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PAPO TÁTICO: Fernandinho como “líbero” é a novidade do Manchester City de Guardiola

Pep Guardiola é daqueles treinadores que gostam de surpreender a todos numa escalação ou no posicionamento dos seus jogadores em campo. Nada é feito por acaso ou por “chute”. Tudo é pensado de forma a tirar o melhor de cada atleta nas partidas. E na vitória sobre o Arsenal por 3 a 1 neste domingo (3), no Etihad Stadium, o treinador tirou mais uma da cartola. Se o argentino Kun Agüero foi o nome do jogo (com três gols marcados e muita dor de cabeça para os comandados de Unay Emery), a novidade da vez o posicionamento de Fernandinho na última linha dos Citzens. O brasileiro da camisa 25 foi fundamental na saída de bola jogando como um “líbero” à moda antiga indo e voltando para armar o jogo e participar da recomposição defensiva.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / Fernandinho

Fernandinho já havia sido utilizado como lateral em algumas oportunidades, mas nunca como zagueiro. Na verdade, Guardiola fez com que sua equipe atacasse numa espécie de 3-4-3 e se defendesse num 4-1-4-1 com o camisa 25 se posicionando junto a Walker, Otamendi e Laporte. Mais à frente, Agüero tinha a companha de Sterling e Bernardo Silva pelos lados. E o trio Gündogan, De Bruyne e David Silva ainda se encarregava de qualificar o toque de bola no meio-campo e aparecer como opção ofensiva. Do outro lado, o Arsenal jogava num 4-4-2 em duas linhas com Lacazette e Aubameyang se movimentando muito para abrir espaços. Embora os Gunners tenham conseguido “cozinhar” o jogo em alguns momentos, a superioridade do City ficou logo evidente na primeira etapa com dois gols de um Agüero cada vez mais decidido.

Pep Guardiola escalou o Manchester City numa espécie de 3-4-3/4-1-4-1 com Fernandinho se revezando como zagueiro e como volante. O brasileiro tinha liberdade para sair jogando e foi determinante na boa atuação dos Citzens diante do Arsenal e do 4-4-2 de Unay Emery.

Mas a chave do City estava na dinâmica colocada por Fernandinho. Seja jogando entre Walker e Otamendi como terceiro zagueiro ou posicionamento mais à frente com Laporte fechando o trio defensivo, o camisa 25 fez o que quis na partida. Primeiro pela atuação quase perfeita quando o Arsenal estava com a bola. Quem via o jogo deve ter pensado que o brasileiro já estava acostumado a jogar naquele setor. Na segunda metade do primeiro tempo, no entanto, Fernandinho foi jogar quase como um líbero dos anos 1970, deixando a linha defensiva e se transformando num volante adicional junto a Gündogan. Dentro do jogo posicional de Guardiola, a função exercida dentro de campo tem muito mais importância do que a posição de origem. E dentro desse sistema de jogo, poucos são tão eficientes quanto Fernandinho.

Fernandinho (no destaque) deixa a linha defensiva e se junta a Gündogan, De Bruyne e David Silva para gerar superioridade numérica no meio-campo e auxiliar nas tramas ofensivas da equipe. A jogada do segundo gol do City saiu dos pés do brasileiro. Foto: Reprodução / ESPN Brasil.

A segunda etapa no Etihad Stadium foi mais um recital do Manchester City. O Arsenal simplesmente não conseguiu chegar ao gol defendido por Ederson. Nem mesmo com as entradas de Denis Suárez e Ramsey nos lugares de Iwobi e Kolasinac (e a mudança do 4-4-2 para um 4-2-3-1 com Aubameyang pela esquerda e o camisa 8 galês jogando mais por dentro) conseguiram dar jeito nos Gunners. E Fernandinho (jogando mais à frente quase como um volante) seguia distribuindo passes e organizando a saída de bola num City que parece cada vez mais disposto a conquistar o bicampeonato da Premier League. Além dele (e do argentino Agüero), vale destacar também as boas atuações de Laporte, De Bruyne, David Silva, Walker e Bernardo Silva. Guardiola segue com o time na mão e mostrou isso mais uma vez diante de um atônito Arsenal.

Agüero marcou três vezes e o Manchester City só não construiu uma goleada histórica porque o goleiro Leno apareceu fez grandes defesas. E Fernandinho seguia organizando as jogadas da equipe a partir da intermediária defensiva com muita eficiência e qualidade no passe.

O posicionamento e a boa atuação de Fernandinho na vitória deste domingo (3) só evidenciam como o brasileiro é importante no esquema tático do Manchester City. Sem ele em campo, o time tende a ficar extremamente frágil na defesa e sem muita qualidade na saída de bola, pontos já ressaltados pelo próprio Pep Guardiola em algumas ocasiões. Some a boa atuação do camisa 25 à categoria de David Silva e De Bruyne no meio-campo, à polivalência de Bernardo Silva e ao faro de gol de Kun Agüero e você terá uma equipe muito difícil de ser batida. O Arsenal de Unay Emery bem que tentou equilibrar o jogo na metade da primeira etapa, mas não demorou muito para que a defesa da equipe londrina se tornasse presa fácil para os Citzens. Foram 58,8% de posse de bola, 12 chutes a gol e 614 passes dados em toda a partida.*

Enquanto o Manchester City parte na caça ao Liverpool e ao bicampeonato da Premier League, este que escreve espera que parte da imprensa mude sua opinião com relação a Fernandinho. Trata-se de um grande jogador que, infelizmente, não teve sorte vestindo a camisa da Seleção Brasileira. Mas que segue fazendo maravilhas na Inglaterra e encantando ninguém menos que Pep Guardiola.

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* Dados do site oficial da Premier League.