bela vitória sobre o Tottenham neste domingo (13) dentro do mítico estádio de Wembley mostrou um time comprometido com as propostas do seu treinador e muito mais leve do que nos tempos do português José Mourinho. Mais do que isso. Solskjaer vem alternando propostas de jogo e formações táticas com bastante sucesso no Manchester United. Se o título da Premier League é praticamente impossível (até pela distância de 16 pontos para o líder Liverpool), o time já começa a sonhar com uma vaga na próxima edição da Liga dos Campeões.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / Premier League

Esse talvez tenha sido o melhor jogo dessa edição da Premier League até o momento. Isso porque Mauricio Pochettino e Solskjaer também promoveram duelo interessantíssimo no banco de reservas. O argentino armou o Tottenham num 4-3-1-2 com Sissoko (que saiu de campo lesionado no final da primeira etapa) e Eriksen pelos lados, Winks na proteção da zaga e Dele Alli mais próximo de Son e Harry Kane. Embora o time londrino tenha ficado mais com a bola no primeiro tempo, o Manchester United vendia muito caro cada pedaço do campo. Solskjaer apostou numa estratégia de pressão em cima do homem da bola e transições rápidas como o belíssimo passe de Pogba no lance que originou o gol de Rashford, o único da partida. Enquanto os Spurs tentavam chegar na base do toque, os Red Devils eram mais objetivos.

Solskjaer armou o Manchester United num 4-2-3-1 mais móvel com o trio ofensivo se movimentando constantemente na frente e Pogba armando o jogo. Embora o 4-3-1-2 de Mauricio Pochettino controlasse melhor a bola, as melhores chances da primeira etapa foram dos Red Devils.

É bom que se diga que a lesão do francês Sissoko prejudicou a estratégia do técnico Mauricio Pochettino. Este se viu obrigado a abrir mão do seu 4-3-1-2 e a espelhar o 4-2-3-1 do seu adversário com a entrada de Lamela pelo lado direito e deixando Winks e Eriksen na proteção da zaga. Do outro lado, Solskjaer mantinha a sua estratégia de atacar o homem da bola, fechar os espaços e partir em altíssima velocidade para o ataque. Matic e Herrera protegiam bem a zaga e ainda qualificavam o passe para que Pogba (jogando mais próximo dos atacantes) pudesse organizar as jogadas aproveitando a movimentação intensa de Rashford, Martial e Lingard no setor ofensivo. Mas quem mandava no jogo eram os Spurs. Até mesmo pelo ímpeto ofensivo de Dele Alli, Harry Kane e companhia e pelo abafa criado na segunda etapa.

Momento para o goleiro De Gea brilhar com pelo menos 11 defesas difíceis. Noite que remete à lendária atuação do norte-americano Tim Howard contra a Bélgica na Copa do Mundo de 2014. A diferença, no entanto, está no resultado final. O Tottenham massacrou o Manchester United na segunda etapa jogando praticamente num 4-2-4 após a entrada de Llorente na vaga de Winks, fato que obrigou Solskjaer a mexer na sua equipe e melhorar a marcação pela direita com as entradas de Diogo Dalot e McTominay nos lugares de Lingard e Pogba. Vitória merecidíssma da equipe que teve mais força mental para segurar um adversário tecnicamente superior e que teve no goleirão De Gea o grande trunfo para conquistar três pontos importantíssimos. Ainda mais na situação em que o time se encontrava na tabela do Inglesão.

O goleiro De Gea foi o principal responsável pela vitória ao fazer pelo menos 11 defesas difíceis. O Tottenham se lançou ao ataque num 4-2-4 com as entradas de Lorente e Lamela, mas não conseguiu passar pela muralha espanhola. Melhor para Solskjaer que chegou à sua sexta vitória em seis jogos no comando do Manchester United.

O grande mérito de Ole Gunnar Solskjaer nem foi organizar o time e dar um mínimo de padrão tático ao galáctico e milionário elenco do Manchester United. O norueguês simplesmente recuperou o grupo, deixou os jogadores à vontade e usou seu status de ídolo para conquistar a confiança de todos. Mesmo sem a “grife” de um Zinedine Zidane, um José Mourinho ou de um Mauricio Pochettino (um dos nomes ventilados para assumir os Red Devils ao final da temporada). Solskjaer tem todas as condições de colocar um ponto de interrogação na cabeça dos dirigentes do Manchester United e seguir no comando da equipe. Ele conhece o clube, tem o respaldo dos jogadores e os resultados estão ao seu favor. E há condição de ir longe na Liga dos Campeões da UEFA se o nível das atuações for mantido diante do PSG.

Solskjaer chegou sem muito alarde e vai deixando a sua marca no United. Seja no trabalho tático, na conversa com os atletas ou no comando da equipe nas partidas, a tendência é que siga sem muita pressão mesmo se as derrotas surgirem. Afinal, a sua marca já foi deixada na história do clube. Como jogador e agora como treinador.

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