Nós (a imprensa), o futebol e os argentinos

A Copa Libertadores voltou e até agora nenhuma surpresa. Os times brasileiros (exceção feita ao Grêmio) continuam jogando mal. Os técnicos (exceção feita ao Renato) continuam previsíveis. E a imprensa (exceção feita ao PVC) continua perdida. O futebol brasileiro estreou (e mal!) na Libertadores. Times fraco, jogadores limitados e desculpas a torto e a direito. O país do futebol vive uma distopia digna de Fahrenheit 451. Não sei se foi quando aquele São Paulo do Muricy ganhou 3 brasileiros vivendo de bola parada, se foi quando um técnico iniciante conseguiu ganhar o brasileiro com meia dúzia de reforços e o Romero (o ROMERO!) como um dos destaques ou quando o Felipão e o seu bom e velho pragmatismo quase ganhou tudo jogando com o time B, mas em algum lugar nós passamos a ignorar solenemente o esporte a que tanto nos dedicamos.

Thiago Penna
Colaborador do Torcedores

E a culpa disso também é da mídia. Há notícias de sobra em um futebol dominado por corrupção, dirigentes irresponsáveis e técnicos medíocres. Notícias demais para passarmos as tardes nos dedicando ao último tweet do Neymar. O resultado é um imediatismo tosco, digno de um comentarista de portal somado a um verniz jornalístico característico de um jornalista iniciante. Triste, para dizer o mínimo.

Mas estava digredindo. Voltemos ao campo. Não surpreende que nossos times sejam incapazes de finalizar um chute ou realizar uma única jogada ensaiada. O que espanta é o fato dos técnicos insistirem nas mesmas desculpas e não haver qualquer um que ouse questionar isso diretamente a eles. São profissionais, ganham quase meio milhão de reais por mês e nem na hora de justificar o próprio fracasso eles conseguem inventar alguma coisa. Falta criatividade até nisso.

Não, os argentinos não são tão melhores assim, mas tem tratado melhor a bola que os nossos conterrâneos mesmo compartilhando de uma desorganização similar à nossa. Não é de estranhar que os técnicos de lá estejam ganhando a Europa enquanto os de cá permaneçam nessa ciranda medíocre que se tornou o futebol brasileiro. É curioso o lugar em que chegamos, com dirigentes que não entendem nada de bola, técnicos que não estudam, jogadores que não se interessam e uma imprensa que vive de polêmica barata e especulação de empresário.

Eu não sei se o país emburreceu, sei que, pelo andar da carruagem, nossos times continuarão sem criar e a nossa imprensa se dividirá entre os que culpam o Bolsonaro e aqueles que estão ocupados demais comentando as redes sociais do “menino de 28 anos”. Enquanto isso, os argentinos continuarão a vencer a Libertadores e a gente vai se contentar com o “Brasileirão Assaí” e a Copa do Brasil, afinal, é só o que a gente consegue disputar e ganhar.