PAPO TÁTICO: Classificação do Atlético-MG não pode esconder os problemas da equipe; entenda

É lógico que o que mais importa nesse momento para o torcedor do Atlético-MG é o resultado e a classificação na Copa Libertadores da América. No entanto, a vitória por 3 a 2 sobre a não mais do que esforçada equipe do Danubio deixou claro que Levir Culpi ainda precisa corrigir muitos problemas na sua equipe. A começar pela defesa e pela marcação no meio-campo e chegando até às conclusões a gol. Levar quatro gols da equipe uruguaia em 180 é coisa demais para quem almeja uma vaga na fase de grupos. Ainda mais quando estamos falando de uma equipe que conta com jogadores como Igor Rabello, Elias, Cazares, Fábio Santos e o interminável Ricardo Oliveira, o grande nome do Atlético-MG mais uma vez. Dois gols e a liderança de sempre.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Bruno Cantini / Atlético-MG

O primeiro tempo do Atlético-MG na Arena Independência foi quase perfeito. Transições em alta velocidade (no melhor estilo “Galo Doido” de Levir Culpi), utilização de ligações diretas nos momentos certos, bom toque de bola e muita intensidade nos movimentos. Cazares era o maestro do 4-2-3-1 do Galo. Era o equatoriano quem distribuía o jogo no meio (contando com o auxílio de Elias) e municiava o trio ofensivo formado por Luan, Yimmi Chará Ricardo Oliveira. Vale destacar aqui mais uma boa atuação do camisa 9. Boa colocação na área e duas arrancadas fulminantes que resultaram em dois gols seus. O primeiro cobrando pênalti sofrido pelo mesmo Ricardo Oliveira e o segundo bela jogada que começou com o passe preciso de Cazares. Essa intensidade nos contra-ataques é uma das marcas das equipes de Levir Culpi.

Cazares tem a bola no meio e já visualiza quatro jogadores do Atlético-MG prontos para receber o lançamento ou o passe longo. O estilo “Galo Doido” de Levir Culpi é intenso, vertical e levou vantagem sobre um frágil Danubio. foto: Reprodução / FOX Sports Brasil

O vacilo de Patric no lance que originou o pênalti convertido por Grossmüller foi o início da queda de rendimento do Atlético-MG na partida. Por mais que o relaxamento da equipe com dois gols de vantagem seja natural (até certo ponto), a grande verdade é que os comandados de Levir Culpi perderam um pouco da intensidade apresentada nos primeiros 45 minutos. E não foi por melhora do Danubio no jogo. O time de Marcelo Méndez seguia se fechando em duas linhas na frente da sua área, mas deixando muitos espaços entre os setores. Cazares até buscava mais os lados do campo para ajudar na criação das jogadas de ataque, mas faltava velocidade e objetividade na hora de concluir a gol ou buscar o companheiro melhor colocado. Como o próprio Levir Culpi, o Atlético-MG perdeu força no meio e sofreu com isso.

O Danubio se fechava em duas linhas na frente da sua área, mas abria espaços entre seus setores. O 4-2-3-1 de Levir Culpi trazia Cazares se movimentando pelos lados para bagunçar a defesa adversária. Mas faltou intensidade na segunda etapa. Foto: Reprodução / FOX Sports Brasil

E aí chegamos no sistema defensivo do Galo, a grande dor de cabeça de todo torcedor atleticano e também da comissão técnica. Mesmo diante de uma equipe inferior tecnicamente e que não criou nenhuma grande chance além dos dois gols marcados, os comandados de Levir Culpi encontraram dificuldades. Principalmente na segunda etapa quando o nível da intensidade caiu e os jogadores começaram a “marcar com os olhos”. Faltou um pouco daquela movimentação mais constante e da marcação mais forte em cima do adversário. O frame abaixo mostra o exato momento em que Siles acerta belo chute de fora da área diante da linha quebrada do Galo. Faltou combate de Ricardo Oliveira, Elias, Adilson e Cazares nesse momento. Um gol que quase complicou as pretensões do time na Libertadores.

Siles tem tempo de receber o passe, ajeitar o corpo e desferir um chute no ângulo direito de Victor. O Atlético-MG não fez um bom segundo tempo na Arena Independência e por pouco não se complicou diante do não mais do que esforçado Danubio. Foto: Reprodução / FOX Sports Brasil

Alguns torcedores podem até chegar e dizer que ainda estamos na primeira metade do segundo mês do ano e que esse tipo de problema é natural. Este que escreve, no entanto, liga o alerta para dois velhos problemas das equipes de Levir Culpi. O primeiro é o estilo “Galo Doido” que exige muito dos atletas e os leva à exaustão no decorrer das partidas. Falta alguém que cadencie mais o jogo no meio em determinados momentos. E o segundo é o espaço entre os setores da equipe mineira. Tivesse o Danubio um pouco mais de qualidade, as coisas poderiam ter ficado ainda mais complicadas na Arena Independência. Jogadores como Guga, Jair, Iago Maidana e Maicon pedem passagem e podem ser mais utilizados pelo treinador atleticano até para poupar Luan, Ricardo Oliveira e Cazares.

O adversário da terceira fase eliminatória da Libertadores da América será o Defensor, também do Uruguai. Nenhum bicho de sete cabeças. Mas é uma equipe mais qualificada do que o Danubio e pode complicar a vida do Atlético-MG. Ainda mais com os problemas defensivos da equipe.

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