Torcedores – Notícias Esportivas

No Dia Internacional do Combate ao Racismo, brasileiro vítima na Rússia conta a experiência

Na semana Internacional do Combate ao Racismo, o futebol mais uma vez mostrou que ainda há preconceito racial no meio do esporte. O atacante Ari, que joga na Rússia desde 2010, foi vítima de racismo por um companheiro de seleção, que não aceitou a convocação do camisa 9.

Pedro Ruiz
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução: Facebook / FC Krasnodar

Ariclenes da Silva Ferreira, ou simplesmente Ari, atua no futebol russo desde 2010, quando foi contratado do AZ Alkmaar, time holandês, para o Spartak Moscou, da Rússia. Desde então, Ari vem se destacando no país, tanto que ouviu do técnico da seleção Russa, em 2015, que caso se naturalizasse russo, seria convocado para a seleção. No entanto, o camisa 9 do FC Krasnodar, só conseguiu a naturalização no início de 2018 e não conseguiu disputar a Copa do Mundo.

Recentemente, Ari foi convocado para defender a Rússia nos jogos eliminatórios da Eurocopa 2020, contra Bélgica e Cazaquistão, fato que não agradou o veterano da seleção Pavel Pogrebnyak. Em entrevista ao jornal “Sport Express”, o atacante russo demonstrou sua insatisfação com a convocação do brasileiro: ˜É ridículo que pessoas de cor joguem na seleção russa. Tenho uma opinião negativa a respeito das naturalizações. Não vejo sentido. Por que deram um passaporte russo a Ari? Poderíamos muito bem seguir sem estrangeiros”.

Em entrevista exclusiva ao Torcedores.com, o atacante naturalizado demonstrou não se importar com as declarações do russo: “É triste pensar que nos dias de hoje ainda exista algo assim. Um cara desses nem merece atenção. É só mais um caso entre tantos que já tive que lidar. Passei por tantas dificuldades já que isso nem me preocupa, apenas me fortalece.”

Ari ainda se mostrou preocupado com pessoas que também sofrem a discriminação e com a conscientização das crianças sobre o tema: “O preconceito racial é uma realidade e devemos lutar contra ele,. Educar nossos filhos e nos conscientizar cada vez mais. Foi uma declaração lamentável vinda de um jogador de futebol, num momento como esse, em que temos que conviver com tantas atrocidades por causa de intolerância […] Fico pensando nas pessoas que sofrem diariamente com racismo e não possuem uma base para encarar uma pessoa de alma tão fraca como a dele.”

Repercussão na Rússia

“Aqui na Rússia ele está sendo massacrado, estão criticando muito ele. Tanto imprensa como torcedores. É capaz até que ele tome uma suspensão por parte da federação. Quanto a apoio, recebi sim, de muita gente. De muitos brasileiros, amigos, familiares. É por isso também que eu nem esquento a cabeça com ele. À minha volta tem muito mais amor do que ódio”.

Seleção Russa e Copa do Mundo

Quando surgiu a vontade de se naturalizar russo?

“O desejo surgiu em 2015, depois do Fábio Capello, na época técnico da seleção da Rússia, me elogiar e falar que se eu me naturalizasse ele me convocaria. Aí pensei muito nisso, na possibilidade em jogar uma Copa, defender uma seleção, então comecei a dar entrada na papelada. Atrelado a isso também tinha o fato de eu me sentir já em casa aqui na Rússia, e ter acabado de nascer minha filha aqui.” – revelou o atacante

No Catar, em 2022, prestes a completar 37 anos, você ainda vai estar em forma para disputar a copa do mundo ou é um sonho que já está distante?

“Sinceramente, não penso na Copa não. Prefiro não alimentar essa hipótese. Gosto de pensar que posso ajudar a seleção russa nos jogos da Nations League e nas eliminatórias da Euro, e aí, quem sabe, disputar a próxima Eurocopa no ano que vem. Seria uma enorme realização pra mim. Conquistei a convocação com muito trabalho, então continuo aqui à disposição do treinador caso queira contar comigo mais vezes”.

O FC Krasnodar é o quarto colocado do campeonato russo. Ari é o artilheiro do time com 7 gols em 12 partidas.

LEIA MAIS:

Fortaleza presta solidariedade a Ari, jogador vítima de racismo na Rússia

Felipe Melo pede amistoso contra russo que deu declarações racistas sobre brasileiro: “Traz ele aqui”