‘Expulsão’ de shoppings, saudade do churrasco e especialista em pênaltis: brasileiro conta como é jogar na Arábia Saudita

Trocar o futebol brasileiro pelo árabe nem sempre é uma decisão tão fácil quanto pode parecer, mesmo com a questão financeira envolvida. O Torcedores.com conversou com o zagueiro Alemão, que no meio do ano passado trocou o Avaí pelo Al-Hazm, da Arábia Saudita. O jogador contou sobre a temporada que está fazendo e as diferenças e dificuldades que enfrenta em outro país com uma cultura não diferente da cultura do Brasil.

Danielle Barbosa
Colaboradora do Torcedores.com.

Crédito: Reprodução/Instagram

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Segundo dados do site ‘oGol’, Alemão soma mais de 20 jogos e quatro gols nesta temporada, se consolidando como um dos principais jogadores da equipe. “A temporada aqui está sendo muito produtiva e muito positiva também. Comecei a temporada bem, depois acabei dando uma oscilada natural pelo estilo de jogo, adaptação, clima e tudo mais, mas agora eu estou conseguindo manter uma regularidade muito boa. Tenho quatro gols na liga já e só fiquei fora de um jogo pelo terceiro cartão amarelo. Tenho conseguido manter uma regularidade boa, tanto individual como o time também vem jogando bem e evoluindo bastante. Então, está sendo bem produtiva e positiva temporada aqui”, avalia o zagueiro.

Divulgação/Assessoria

Dos quatro gols marcados, três foram em cobranças de pênaltis, algo que tem se tornado uma das especialidades do ‘xerife’ brasileiro, que promete aperfeiçoar ainda mais a habilidade de bater penalidades. “É uma coisa que eu procuro o treinar, pelo menos, dois dias na semana. Nunca me inspirei em ninguém especial para bater pênalti, mas desde pequeno gostava de bater pênalti, só que nunca tinha oportunidade. Eu comecei jogando em times que já tinham batedores de pênalti, e geralmente quem bate pênalti é atacante ou meia que, teoricamente, tem mais qualidade. Na temporada de 2016, com Claudinei (Oliveira), no Avaí, eu comecei a treinar e tive a oportunidade de bater na Copa do Brasil de 2017, contra Luverdense. Eu converti e a partir dali comecei ser segunda opção, atrás do Marquinhos. Cheguei aqui no Al-Hazm e continuei treinando, o treinador viu que meu aproveitamento era bom e conversou comigo, perguntou se eu já tinha batido o pênalti em outros clubes. Eu falei que sim e a partir desse momento eu comecei a ser o primeiro batedor junto com o colombiano (Fredy Pajoy) que tem aqui.

É uma coisa que eu procuro tem bastante calma. Tem que ter bastante sangue frio porque hoje os goleiros estudam muitos os batedores, então a gente tem que ser procurar variar a batida e tentar retardar o máximo para ver o movimento do goleiro. É algo que eu procuro treinar bastante com o goleiro do nosso time para me aperfeiçoar cada vez mais”, garante.

Alemão relembrou os primeiros dias na Arábia Saudita e contou alguns dos ‘perrengues’ que passou, justamente, por causa da diferença cultural do novo país. “O que mais me chamou atenção foi um dia que e eu mais os dois brasileiros que tem aqui, o Muralha e o Rodolfo, fomos dar uma volta no shopping e chegou o segurança falando que a gente não podia ficar no shopping de shorts porque só era permitida a entrada de calça, então nós, praticamente, fomos expulsos do shopping e tivemos que sair.

E teve uma outra vez que a gente foi em um shopping de uma cidade vizinha e também fomos expulsos porque ali era um local só para famílias, só podia entrar casais ou mulheres com filho, só o homem não poderia entrar. E tem a cultura deles, né, que as mulheres aqui usam o véu preto e algumas não mostram nem os olhos. É muito diferente, mas é um país que acolhe e recebe muito bem as pessoas do mundo todo, até porque é um povo muito carente”.

Reprodução/Instagram

Nascido em Santo Ângelo, no Rio Grande do Sul, o zagueiro de 28 anos também falou sobre a saudade do Brasil e da comida brasileira, principalmente, do churrasco – parto típico tradicional no Sul do país. Apesar disso, Alemão garante que consegue se virar bem para manter a alimentação e alguns costumes brasileiros.

“A gente sente bastante falta, pelos costumes que são aqui, que é muito diferente do Brasil, mas tem a falta das amizades e da família também… então a gente sente bastante saudade do Brasil. A parte mais estranha da comida é que não tem churrasco. É só com bolinho de carne ou espetinho de frango. Eu como sou do Rio Grande do Sul, não tem o churrasco tradicional aqui, e é a comida que eu mais sinto falta. Mas a gente vai se virando, minha família veio para cá e meus pais trouxeram algumas coisas, como feijão. A gente procura fazer sempre a comida brasileira aqui, mas nem sempre se acha a carne como no Brasil, os pedaços são pequenos, tipo bife, e não se consegue achar um pedaço de carne inteira aqui, ainda mais a minha cidade, que é uma cidade pequena. Mas a gente procura e às vezes não tem a coisa com o mesmo nome do Brasil, mas dá para se virar bem aqui”, destaca.

Reprodução/Instagram

Além de Alemão, outros brasileiros seguem carreira na Arábia Saudita, como Romarinho, ex-Corinthians, Carlos Eduardo, ídolo do Al-Hilal, Maicon e Petros, ambos ex-São Paulo, e o meia Giuliano, que esteve muito bem cotado para disputar a Copa do Mundo da Rússia. O zagueiro do Al-Hazm lembra de nomes que fizeram sucesso no país no passado “Hoje você vê bem mais brasileiros aqui do que antigamente, mas antigamente já teve muitos jogadores que vieram para cá, como Thiago Neves e Diego Souza, que são jogadores que têm muito respeito aqui na Arábia e que muitos torcedores ainda perguntam deles até hoje.

A estrutura dos clubes aqui é parecida com a dos clubes do Brasil, o Al-Hazem, que subiu da segunda divisão no ano passado e ainda está em processo de recuperação, está fazendo de tudo para se manter na primeira divisão. Estão reformando todas as estruturas do clube, desde estádio até o vestiário, e estão fazendo praticamente um novo clube, e eu estou pegando esse processo de reformulação aqui e estou muito feliz porque eles não deixam faltar nada. Tudo que você pede, às vezes não tem no clube, eles correm atrás e procuram auxiliar da melhor maneira possível para que o jogador não sinta a necessidade de nada”, exalta Alemão.

NA TORCIDA PELO AVAÍ…

Antes de ir se aventurar na Arábia Saudita, Alemão construiu uma história com a camisa do Avaí, onde soma mais de 120 jogos em pouco mais de dois anos no clube. E mesmo de longe, garante estar na torcida pelos ex-companheiros.

Eu procuro sempre acompanhar os jogos do Avaí. É difícil, mas eu procuro sempre acompanhar os jogos em tempo real e tenho aplicativos que me ajudam a ver escalações e os gols. Eu tenho muitos amigos lá no Avaí, é um clube que eu torço muito tenho uma identificação muito grande”, admite o zagueiro.

Para Alemão, o clube catarinense tem tudo para se manter na elite do futebol brasileiro, mas precisa evitar alguns erros. “Eu acho que os erros que o Avaí não pode cometer nessa temporada é o de extrapolar o orçamento, manter os salários em dia e fazer algumas contratações pontuais. O Avaí tem tudo para se manter na primeira divisão por que é um grupo que vem jogando a muito tempo junto e tem uma base boa, então eu acho que o Avaí tem tudo para se consolidar na primeira divisão. Eu, mesmo de longe, vou ficar torcendo”, completou.

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