Dia Internacional da Mulher: relembre dez atletas brasileiras que revolucionaram o mundo esportivo

Sexo frágil? Que nada! Elas surgiram para provar que sim, a famosa frase “lugar de mulher é onde ela quiser” é totalmente verdade, inclusive no esporte.

Nathalia Kanashiro
Colaboradora no torcedores.com desde fevereiro de 2019. Carioca. Estudante de Jornalismo pela Faculdade Anhanguera de Niterói. "A única maneira de fazer um bom trabalho é amando o que você faz. Se você ainda não encontrou, continue procurando. Não se desespere. Assim como no amor, você saberá quando tiver encontrado." Steve Jobs

Crédito: Divulgação/Facebook Oficial Marta

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Anos atrás, a mulher não podia se quer assistir alguma competição. Caso desrespeitasse a lei, ela era punida com a morte. A introdução das mulheres no esporte foi pela ginástica, para que elas se preparassem para gravidez. Só depois da participação em olimpíadas que as mulheres conseguiram mostrar sua força e talento no esporte.

Já foi o tempo que lugar de mulher era na cozinha, se é que um dia foi só isso. As mulheres ganharam espaço, respeito e muita admiração. No mundo esportivo não é diferente, elas lutaram por mérito e conseguiram. Hoje, na era do “empoderamento feminino”, esses nomes são referência para quem está buscando o seu espaço no universo do esporte.

Maria Lenk (15/01/1915 a 16/04/2007)

Maria Lenk – Foto: Reprodução/Internet

É quase impossível que alguém nunca tenha ouvido falar sobre essa lenda da natação brasileira. Maria Emma Hulga Lenk Ziegler, ou apenas Maria Lenk, é a única atleta brasileira que esta no hall da fama de natação. Ela foi a primeira sul-americana a competir em uma Olimpíada, a de 1932. Com apenas 17 anos, Maria Lenk já era uma atleta profissional.

Em 1939 a atleta bate os recordes mundiais dos 200 m e 400 m nado de peito. Era a mais cogitada a ganhar o ouro olímpico em 1940, mas devido a Segunda Guerra Mundial o evento foi cancelado. Maria Lenk deixou as piscinas em 1942 para fazer história em outro lugar. Ela ajudou a fundar da Escola Nacional de Educação Física, da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.

Se engana quem pensa que ela parou por aí. Depois da aposentadoria, Maria Lenk retorna as piscinas para competir na categoria master. No campeonato mundial da categoria 85-90 anos, em agosto de 2000, ela voltou de Munique com cinco medalhas de ouro. Maria Lenk nunca abandonou as piscinas, nadou até seus últimos dias de vida, quando tinha 92 anos.

Maria Esther Bueno (11/10/1939 – 8/06/2018)

Maria Esther Bueno – Foto: Reprodução Internet

Mais uma lenda do esporte para ser lembrada. Maria Esther Bueno foi a tenista mais vitoriosa na história do Brasil. A “bailarina”, como ficou conhecida, chegou a ser número 1 no ranking mundial por quatro temporadas  (1959, 1960, 1964 e 1966) e conquistou 19 títulos de Grand Slam, sendo onze em duplas, sete na categoria individual e um em duplas mistas. Entre tantos outros da sua carreira.

A tenista teve seu nome incluido no hall da fama do tênis em 1978, logo após anunciar sua aposentadoria. No mesmo ano, uma estátua de cera no famoso museu londrino Madame Tussaud foi feita em sua homenagem. Ao todo, foram 589 títulos internacionais. Foi eleita a melhor tenista do século 20 da América Latina.  Seu nome está no Livro dos Recordes: na final do US Open de 1964, contra a americana Carole Caldwell Graebner, Maria Esther venceu a partida em apenas dezenove minutos.

Hortência Marcari

Hortência Marcari – Foto: Divulgação/CBB

Hortência de Fátima Marcari Oliva, mais conhecida como Hortência Macari, foi a maior pontuadora na história da seleção brasileira com 3.160 pontos marcados em 127 partidas oficiais. Média de 24,9 pontos/partida. Hortência quase desistiu do esporte devido a dificuldades financeiras. Só depois de conhecer Waldir Pagan, professor do colégio que ela estudava e técnico da seleção feminina que as coisas começaram a melhorar.

Foi através do projeto da Secretaria de Esportes “Adote Um Atleta” que Hortência conseguiu seguir sua carreira. Ela foi aceita no projeto e ganhou a Caloi como patrocinadora. Determinada, Hortência foi crescendo no meio esportivo e ganhando destaque cada vez mais. Nos anos 80, foi considerada a atleta de maior evolução/destaque de todas as modalidades esportivas, no Brasil e na América do Sul (PBF, 2004). No mesmo período, jogando pela Seleção Brasileira, ela conquistou 2 titulos sul-americanos, Bronze no Panamericano de Caracas, Prata no Panamericano de Indianápolis e Vice-Campeã da Copa América de 1983.

Suas maiores conquistas foram o Campeonato Mundial de 1994 e a medalha de prata nos Jogos Olímpicos de 1996. Hortência era tão boa no basquete que mesmo após ter se aposentado em 94, foi convocada novamente para jogar em 96, quando voltou e se aposentou definitivamente. Ela é a primeira atleta brasileira a ter seu nome incluso no Hall da Fama do Basquetebol em Massachussets, EUA. Em 2002 também foi para o Hall da Fama do Basquetebol Feminino em Tenessee. E em 2009 ela entrou para o Hall da Fama mundial do basquetebol, o Hall da FIBA em Madri na Espanha.

Atualmente, Hortência é empresaria, palestrante e faz parte do time de ouro da Rede Globo.

Maurren Maggi

Maurren Maggi – Foto: Reprodução Internet

Quando o assunto é voar, ela chega muito perto! A saltadora e velocista Maurren Maggi se tornou o maior nome do atletismo feminino do Brasil ao ganhar a medalha de ouro no salto em distância dos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008, saltando 7,04 metros. Com uma carreira de mais de 20 anos, ela é recordista brasileira e sul-americana do salto em distância – 7,26 m. Também é tricampeão pan-americana (winnipeg 1999, Rio 2007 e Guadalajara 2011) na mesma prova.

É também recordista sul-americana dos 100 m com barreiras, com a marca de 12s71, que obteve em 2001, e já foi recordista sul-americana do salto triplo, com 14,53 m, em 2003. E muitas outras conquistas.

Maggi conquistou por duas vezes o primeiro lugar no ranking mundial do salto em distância feminino, em 1999 e 2003. Sua história no atletismo começou na adolescência, quando foi descoberta pelo seu técnico Nélio Moura. Em seu melhor momento na carreira a atleta foi acusada de doping, mas no Brasil foi absolvida pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva da Confederação Brasileira de Atletismo, porém o Comitê Olímpico Internacional manteve a condenação.

Depois de um período mais caseiro e longe do esporte, Maurren retorna para o atletismo em 2007 e conquista novos títulos para a carreira. Ganhou medalha de ouro no Campeonato Sul – Americano de Atletismo em São Paulo, em 2008 chegou às Olimpíadas de Pequim e ali fez história ao conseguir ser a primeira brasileira a conquistar o ouro no salto e em uma modalidade individual.

Maggi encerrou a carreira em 2015, e passou a atuar como comentarista de atletismo na televisão, sendo, deste modo, uma das mais requisitadas e a mais respeitada atleta de todos os tempos no Brasil.

Hélia Souza – Fofão

Hélia Souza – Foto: Reprodução/Internet

Popularmente conhecida como “fofão”, a jogadora de vôlei entrou na seleção brasileira em 1993, mas na reserva. Só em 1998, no  Grand Prix, quando a titular Fernanda Venturini resolveu não participar que então a atleta teve a sua chance, ela liderou a equipe e o Brasil conquistou a terceira medalha de ouro na competição, com uma vitória em cima da Rússia por 3 a 0.

Fofão se tornou titular em 1999, depois da aposentadoria de Fernanda. Com a nova titular o Brasil ganhou a medalha de prata do Grand Prix de 1999, ouro nos Jogos Pan-americanos de Winnipeg e no mesmo ano medalha de bronze nas Olimpíadas de Sydney. Foi eleita a melhor levantadora nas três competições. Em 2008 conquistou o maior título em sua carreira, foi campeã Olímpica em Pequim.

Hoje fofão se dedica a projetos pessoais e profissionais.

Daiane dos Santos

Daiane dos Santos – Foto: Divulgação

Uma das ginastas mais queridas do Brasil, Daiane dos Santos começou na vida de atleta aos 11 anos de idade, quando a professora Cleusa de Paula a encontrou. Daiane estava brincando em uma praça em Porto Alegre e chamou a atenção de Cleusa. Em 2003 a ginasta já estava com mais experiência no esporte e entrou para a história do Brasil ao se tornar a primeira brasileira a conquistar uma medalha de ouro no Mundial de Ginástica, disputado em Anaheim, na Califórnia, EUA.

Ainda no mundial, Daiane criou junto com seu técnico ucraniano Oleg Ostapenko, o salto “duplo twist carpado”. O movimento consiste em um salto em que a atleta gira em torno de si (twist) e depois dá um mortal duplo, o movimento foi batizado com seu nome, “Dos Santos”.

Daiane é uma ginasta renomada no meio esportivo, com grandes conquistas na carreira. Daiane foi a primeira ginasta brasileira a conquistar uma medalha de ouro em uma edição do Campeonato Mundial.

Marta

Marta – Foto: Reprodução Internet

Rainha do futebol brasileiro, Marta foi eleita em 2019 uma das mulheres mais poderosas do Brasil pela revista Forbes. A jogadora foi eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo pela Fifa (Federação Internacional de Futebol). Foi Bola de Ouro em 2004 e em 2007 foi Bola de Ouro e Chuteira de Ouro. Atualmente, joga pelo Orlando Pride, dos Estados Unidos.

Quando o assunto é a artilharia, Marta tira “de letra”. Ela se tornou a maior artilheira da história das Copas do Mundo de Futebol Feminino, marcando 15 gols. A maior goleadora da história da seleção brasileira, incluindo os homens na contagem é a Marta, com 100 gols. Ela é considerada a maior futebolista de todos os tempos.

Cristiane Justino – Cyborg

Cristiane Justino – Cyborg – Foto: Divulgação/Twitter Cris Cyborg

Mais conhecida como Cyborg, a lutadora de MMA (Artes marciais mistas, na sigla em inglês), já foi uma das  mais temidas do planeta durante anos. Além de ser considerada por muitos especialistas como a maior lutadora de MMA de todos os tempos. Cyborg conquistou o cinturão do peso pena em 2013, e defendeu até 2018, quando perdeu o cinturão para a lutadora Amanda Nunes.

Maya Gabeira

Maya Gabeira – Foto: Divulgação/Facebook Maya oficial

A surfista carioca é conhecida por estar sempre atrás das maiores ondas do mundo. Maya foi até lugares que surfistas mulheres não eram tão comum, como no Brasil, Havaí, Alasca, África do Sul e outros. Foi nesses lugares que Maya provou seu talento e foi considerada a melhor big rider (denominação para o surfista de ondas gigantes) do mundo durante vários anos.

Suas grandes conquistas são:

  • Primeira mulher a surfar no Alasca;
  • Primeira mulher a surfar na praia de Teahupoo, no Taiti;
  • Primeira mulher a surfar na praia de Ghost Tree, na Califórnia;
  • Pentacampeã na categoria Melhor Performance Feminina do Billabong XXL Awards (premiação mais importante da categoria);
  • Vencedora do prêmio ESPYS (o Oscar dos surfistas de ondas grandes).

A surfista chegou a sofrer alguns acidentes no mar. Um deles foi em uma pequena cidade no Oeste de Portugal, Nazaré, onde quase perdeu a vida. O acidente foi em uma onda de 25 metros de altura que a deixou longe do surf por dois anos. Após a recuperação das cirurgias que precisou fazer, Maya voltou para as ondas, divide seu tempo entre Brasil e Havaí e se tornou um grande exemplo de superação.

Rafaela Silva

Rafaela Silva – Foto: Divulgação/Twitter Rafaela Oficial

A judoca Rafaela Silva entrou para história ao ser a primeira brasileira campeã mundial de Judô, em 2013. Nas Olimpíadas de 2016, Rafaela conquistou  a medalha de ouro da categoria até 57Kg, após derrotar a judoca da Mongólia, Dorjsürengiin Sumiyaa, então líder do ranking mundial. Com isso, se tornou a primeira atleta da história do judô brasileiro, entre homens e mulheres, a ser campeã olímpica e mundial.

Rafaela cresceu em uma favela do Rio, Cidade de Deus. Começou no esporte jogando futebol, até seus pais colocarem ela em aulas de Judô, com sete anos de idade. Em 2008 Rafaela ganhou uma das etapas da Copa do Mundo de judô, se tornando campeã mundial sub-20.

A judoca coleciona títulos na carreira, sempre superando os desafios, já ganhou a medalha de prata na categoria até 57 kg nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara, no México, em 2011. foi vice-campeã mundial adulta em Paris 2011, com apenas 19 anos. A carreira da atleta conta com mais vitórias do que derrotas. Um exemplo de perseverança para quem está começando agora.

“Quando as pessoas falam que eu não sou capaz de fazer alguma coisa eu vou lá e faço, só para mostrar para mim mesma que sou capaz. Eu sou assim no esporte e na vida”, diz Rafaela.

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