PAPO TÁTICO: O acirrado duelo de ideias entre o Santos de Sampaoli e o Palmeiras de Felipão

Impossível não se lembrar da já histórica partida válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2014 entre o Chile de Jorge Sampaoli e a Seleção Brasileira comandada por Luiz Felipe Scolari ao vê-los na beira do gramado. Quase cinco anos depois do jogo no Mineirão (que foi decidido apenas nas penalidades), os dois treinadores voltaram a se encontrar neste sábado (23), no Allianz Parque, pelo Campeonato Paulista. E como não poderia deixar de ser, Sampaoli e Felipão foram os protagonistas de mais um duelo de ideias, estratégias e propostas de jogo no clássico entre Santos e Palmeiras. Como em 2014, a partida terminou empatada apesar das boas chances que as duas equipes tiveram durante os 90 e poucos minutos de futebol em São Paulo.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Ivan Storti / Santos FC

O primeiro tempo foi marcado pela armadilha que Jorge Sampaoli armou para Felipão. O treinador argentino escalou Copete na lateral, centralizou Yuri entre os zagueiros e espetou seus alas junto ao trio ofensivo. O seu 3-4-3 se reorganizava numa espécie de 3-2-5 em alguns momentos. Apesar de ter mais posse de bola e de controlar mais o jogo no meio-campo, o Peixe encontrou muitas dificuldades para furar o eficiente bloqueio defensivo do 4-2-3-1 do Palmeiras. Tanto que as chances mais claras foram da equipe comandada por Felipão. A melhor delas nasceu de jogada de Victor Luís da esquerda e na chance incrivelmente desperdiçada por Borja dentro da pequena área. Por outro lado, o Verdão apelava demais para as ligações diretas, ponto que escancarava a falta de criatividade da equipe.

Sampaoli armou o Santos numa espécie de 3-2-5 com muita presença ofensiva, mas com muitas dificuldades para furar o bloqueio defensivo do adversário. Já Felipão manteve seu 4-2-3-1 usual no Palmeiras e viu sua equipe perder grandes chances. A principal delas com Borja.

Felipão entendeu que precisava de mais força no meio-campo e trocou Moisés e Raphael Veiga por Bruno Henrique e Ricardo Goulart no segundo tempo. Com o time mais vertical e mais objetivo, o Santos teve que adotar mais cuidados defensivos. Mas Sampaoli não abriu mão do seu jogo ofensivo. Tanto que Jean Mota e Carlos Sánchez entraram nos lugares de Cueva e Diego Pituca para dar mais mobilidade ao meio-campo santista. Mas a armadilha havia mudado de lado. Era o time de Felipão quem controlava as ações apesar da clara falta de um homem mais criativo para pensar as jogadas. Weverton brilhou em chute de Matheus Ribeiro (a melhor chance do Peixe na partida) e Éverson protagonizou dois milagres em cabeçadas de Gustavo Gómez e Dudu. O empate acabou sendo o resultado mais justo.

Felipão trocou Raphael Veiga e Moisés por Ricardo Goulart e Bruno Henrique para deixar o Palmeiras mais vertical e mais objetivo no ataque. Sampaoli, por sua vez, fez trocas pontuais, mas viu o Santos sofrer com a pressão alviverde no final da partida no Allianz Parque.

Este que escreve teria assinalado a penalidade no lance em que a mão de Gustavo Gómez toca na bola após chute de Jean Mota. Bola fora da arbitragem que não apaga o que foi o clássico: uma partida disputada por duas grandes equipes comandada por dois grandes treinadores. Por outro lado, ainda há muito o que ser feito no Palmeiras e no Santos. Jorge Sampaoli precisa transformar a posse de bola e controle de jogo do seu time em gols. Apesar de jogar o futebol mais vistoso do país (junto com o Grêmio de Renato Gaúcho), o Peixe sofre com a falta de objetividade em alguns momentos. Já Felipão precisa reencontrar o jogo eficiente do ano passado, quando foi campeão brasileiro. A rodagem do elenco é compreensível pela maratona de jogos, mas a falta de um jogador de criação é evidente no elenco alviverde.

Santos e Palmeiras têm todas as condições de se transformarem nos grandes times do país em 2019. Ainda há muito o que ser feito dentro e fora de campo até pelo início da temporada. Mas em se tratando de Felipão e Sampaoli, não há outra coisa a se esperar senão grandes duelos táticos e um futebol bem jogado.

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