Conheça Zominha, o funcionário cuja história se confunde com a do Botafogo-PB há 33 anos

Há 33 anos, da arquibancada do Almeidão, em João Pessoa-PB, é possível ver, na beira do campo, um homem cujos poucos cabelos brancos não evidenciam seus quase 60 anos de idade. Seu nome de batismo é Ermirio. Ermirio de Souza Lima Filho. Mais conhecido como Zominha, apelido de infância cuja origem não recorda. Nascido em 12 de novembro de 1960, ele cresceu no José Pinheiro, bairro de Campina Grande-PB. Sonhava em ser jogador de futebol. Não deu. O casamento precoce lhe exigiu novas responsabilidades.

Elisa Marinho
Colaborador do Torcedores

Crédito: Nádya Araújo/ Ascom Botafogo-PB

“Eu comecei jogando na base do Campinense, lá tinha um massagista chamado Adalberto Lima. Eu casei e tinha que trabalhar, então comecei sendo auxiliar dele”, disse ao Torcedores.com.

Saiu do Campinense e foi para Alagoas. Dois anos depois, recebeu o convite para trabalhar no Botafogo-PB. Chegou ao clube pessoense em uma manhã de feriado, começo de maio de 1986. Desde então, Zominha nunca mais deixou o Botafogo-PB. Percorre da sua casa até o Almeidão um trajeto curto, três quilômetros apenas, caminho que faz todos os dias como se fosse a primeira vez.

Em 2019, Zominha verá a 16ª participação do seu time na Copa do Brasil, o Botafogo-PB é o clube que mais representou a Paraíba na competição. A equipe esteve, inclusive, na primeira edição do campeonato, em 1989, quando teve de enfrentar um dos gigantes do futebol brasileiro.

“O nosso adversário era o Cruzeiro, nós empatamos em Belo Horizonte por 0 a 0. No jogo de volta em João Pessoa ficou no 1 a 1. Foi um jogo muito difícil, nós estávamos ganhando e tomamos um gol nos acréscimos, mas fomos eliminados sem derrota”.

De acordo com Zominha, foram muitas as partidas memoráveis do Botafogo-PB na Copa do Brasil, como a de 1999, contra o Flamengo de Romário. O time da capital paraibana, aliás, é detentor de umas das mais marcantes derrotas do clube carioca, quando, em 1980, venceu o Rubro-negro comandado por Zico pelo placar de 2 a 1, em pleno Maracanã. Nessa época, Zominha torcia pela equipe carioca, seu time de infância. Porém, naquela tarde de domingo, 28 de fevereiro de 1999, o coração, ainda um pouco dividido, uma vez que sofrera com a eliminação, se deleitou ao ver Romário pessoalmente.

“Quem não queria ir para o estádio ver um jogador como Romário? Ele era incomparável, dentro da pequena área não tinha igual. Fez três gols aqui em João Pessoa, o jogo terminou 3 a 3. No Rio, nós perdemos por 2 a 1”.

A história do Botafogo-PB na Copa do Brasil também traz lembranças que Zominha gostaria de esquecer, como, por exemplo, o jogo contra o São Paulo, em 2001, quando o Belo perdeu por 10 a 0; ou a partida contra o Vasco, em 2006, quando foi goleado por 7 a 0. Águas passadas. Zominha gosta mesmo é de relembrar as grandes conquistas do Belo, como a de 2013, quando o time foi campeão brasileiro da série D, fato que ele destaca como uma de suas maiores alegrias.

Com relação à Copa do Brasil, Zominha diz estar confiante na participação do time este ano. Ele acredita que será maravilhosa. Seu otimismo já deu resultado. Na última quarta-feira (13), o Botafogo-PB venceu o Operário-MS pelo placar de 4 a 1 e avançou para a segunda fase da competição.

Seu amor pelo Belo empresta cor para sua existência. O Botafogo-PB lhe deu tudo. Passados 33 anos juntos, já não há mais como dissociar. A história dos dois se mistura e, por desejo de Zominha, ela seria eterna.

“Se eu voltar em outra vida, eu quero novamente ser massagista do Botafogo-PB”, diz.