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Após deixar a Lusa, Luís Carlos Martins afirma que nunca havia passado por um momento tão ruim na carreira

Luís Carlos Martins entregou o cargo de técnico do clube, nesta terça-feira (19) e afirmou em entrevista exclusiva ao Rubro-verde Mídia que nunca havia passado por esta fase e nunca teve a necessidade de pedir demissão na carreira como técnico.

Kayque Dias
Colaborador do Torcedores

Para muitos, a demissão de Luís Carlos Martins pegou todos de surpresa, pois esperavam a continuidade do comandante à frente do elenco lusitano na disputa da Série A2 do Campeonato Paulista. Mas, a demissão do treinador já havia sido cogitada, há cerca de duas semanas atrás, dias depois da partida diante do Juventus-SP.

O treinador concedeu entrevista exclusiva ao Rubro-verde Mídia após sua demissão da Portuguesa e comentou um pouco sobre alguns pontos extracampo e também deixou seu ponto de vista quanto à equipe. Confira abaixo:

Rubro-verde Mídia: Como foi que aconteceu a demissão?

Luís Carlos Martins: “Bom, eu já havia conversado com o presidente sobre este assunto à cerca de 10 dias atrás. Alguns dias depois do jogo contra o Juventus-SP. Já não estava dando certo, os resultados não saíam e eu nunca tinha passado por este momento. Sempre briguei lá em cima e desta vez, acabou que não deu certo. Na primeira vez que conversei com o presidente sobre isso, ele insistiu para que eu ficasse. Eu aceitei, mas depois deste último jogo, eu percebi que a minha hora no clube já havia se esgotado. Falei com ele hoje, entramos num acordo amigável e decidimos encerrar meu vínculo com o clube.”

Rubro-verde Mídia: Na sua visão, por que a equipe não conseguiu vencer e qual foi o principal problema do time?

Luís Carlos Martins: “Nós fizemos bons jogos no campeonato. Contra a Portuguesa Santista, contra o Linense, contra o São Bernardo, mas tomamos gols no final da partida e isso nos prejudicou muito na busca por uma colocação melhor no torneio. O grupo é bom, estava bem treinado e bem fisicamente, porém nem sempre as coisas saem do jeito que a gente quer. Eu conversava muito com os jogadores, alguns sentiam a responsabilidade do momento e eu disse a eles que o torcedor iria cobra-los não só pelo o que eles estavam fazendo, mas também pela atual conjuntura que o clube vive. Uma instabilidade política, resultados que não vem, ou seja, o torcedor não está acostumado com esta fase que a Portuguesa vivência hoje. Então, às vezes quando a equipe jogava no Canindé, o time tinha um pouco de ansiedade para conquistar as vitórias e faltava tranquilidade para colocar a bola para dentro.”

Rubro-verde Mídia: Luís, nas últimas semanas surgiram dezenas de boatos em relação ao elenco. Problemas extracampo, de salário, de harmonia do elenco, como o caso do Anderson Cavalo. Estes boatos procedem?

Luís Carlos Martins: “Em dois meses que eu estou no clube, não houve nenhum incidente, nenhum problema. Nos últimos anos, tive trabalho longos, como no São Caetano, a onde fiquei por 3 anos e meio e no Oeste, a onde fiquei por 2 anos. E por lá, nunca tive nenhum problema e você sabe que no futebol brasileiro, ficar todo esse tempo em um clube, é muito raro. Na Portuguesa não foi diferente em relação ao elenco. Nunca tive atrito com ninguém. Inclusive os jogadores não queriam que eu saísse.”

– “Em relação ao Cavalo, foi o seguinte. Ele teve o problema da tia dele, e pediu para não jogar. Eu disse que tudo bem, era um momento difícil para ele e eu respeitei. Ele ficou de fora do jogo contra a Santista e depois ficou mais três dias sem treinar, e com isso, acabou perdendo o outro jogo, que foi contra o Sertãozinho. Apenas um jogo que foi por minha conta, que eu o deixei de fora (partida diante do Juventus-SP). Mas depois ele voltou contra o Linense e inclusive fez o gol do time na ocasião.”

– “Sobre os boatos em relação a salários atrasados, também não existiu. Comigo não existiu nenhum problema de salário.

Rubro-verde Mídia: Luís, no tocante a montagem do elenco. Você teve participação decisiva na escolha do atletas ou foi o Alex Afonso e a diretoria que decidiram.

Luís Carlos Martins: “Foi um consenso entre todas as partes. Eu indiquei, o Alex indicou, a diretoria também participou. No início, estava muito difícil trazer os atletas, pois a Portuguesa está com a imagem muito ruim, muita gente fala mal do clube. Por isso, não conseguimos trazer vários atletas que estávamos almejando, e trouxemos o que deu no mercado. Montamos uma equipe em 40 dias, isso é muito pouco para formamos um time de futebol, mas no final acabou dando tudo certo.”

Rubro-verde Mídia: Notamos que após a expulsão do Hudson, contra o Juventus-SP, a falta de um lateral-direito para substituí-lo, era notória. Foi por opção sua ou da diretoria não trazer um lateral para ser reserva?

Luís Carlos Martins: “Eu estava olhando muito a base. Puxei vários atletas do time que estava disputando a Copinha, entre os jogadores que eu puxei, estava o Gustavo, lateral-direito. Ele iria jogar a partida contra o Linense, mas ele torceu o tornozelo e acabou que eu tive que improvisar o Bruno Ribeiro. Lá em Lins, o Bruno Ribeiro foi bem, e por isso preferi mantê-lo na partida diante da Inter de Limeira.”

Rubro-verde Mídia: Em relação a torcida, outro boato que surgiu, foi a reivindicação dos jogadores em contar mais com o apoio da torcida. Dentro deste contexto, dos jogadores e do problema dos ingressos com preços abusivos, para vocês, a torcida fez falta nestes últimos jogos em casa?

Luís Carlos Martins: “Com certeza! A torcida faz toda a diferença e eu falei para os jogadores que a Portuguesa tinha uma torcida forte. A torcida é o gás de toda equipe, e claro que em número maior, faria muita diferença.” — finalizou o treinador.

O treinador encerrou sua segunda passagem pelo clube. A primeira passagem de Luís Carlos na Portuguesa foi no Campeonato Paulista de 2003, a onde o clube estava na penúltima colocação e faltavam 5 jogos para acabar o campeonato. O técnico conseguiu salvar a equipe do rebaixamento. Já na segunda passagem, Martins deixa a Lusa na 13ª colocação da Série A2, com nenhuma vitória. Foram 8 partidas, com 5 empates e 3 derrotas.

A Lusa já buscava outro treinador para substituir Luís Carlos Martins. Segundo o jornalista e torcedor da Portuguesa, Jorge Nicola, a equipe mira o experiente técnico Paulo Roberto Santos, que estava no Brasil de Pelotas-RS. Por enquanto, interinamente, o técnico Wendel Freitas foi cogitado para assumir a equipe.

O time rubro-verde tem jogo direto contra o rebaixamento, diante do Penapolense, no estádio do Canindé, às 16:00, em partida válida pela 9ª rodada da Série A2 do Campeonato Paulista.

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