Após ficar em pé na barra, torcedora do Grêmio reclama de machismo na Arena

Ao lado de outras amigas gremistas, a torcedora Amanda Angeli viveu uma situação constrangedora ao longo da partida do Grêmio pela Libertadores, contra o Libertad, na última terça-feira, na Arena. Ao subir em uma das barras em meio à torcida Geral, que fica atrás de um dos gols, ela foi “aconselhada” a descer por alguns torcedores homens e entendeu a atitude como um exemplo de machismo que persiste no futebol.

Eduardo Caspary
Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.

Crédito: Foto: Reprodução/Twitter

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Ela relatou o caso ao Torcedores.com:

“Eu não conhecia esses torcedores, acho que eram de outras organizadas. Eu não desci, permaneci o restante do jogo sentada em cima da barra, porque eles não queriam que eu ficasse em pé. Outros rapazes que estavam conosco, em solidariedade, desceram. Eles disseram que se nós não podíamos ficar na barra, eles também não. No primeiro tempo já ficaram mandando descer de forma extremamente arrogante e grosseira, mas eu fiquei”, disse.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Geral do Grêmio ao longo de toda a quinta-feira e ainda aguarda um posicionamento das lideranças. Segundo Amanda, representantes da torcida em cidades vizinhas de Porto Alegre disseram a ela que “não compactuam com esse tipo de atitude”.

“As discussões começaram mesmo no segundo tempo. Não queriam que nós subíssemos e outros rapazes que nos defendiam eram ameaçados. Depois de uns 10 minutos de jogo, um grupo de rapazes, que são os que aparecem no vídeo discutindo comigo e já chegaram com grosseria, mandando descer, dizendo que guria não era pra subir, por ser a ideologia da torcida e alegaram também o risco de queda, mas não solicitaram que nenhum rapaz descesse”, acrescentou Amanda.

Neste vídeo, que viralizou nas redes sociais, Amanda aparece “conversando” com torcedores que não queriam a sua presença ali:

 

Para Amanda, “a revolta com o caso não é diretamente com a questão de subir nas barras ou não, e sim com a forma que nos trataram, nos humilhando na frente de centenas de torcedores”. Ela lamenta que essa possa ser a realidade de outros estádios pelo Brasil.

“A gente questionava o porquê de mulher não poder subir, eles só diziam que não podia, sendo que em jogos anteriores eu estive ali no mesmo lugar, como no jogo contra o Tucuman e contra o Corinthians em 2018. Merecemos respeito dentro e fora de campo e isso faz toda a diferença. A única forma de evitar é resistindo e se unindo”, concluiu a gremista.

No Instagram, o Coletivo Elis Vive, que luta pela igualdade nos direitos das mulheres, saiu em defesa de Amanda e suas amigas e prometeu uma ação contra casos de machismo no futebol no domingo, antes do Gre-Nal, também na Arena – acompanhe o post abaixo:

 

 

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Lugar de mulher é onde ela quiser, sim, inclusive na barra da torcida que integra. Inacreditavelmente, hoje, dia em que devíamos estar exibindo alguma ação protagonizada pelo clube ou pelas torcidas organizadas, a exemplo de nossa ação junto às torcedoras gremistas no jogo de ontem e que estamos organizando para o Grenal no próximo domingo, passamos o dia assistindo  imagem escrota que só reforça o quanto ainda temos que caminhar na busca pelo respeito aos nossos direitos dentro da cancha, como torcedoras que somos. O Coletivo Elis Vive se solidariza com as manas que sofreram essa agressão na arquibancada norte ontem e nos disponibilizamos para que juntas, todas as torcedoras das organizadas e coletivos gremistas, possamos mudar essa situação. Já passou da hora de unificarmos a luta contra o machismo e a misoginia dentro dos estádios. Uma atitude por parte do departamento da torcedora e da torcedor gremista é o mínimo que esperamos e, se for necessário, estamos dispostas a cobrar isso da direção do nosso Grêmio. Lugar de mulher é na torcida, na direção, dentro do campo ou onde ela quiser. Chega de machismo. Chega de preconceito. Domingo, a partir das 14h, estaremos distribuindo o material que ontem já divulgamos e expomos abaixo. Convidamos todas as mulheres que queiram se integrar à nossa ação ou ainda agregar outras pautas, a se juntarem a nós. Estaremos divididas nas rampas de acesso à Arena. Não nos calarão. Não nos impedirão de subir na barra. A Arena é de todas e todos nós. #8M2019 #ChegaDeMachismo #LugarDeMulherÉondeEcomoElaQuiser #ÉpelaVidaDasMulheres

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