Entenda o surf e as manobras que deixam todo mundo de queixo caído

Muitas pessoas admiram o surf por seu estilo irreverente e pelas manobras arriscadas. Aprofundar-se no esporte, porém, pode parecer complicado. Escutar expressões como “layback”, “cutback”, “rasgada” e “tubo” podem assustar um pouco aqueles que assistem as narrações tentando entender um pouco melhor sobre o esporte. Mas, como entender as manobras desse esporte que tanto cresce no Brasil? O Torcedores.com separou algumas dicas para você nunca mais ficar sem entender nada sobre o assunto:

Aline Simon
Colaborador do Torcedores
Mateus Herdy

Crédito: Mateus Herdy at the Burton Automotive Pro (@WSL / Tom Bennett)

Manobras

As manobras consistem nos movimentos que os atletas realizam nas ondas e normalmente, se relacionam com os movimentos de “ir e vir”. Confira as principais manobras:

1. Tubo

O tubo é, para a maioria, a melhor manobra que uma onda pode proporcionar. Nesta manobra, o atleta fica praticamente debaixo de água, entrando em um tubo formado pela onda ao se quebrar. De acordo com o Recifes.com, executar corretamente esta manobra não é tarefa fácil: se a prancha acelerar demais, o tubo pode ficar para trás; se acelerar de menos, o surfista é “engolido” e a sua execução comprometida. Para reduzir a velocidade, existem duas técnicas essenciais: aumentar a pressão no pé posicionado na parte de trás da prancha e colocar uma das mãos na parede da onda. Acelerar torna-se mais difícil porque, para além de aliviar a pressão do pé de trás, o surfista tem que fazer um zigue-zague curtinho no meio da onda.

Miguel Tudela of Peru advances to the quarterfinals after finishing second in round 5 heat 3 at the WSL 2019 Volcom Pipe Pro at Pipeline, Oahu, Hawaii, USA

2. Rasgada

O surfista joga a rabeta (parte de trás) da prancha para a frente e vira o corpo para a onda, forçando o pé de trás para espirrar o máximo de água possível. Quanto maior a velocidade, mais pontos essa manobra pode atingir.

Mignot parecia pronto para um grande resultado depois de entregar uma virada inicial no dia da Final eliminando a semente No. 1.
Crédito: WSL / Abraham

3. Batida do lip

As batidas são manobras bastante utilizadas e valem muitos pontos nos campeonatos de acordo com a radicalidade com que são executadas. O surfista bate com a parte de baixo da prancha no lip, na crista da onda. Para se manter equilibrado na descida, o surfista deve distribuir o peso sobre os seus pés. Se a face da onda não estiver vertical o suficiente, uma grande curva sobre a parte plana da onda é necessária para, então, retomar a manobra.

4. 360º

Esta manobra é de difícil execução e exige muita técnica. O surfista efetua uma volta completa sobre si mesmo, girando em 360°. É realizada como se fosse uma batida, porém, é completada pelo lado contrário, ou seja, pelo lado da espuma e não pela face da onda, segundo o site Recifes.com.

Jadson Andre (BRA) finishing runner-up at the Burton Automotive Pro, Merewether.
Credit: © WSL / Tom Bennett

5. Cut back

Esta é a manobra mais clássica do surf. De acordo com o Recifes.com, o cut back é uma manobra em que o atleta volta na direção contrária da onda e depois regressa na direção normal. Quando o surfista acelera demais, é necessário que faça uma meia volta para acompanhar a velocidade da onda. A técnica do cut back envolve fases de back side e front side, além de uma boa noção de tempo e espaço.

Alonso Correa em Señoritas (Rommel Cruz)

6. Aéreo

O aéreo é nada mais, nada menos, que um “voo” sobre a onda. É necessário que puxe a prancha com uma ou com as duas mãos. Existem muitos outros tipos de movimentos aéreos, mais acrobáticos, como o rodeo clown – um looping fora da água –, inventado pelo hexacampeão mundial Kelly Slater.

2018 Rookie of the Year Caroline Marks of USA Credit: © WSL / Poullenot

7. Floater

Esta manobra é utilizada para passar a onda que irá quebrar à frente do surfista, que, por sua vez, deve passar por cima da espuma como se estivesse a flutuar sobre a mesma, mantendo-se assim até atingir a face aberta da onda. Segundo o Recifes.com, quando a onda começa a fechar-se, o surfista procura a crista, desliza sobre a espuma e volta para a onda. Esta manobra é muito parecida com aquela que os skatistas fazem em corrimãos de escadas. Para realizar esta manobra, é necessário que o surfista ganhe velocidade e, na hora de “saltar”, levante o corpo, reduzindo a pressão da prancha contra a água.

Kelly Slater (USA)
Credit: © WSL / Matt Dunbar

8. Grab rail

Para executar esta manobra, o surfista deve colocar a mão na borda da prancha para fazer um back side, ou seja, um movimento com as costas voltadas para a parede da onda.

9. Cavada

Nesta manobra, o surfista faz uma curva na base da onda para conseguir mais velocidade e depois vai na direção da crista. A cavada tanto pode ser realizada debaixo da onda, subindo depois o surfista para realizar uma manobra de back side, em que está de costas para a parede da onda; ou de front side, quando o surfista está de frente para a parede.

Você conhece o canal do Torcedores no Youtube? Clique e se inscreva

10. Duck dive

Este movimento consiste na técnica de mergulhar por baixo da onda com a prancha. O surfista coloca um ou ambos os joelhos sobre a prancha, estica os braços e levanta a cintura acima da prancha e da água, o mais possível. Quando a espuma passar, cola o corpo à prancha.

11. Layback

“É quando tá cheio de gata na praia e você quer fazer alguma coisa só pra impressionar”, segundo o surfista Michael Rodrigues.
O layback não é uma manobra propriamente dita. É algo mais como uma variação aprimorada de outras manobras. Em seu surgimento, considerava-se o layback como um movimento progressivo, tanto que saiu de moda por algum tempo e voltou com força ultimamente cada vez mais radical, mas sempre mantendo aquela estética old school. A sacada é que o layback é na verdade uma quebra da linha, porque o tronco e os braços não seguem a rotação das pernas e da prancha. Pra isso, o braço de trás vira uma espécie de âncora, invertendo o sentido da rotação do tronco, enquanto o braço da frente sobe acima da cabeça para manter o equilíbrio do surfista, que literalmente deita na parede da onda. Renan Rocha e Michael Rodrigues ensinam de maneira divertida o passo a passo para mandar uma batida com layback:

Michael Rodrigues ainda reforça que, para retornar, não é preciso fazer uma força demasiadamente grande no abdômen. O segredo, para ele, está em entrar com velocidade na manobra e, depois, a espuma da onda faz o serviço e ajuda o surfista a se reerguer na prancha.

WSL 2019: TUDO QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE AS MUDANÇAS PRA ESSE ANO