Em clima de tristeza, torcedores perguntam: Como será a fusão entre Red Bull Brasil e Bragantino?

Desde que foi anunciada a parceria entre Red Bull Brasil e Bragantino, torcedores dos dois clubes estão bastante preocupados. Há muitas perguntas e, por enquanto, poucas respostas. Afinal, como será o novo clube?

Adriano Oliveira
Colaborador do Torcedores

Crédito: Facebook oficial Red Bull Brasil

A parceria parece ser um negócio viável para Red Bull Brasil e Bragantino. Haverá dinheiro para formar um bom elenco, planos para remodelação ou construção de um novo estádio e um Centro de Treinamento. Além do maior objetivo que é disputar a Série A do Campeonato Brasileiro em 2020, já que a franquia brasileira da marca de energéticos é a única, entre as franquias mundiais, que não disputa a elite do futebol em seu país. Ainda assim, existe um misto de tristeza e apreensão entre os torcedores das duas equipes.

Em matéria publicada pelo site “ESPN.com.br”, o anúncio do projeto pode até apresentar muitas vantagens, mas ainda não é conhecido a fundo, tampouco é consenso e nem agrada a todos. Boa parte das duas torcidas ainda não entendeu ao certo o que vai acontecer e como será o Red Bull Bragantino.

Embora a sede oficial seja em Jarinu, o Red Bull Brasil sempre mandou seus jogos no estádio Moisés Lucarelli, em Campinas, que pertence à Ponte Preta (o aluguel custa algo em torno de R$ 1 milhão por ano). Mesmo com a forte concorrência na mesma cidade com os torcedores de Ponte Preta e Guarani, há muitos relatos de tristeza com a saída do time. E fica a pergunta: “O que dizer agora aos filhos”?

Facebook oficial Red Bull Brasil

Para Cleber Alves, de 38 anos, que chegou do sul do país à Campinas e adotou como time o RB Brasil, “houve total falta de respeito” com o torcedor.

Hoje, o que digo para os meus filhos? (…) Eles não entendem o porquê. O adulto ainda consegue entender, mas as crianças não. Ontem, um deles me perguntou ‘nunca mais vai ter jogo do Red Bull pai, acabou?’ É complicado, quando se cria expectativas, e o clube vai embora“, se lamenta Alves.

Há torcedores que se sentem desconfortáveis em relação ao uso do nome e uniforme do Bragantino. Para muitos, isso fere a identidade do clube. “Vai ser ótimo jogar a Série B, o time vai crescer (…) Mas vai ser esquisito ver o time ali. Você vai saber que seu time está em campo, mas não está carregando suas cores, nem sua camisa“, declara outro torcedor que, embora corintiano, acompanha e tem muito carinho pelo “Toro Loko”, como é chamado pela torcida o RB Brasil.

Distante 67 quilômetros dali, em Bragança Paulista não é diferente. Aliás, o sentimento de dúvida e preocupação é ainda mais acentuado, já que a torcida é muito mais fanática pelo time da cidade.

Facebook oficial CA Bragantino

Um dos casos mais emblemáticos é o de Roberto Dias, 61 anos, conhecido em Bragança como Beto Leão. Ele atua há 36 anos como mascote do clube em dias de jogos (vestido de leão) e seu avô, José Assis Gonzales, foi o primeiro presidente do Bragantino. Questionado se a partir de agora ele seria o “Beto Toro”, Dias respondeu ao “ESPN.com.br”: “Essa pergunta é uma sinuca de bico. Sou conhecido há muitos anos como Beto Leão, não me vejo com outro nome“. Ao lado dos filhos, também fanáticos pelo Braga, Beto Leão vê com bons olhos a nova empreitada, mas ressalva: “Só não podem mudar o nome e as cores“.

A longevidade do clube é outro assunto que mexe com muitos torcedores, sinal de que o sentimento pelo Bragantino, que tem 91 anos de história, está enraizado na cidade.

A gente tem torcedor fanático, de 80 anos de idade, que não entende essas modernidades. Tá todo mundo com medo de o Bragantino acabar, mudarem o escudo, sabe-se lá“, resmunga Laércio Tarciso da Silva, de 57 anos, dono de uma tradicional padaria na cidade, que é ponto de encontro dos apaixonados pelo Massa Bruta, como o time também é conhecido. Laércio, inclusive, é um antigo colaborador do clube. Ele diz ao site da ESPN que chegou a fornecer refeição para os trabalhadores na época da construção do estádio Nabi Abi Chedid e também para jogadores em viagens.

Foi tudo assim, do dia para a noite (…) Eu queria que a Red Bull viesse e esclarecesse tudo de uma vez, como é que vai ser“, pede o comerciante e fanático torcedor.

Instagram oficial CA Bragantino

Há quinze dias, quando o Red Bull Brasil ainda estava negociando a compra ou parceria com Oeste, Paulista e Bragantino, o clube de Barueri era o mais cotado para um desfecho positivo. Porém, na terça (26), a marca de energéticos anunciou oficialmente a aquisição do Bragantino por R$ 45 milhões, em negócio que inclui a fusão dos dois clubes, a compra de todos os jogadores e já disputar neste ano a Série B do Campeonato Brasileiro em seu lugar (o Bragantino conseguiu o acesso no ano passado ao lado de Operário-PR, Botafogo-SP e Cuiabá-MT). No entanto, como a tabela e o regulamento da competição já estão prontos e não há possibilidade de alterações, o Red Bull Bragantino terá que jogar em 2019 com o nome e o uniforme do time alvinegro.

Segundo informa Jorge Nicola em seu blog no “Yahoo!”, o atual presidente do Bragantino, Marquinho Chedid, que deixará de administrar o futebol da nova agremiação, disse em entrevista recente que aceitou a oferta do Red Bull Brasil para “evitar o risco de ver o clube falir em um futuro próximo”, uma vez que existem cerca de R$ 40 milhões em dívidas que também serão assumidas pela empresa.

Os dirigentes, de ambos os lados, prometem esclarecer todo o projeto da parceria e do nascimento do Red Bull Bragantino no mês de abril. Até isso acontecer, os torcedores continuarão preocupados. Ou, como se diz no interior, com a pulga atrás da orelha.

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