Cinco medalhistas olímpicos brasileiros em esportes pouco populares

O Brasil tem equipes tradicionais em esportes como futebol, vôlei, judô, entre outros. Porém, atletas de esportes menos populares também conseguem com muito esforço colocar o nome do país em conquistas olímpicas

Rubens Melo
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: Reprodução/Youtube - Thiago Braz ouro no salto com vara no Rio, em 2016

As Olimpíadas são, sem dúvida, a maior competição esportiva do mundo. Reunindo atletas de todos os países em uma única sede para a disputa das mais diversas modalidades e categorias, o sonho de praticamente todo atleta é conseguir uma medalha olímpica para ter a honra de no pódio receber a medalha, e, ouvir o hino nacional do país ao qual representa. Por sua vez, os brasileiros, com todo o espírito competitivo, estão sempre de olho visando boas conquistas de seus representantes.

Reunimos então cinco medalhistas olímpicos de esportes pouco conhecidos no Brasil que surpreenderam a todos que acompanham, e que trouxeram conhecimento dos atletas que por anos se dedicavam praticamente no anonimato e com pouco apoio para as disputas olímpicas, devido ao baixo apoio do nosso país em comparação com potências como Estados Unidos e China.

Rio 2016: Felipe Wu – Tiro esportivo (Prata)

O neto de chineses e filho de atiradores Felipe Wu há muitos anos pratica o tiro esportivo, onde inclusive já havia conquistado a medalha de ouro nos jogos Pan-Americanos de Toronto antes de conseguir a medalha de prata que surpreendeu a todos nos jogos do Rio de Janeiro em 2016 na categoria pistola de ar de 10 metros.

A última medalha do Brasil na modalidade de tiro esportivo foi na considerada primeira Olimpíada da história, realizada no ano de 1920 em Antuérpia, na Bélgica.

Londres 2012: Yane Marques – Pentatlo moderno (Bronze)

Yane Marques fez história ao conseguir a medalha de bronze no pentatlo moderno – que unifica natação, esgrima, hipismo, tiro ao alvo e corrida em sua prática – sendo até então a única medalha do Brasil na modalidade. Sendo atleta do exército, a pernambucana passou a interessar-se pratica da modalidade no ano de 2003, e antes da medalha olímpica, Yane já havia conquistado por duas vezes o ouro Pan-Americano no Rio em 2007 e em Toronto, em 2015.

Yane Marques exibe com orgulho o bronze no pentatlo moderno. Crédito: divulgação/twitter

Atualmente, Yane Marques é terceiro-sargento do exército e assumiu a secretária Executiva de Esportes da capital de Pernambuco, Recife.

Atenas 2004: Rodrigo Pessoa – Hipismo (Ouro)

Após duas medalhas de bronze em equipe em Atlanta no ano de 1996 e em Sidney, ano 2000, Rodrigo Pessoa chegou ao seu ápice após conquistar a medalha de prata na modalidade individual nas Olimpíadas de Atenas no ano de 2004. Porém, o cavalo do então medalhista de ouro, o irlandês Cian O’Connor, foi flagrado em dois exames antidoping, e a medalha de ouro foi atribuída ao brasileiro.

Em contrapartida, Rodrigo Pessoa passou por situação semelhante nas Olimpíadas de Pequim em 2008, onde o atleta havia conquistado a 5ª colocação na mesma prova individual em que havia conquistado o ouro olímpico, mas desta vez o seu cavalo Rufus foi flagrado no exame, desclassificando o cavaleiro e suspendendo-o por 135 dias.

Pequim 2008: Maurren Maggi – Salto em distância (Ouro)

Maurren Maggi e sua medalha de ouro conqusitada em Pequim, em 2008. Crédito: Divulgação/Twitter

A atleta Maurren Maggi conseguiu o ouro inédito para o Brasil na modalidade salto em distância. A experiente atleta tem além da conquista olímpica três ouros Pan-Americanos em Winnipeg 1999, Rio 2007 e Guadalajara 2011.

A medalha não foi nada fácil e foi um dos casos de maior superação no esporte. Maurren foi acusada em 2003 no exame antidoping devido ao uso de uma pomada cicatrizante após uma depilação. O caso foi de alta repercussão e um jornalista chegou até a executar os mesmos passos relatados pela atleta para saber se a justifica por ela dada era verídica; e o caso se repetiu. Porém, mesmo com as provas, o comitê internacional não aceitou a versão de Maurren e ela foi suspensa por 2 anos, consequentemente perdendo as Olimpíadas de 2004, em Atenas.

Oito anos depois, com uma filha de pouco mais de um ano, Maurren foi às Olimpíadas de Pequim em 2008, e com um salto de 7,04m logo na primeira tentativa, a atleta por 1cm não foi superada pela adversária russa Tatyana Lebedeva e com isso garantiu o ouro olímpico inédito na modalidade.

Rio 2016: Thiago Braz – Salto com vara (Ouro)

Thiago Braz começou aos 14 anos no esporte, onde se interessou e passou a disputar competições da juventude, apoiado pela campeã mundial da mesma modalidade Fabiana Murer.

Nas Olimpíadas do Rio, em 2016, Thiago já tinha a patente de terceiro-sargento da Aeronáutica, e disputava pela primeira a competição. Em outros eventos anteriores, o promissor atleta havia cometido após alguns deslizes e chegava para competir na maior competição do mundo com a pressão relatada principalmente pelo até então campeão da modalidade, o francês Renaud Lavillenie, que o chamou de talentosos porém inconsistente.

Mesmo com a pressão, Thiago não só foi medalhista de ouro como conseguiu o incrível recorde mundial olímpico com um salto de 6,03m, salto que o francês não conseguiu superar e que consagrou o brasileiro e o recompensou com o inédito ouro olímpico para o Brasil na modalidade.

MENÇÃO HONROSA

Rio 2016: seleção brasileira de futebol – Futebol masculino (Ouro)

Enfim, a cobrança acabava. De todos os esportes, havia todo o drama de finais perdidas que a seleção pentacampeã mundial de futebol carregava, e que se acabava ali, no dia 20 de agosto de 2016, no melhor palco possível: o estádio Maracanã.

Contando com o craque Neymar, a campanha da seleção começou bastante duvidosa com os empates para África do Sul e Iraque  por 0 a 0 no início da competição, porém, a seleção entrou nos eixos e conseguiu chegar a final contra um adversário em especial: A Alemanha.

Sim, a seleção algoz do Brasil na Copa do Mundo com o tal falado e repetido 7 a 1 em 2014. Desta vez, na final olímpica, que teve 1 a 1 como placar do tempo normal. Nos penaltis, 4 a 4 até que Weverton apareceu para defender a quinta cobrança alemã e colocar nos pés de Neymar a oportunidade de quebrar de vez esse tabu do Brasil. Neymar fez, e o Brasil pela primeira vez conquistou o tão perseguido e desejado ouro olímpico.

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