Serena Williams narra novo vídeo da Nike em defesa às mulheres no esporte: “Sonhe Loucamente”

A Nike lançou uma campanha a fim de defender a igualdade de gênero nos esportes. Com Serena Williams, Simone Biles, Ibtihaj Muhammad, Caster Semenya, e outras atletas, o vídeo da empresa americana encoraja as mulheres a seguirem seus sonhos através do slogan “é só uma loucura até você fazer. Apenas faça”.

Paula Rühling
Jornalista formada pela Universidade Federal de Mato Grosso, apaixonada por esportes. Ex atleta de natação e típica jogadora de tênis de final de semana. Objetivo de vida: nunca deixar de contar boas histórias.

Crédito: Divulgação / Wimbledon

“Se eles pensam que seus sonhos são loucos, mostre a eles quão loucos seus sonhos podem ser.” Assim, a Nike tem o objetivo de empoderar as mulheres através da nova campanha. Ao mesmo tempo, a empresa tenta inspirar as crianças a se envolver com os esportes, e a sonhar alto.

Lançado no dia 24 de fevereiro, o vídeo narrado por Serena Williams, mostra diversos exemplos de atletas e treinadoras que foram as pioneiras em alguma conquista dentro dos mais variados esportes. Ibtihaj Muhammad, por exemplo, ficou conhecida por ser a primeira mulher muçulmana americana a usar um hijab enquanto competia pelos Estados Unidos nas Olimpíadas. Becky Hammon, a primeira mulher treinadora adjunta na NBA.

A própria Serena Williams é um exemplo de precursora. Não, ela não é a primeira tenista a ter filho e voltar a jogar, muito menos a primeira atleta. Porém, é a única com 23 Grand Slams na carreira. E em todos suas entrevistas, ela exalta a importância de estar de volta, apesar das dificuldades. Além disso, ela, e grande parte da mídia, acreditam que é possível a conquista de mais prêmios como estes.

Um outro grande exemplo usado na propaganda é o da atleta Caster Semenya. A sul-africana conquistou a medalha de ouro nos 800 m no mundial de Atletismo de 2009 em Berlim. Devido a seu desempenho, teve sua feminilidade posta em discussão e teve de se submeter a testes de gênero. Ela foi proibida de competir em diversas ocasiões, uma vez que apresenta um nível de testosterona mais alto do que o que seria “normal” para mulheres.

Dream Crazier – Sonhe loucamente

Se nós mostramos emoção, somos chamadas de “dramáticas”. Se nós queremos jogar contra homens, somos “malucas”. E se sonhamos com oportunidades iguais, “delirantes”. Quando apoiamos alguma causa, nós somos “desorientadas”. Quando somos muio boas, há algo de errado conosco. E se ficamos bravas, nós somos “histéricas”, “irracionais”, ou “estamos apenas louca”. Mas, uma mulher correr uma maratona? Era loucura. Uma mulher lutar boxe? Era loucura. Uma mulher dar uma enterrada? Loucura! Treinar um time da NBA? Loucura. Uma mulher competir com hijab, trocar de esporte, completar um double cork 1080 (manobra de snowboard), ou ganhar 23 grand slams, ter um bebê, e voltar para conquistar mais? Loucura, loucura, loucura, loucura e loucura! Então, se eles quiserem te chamar de louca, tudo bem. Mostre-os a loucura que você pode fazer.

Por trás da campanha

Há também rostos desconhecidos na propaganda. Em uma entrevista publicada pela própria marca no dia 22 de fevereiro, a vice-presidente da “Nike Woman”, Rosemary St. Clair, fala sobre a nova visão da empresa em relação ao esporte em geral, e especialmente para mulheres. Ela acredita que a Nike ampliou seus horizontes, ao acreditar na valorização não apenas de profissionais, mas também de toda mulher que pratica ou que deseja praticar uma atividade esportiva.

“Nós reconhecemos que as mesmas lições de auto-estima e confiança que vêm da participação em esportes tradicionais também vêm do yoga, fitness, fitness funcional e muito mais. Nós vemos habilidade sobre-humana não só em atletas de elite, mas nos esforços de nossos pares”, declarou Clair. “Queremos que todos participem do esporte – e não apenas de vez em quando, mas regularmente. E sabemos que, para apoiar o sonho, temos que conduzir uma conversa sobre uma variedade de desejos e necessidades.”

Para conduzir esta conversa, a Nike também pede para que as mulheres contem seus sonhos mais loucos relacionados ao esporte, através do website “Just do it”. Infelizmente, a interação deve ser feita em inglês. A empresa promete tentar ajudar as melhores histórias a se tornar realidade.

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