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Depoimento de sobrevivente cita “gambiarra” em ar-condicionado no CT do Flamengo

Na noite deste domingo (10), o programa “Fantástico”, da TV Globo, veiculou uma reportagem a respeito da tragédia no CT Ninho do Urubu, que acabou vitimando 10 jovens das categorias de base do Flamengo. O material apurado afirma que um sobrevivente do incidente em depoimento prestado à polícia citou uma “gambiarra” em um aparelho de ar-condicionado do local.

Cido Vieira
Jornalista formado e apaixonado por futebol desde criança. No Torcedores.com desde o ano de 2017, já acumulei diversas funções no site e atualmente me dedico a cobertura do futebol nordestino. No Twitter, @cidovieira90.

Crédito: Reprodução

De acordo com as investigações iniciais, o início das chamas teria se dado após um curto circuito em um aparelho do mesmo tipo. Contudo, não ficou explícito na reportagem se o ar-condicionado mencionado no depoimento, foi o mesmo que desencadeou a tragédia.

No depoimento concedido, o jovem teria supostamente revelado que o aparelho de ar-condicionado seria menor que o espaço o espaço na parede, e que o buraco foi preenchido com pedaços de madeira, plástico bolha e espuma. Especialista em segurança, Moacyr Duarte foi ouvido pela reportagem, e evidenciou que este tipo de situação pode ter facilitado a entrada do ar pela frestas, alimentando ainda mais as chamas no alojamento.

“Esse tipo de ar-condicionado tem a parte do condensador fora do ambiente, ele passa exatamente sobre o sanduíche do material isolante. Temos um acabamento padrão de alumínio, que tem característica de resistência de passagem de calor. Se não houvesse isso ou se tiver a possibilidade da chama gerada entrar em contato contato com o material que está dentro do sanduíche, o que vai acontecer é que vai estabelecer uma queima semelhante a um forno de carvão. Ou seja, uma queima com muito pouco ar”, explicou ele.

“À medida que vai tendo a evolução da linha de queima para cima, você vai puxando o ar pelas frestas. Isso vai alimentando aquela combustão lenta até que, quando chegar na extremidade da junção de placa, o próprio calor gerado começa a dilatar as frestas e o ar entra”, completou.

As paredes dos contêiner que servia de alojamento para as jovens da base rubro-negra eram produzidas com placas de metal, entre elas um isolante térmico e acústico, a espuma de poliuretano. Quando em chamas, este tipo de material libera o gás cianeto, substância amplamente tóxica. Na tragédia da Boate Kiss, em 2013, no Rio Grande do Sul, este mesmo tipo de substância acabou vitimando muitas pessoas.

Na maioria dos depoimentos colhidos até o momento, os sobreviventes da tragédia relataram uma dificuldade grande para acordar, – aparentando um desmaio – e despertar os colegas, justamente por conta fumaça. Em nota oficial divulgada neste domingo, o Flamengo negou que o material presente nas chapas é de característica tóxica e, afirmou que o poliuretano utilizado entre as chapas metálicas das paredes do alojamento não foi um propagador do incêndio, já que possui “característica auto-extinguível”.

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