Mudança no hino e luta por melhorias: veja como a Real Sociedad e sua capitã ajudam a revolucionar o futebol feminino

As mulheres têm alcançado cada vez mais vitórias na luta por mais espaço e valorização no esporte, principalmente no futebol. Enquanto muitos clubes brasileiros anunciaram a formação de equipes femininas para a disputa das competições nesta temporada, os europeus dão passos que vão muito além neste sentido. A Real Sociedad (ESP) deu exemplos de valorização das mulheres ligadas ao time, sejam torcedoras, sejam as atletas que vestem a camisa e atuam dentro de campo. Confira esta história:

Luis Felipe Pereira
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: Real Sociedad twitter oficial

O hino

Pensando na inclusão do público feminino e na atletas que atuam pelo clube, a Real Sociedad tomou uma medida corajosa e que causou polêmica no final de 2018. O time basco alterou a letra de seu hino, trocando duas partes em que apareciam a palavra “mutilak” (garotos no idioma local) por “reala” (que faz referência ao nome da equipe).

Por envolver um elemento histórico e tradicional do clube (o hino foi composto em 1970), a mudança causou certo mal-estar entre alguns torcedores da Real Sociedad, que não aceitaram bem as alterações. Por outro lado, a ação foi motivo de alegria para as jogadoras do time espanhol, que se sentiram valorizadas:

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“Que o clube inclua a mulher no hino faz com que a gente se sinta mais pertencente a ele. Não só as jogadoras, mas também as funcionárias e todas as torcedoras. Como jogadora veterana que sou, ver essa mudança depois de tantos anos é um gesto que valoriza todo o trabalho que muitas mulheres vêm fazendo”, disse a capitã do time de futebol feminino da Real Sociedad, Sandra Ramajo em entrevista à Folha de São Paulo.

Sandra Ramajo, líder na luta feminina no futebol espanhol

Crédito: Sandra Ramajo twitter oficial

 

A lateral-direita, que é cria da base do time basco e está na equipe desde 2008, se mostra compreensiva diante da reação negativa por parte de alguns torcedores. Sandra diz entender que o processo de igualdade de gêneros é gradual no sentido de aceitação para algumas pessoas e que por mexer com uma tradição do clube, a mudança no hino pode ser um fato difícil de digerir para estes aficionados. A atleta acrescenta que é questão de tempo que estes mesmos indivíduos enxerguem como natural a forte presença das mulheres no futebol.

Com mais de 200 jogos pela equipe da Espanha, Ramajo é também uma das líderes na luta por melhorias no futebol feminino no país. Uma das principais bandeiras defendidas por Sandra é a criação de um convênio coletivo para as atletas da liga espanhola. As principais propostas reivindicadas são: estabelecimento de um salário mínimo para as jogadoras, melhores horários de treinamento, um fundo de garantia para as que ficarem grávidas e garantia de recebimento integral do salário em caso de longas lesões.

As jogadoras já conseguiram a inclusão de uma cláusula que impede o rompimento de contrato em caso de gravidez. Antes os times ficavam livres para encerrar os contratos por decisão própria com atletas que engravidavam.

Dificuldades das atletas

Todas estas mudanças visam melhorar as condições de trabalho das jogadoras, que passam por inúmeras dificuldades no futebol espanhol. É comum para muitas delas dividir a rotina entre os treinos e um trabalho ou faculdade, já que com a média de salário pago na Liga Espanhola, não é possível sobreviver única e exclusivamente do esporte. Com exceção do Barcelona, que paga uma média de 2 mil euros (R$8.400) para suas jogadoras e é um modelo de estrutura para as mulheres no futebol, a quantia recebida por elas nos demais clubes é de 150 a 200 euros mensais (630 a 850 reais).

Real Sociedad, um exemplo a ser seguido

Após muitos anos, a Real Sociedad dá sua contribuição para o desenvolvimento do futebol feminino na Espanha e em toda a Europa. Além das equipes A e B no futebol, o time também possui um grupo de mulheres no hóquei na grama. As mudanças vão além do hino e passam pelo suporte às atletas fora de campo, como o episódio de Sandra Ramajo, que sofreu um grave lesão no joelho e recebeu todo o apoio do time enquanto esteve fora.

O time basco é um exemplo para as outas equipes no futebol feminino e uma esperança para as mulheres que visam ter uma realidade melhor dentro e fora de campo. Os resultados dessa atenção especial pode ser visto nos gramados, já que a Real Sociedad é finalista da Copa da Rainha desta temporada.

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