PAPO TÁTICO: Atlético de Madrid de Simeone é muito mais do que apenas um time com “cojones”; entenda

O Atlético de Madrid comandado pelo argentino Diego Simeone já foi tema de uma porção de análises táticas aqui na coluna PAPO TÁTICO. A equipe ganhou notoriedade depois do título espanhol de 2013/14 e o estilo brigador e intenso que levou os colchoneros para a final da Liga dos Campeões da UEFA na mesma temporada. Uma equipe com “cojones”, como se costuma dizer lá por aquelas bandas. Mas o time comandado por Simeone é muito mais do que isso. E a prova está na boa atuação coletiva do Atlético de Madrid na vitória por dois a zero sobre a Juventus de Cristiano Ronaldo nesta quarta-feira (20) pelas oitavas de final da Liga dos Campeões. Organização defensiva, intensidade e eficiência nas bolas aéreas são alguns dos (muitos) pontos fortes do time de Diego Simeone.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

A partida contra a Juventus e o reencontro com o algoz Cristiano Ronaldo fez com que o clima no Wanda Metropolitano se transformasse. A torcida empurrou o Atlético de Madrid em todos os momentos da partida. O 4-4-2 usual de Diego Simeone trazia Griezmann logo atrás de Diego Costa e a já conhecida compactação e intensidade nas transições bem ao estilo do treinador argentino. Do outro lado, a Juve se organizava num 4-3-3 bastante móvel nas suas ações ofensivas e com CR7 se revezando à esquerda e no comando de ataque com Mandzukic, Dybala armando o jogo a partir do lado do campo e Bentancur e Matuidi apoiando alternadamente pelos lados do campo. O primeiro tempo foi marcado pelo equilíbrio e pela concentração do time do Atlético de Madrid para bloquear as jogadas de ataque da equipe italiana.

Conheça a 1xBet:

Um novo jeito de fazer sua aposta esportiva!

A Juventus tinha mais posse de bola e tentava chegar ao gol de Oblak na base dos toques rápidos e da mobilidade do 4-3-3 proposto por Massimiliano Allegri. Mas o Atlético de Madrid se fechava bem no 4-4-2 de Simeone e resgatava o estilo brigador de 2014. Destaque para as boas atuações de Saúl Ñíguez, Rodri, Koke e Griezmann.

O estilo raçudo do Atlético de Madrid se fez presente na segunda etapa. Primeiro pelas substituições ousadas de Diego Simeone (Ángel Correa e Lemar nos lugares de Thomas Partey e Koke) que deixaram a equipe ainda mais rápida nos contra-ataques. E depois pela atmosfera criada no Wanda Metropolitano. Depois que Morata (substituto de Diego Costa) teve gol bem anulado pelo VAR, os torcedores colchoneros finalmente vibraram com os gols de Giménez e Godín em bolas levantadas na área da Juventus. Massimiliano Allegri tentou deixar seu time ainda mais ofensivo, mas a equipe italiana acabou sucumbindo diante da organização defensiva e do estilo “cojones” do Atlético de Madrid. A defesa se desdobrava, o meio-campo marcava e Oblak garantia as coisas debaixo das traves seguindo o mesmo roteiro de 2014.

Giménez e Godín marcaram os gols da partida na jogada de bola parada, um dos pontos fortes do Atlético de Madrid. A atmosfera no Wanda Metropolitano alida à garra da equipe ajudaram os comandados de Diego Simeone a superar a Juventus e obter boa vantagem nas oitavas de final da Liga dos Campeões.

A vantagem do escrete colchonero é considerável. Ainda mais quando o adversário terá que se virar para suprir a ausência do lateral brasileiro Alex Sandro (suspenso pelo acúmulo de cartões amarelos). Ao mesmo tempo, Simeone não terá Thomas Partey e Diego Costa no jogo de volta em Turim. Mesmo assim, a impressão que ficou da vitória sobre a Juventus é que o Atlético de Madrid está resgatando o estilo brigador e vibrante de 2014. Mas não pensem vocês que o time espanhol se resume ao estilo “cojones” de futebol. Existe organização defensiva, disciplina tática e entrega de todos os jogadores em campo. Até mesmo do francês Griezmann, grande estrela da equipe, que terminou o jogo no Wanda Metropolitano jogando aberto pela direita para ajudar o lateral Juanfran na marcação a Alex Sandro e Cristiano Ronaldo.

O Atlético de Madrid teve 36 por cento de posse de bola e finalizou cinco vezes ao gol de Szczesny num total de nove finalizações. Números que podem fazer você pensar que o time de Simeone foi dominado dentro de casa. Mas quem viu o jogo percebeu que a atmosfera criada pela torcida, a organização dos colchoneros e o estilo vibrante e brigador foram determinantes numa vitória importantíssima.

LEIA MAIS:

Atlético de Madrid x Juventus: assista aos melhores momentos da partida pela Champions League

Comemoração de Simeone contra a Juventus bomba na web e vira meme; veja

Opinião – Atlético de Madrid 2 x 0 Juventus: Vantagem construída na garra uruguaia