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Opinião: No dia internacional contra a discriminação racial, futebol mostra que luta contra o racismo está longe de acabar

Hoje dia 21 de março, fazem 59 anos que aconteceu o massacre de Sharpeville em Joanesburgo na África do Sul. Mais de 20.000 negros, em época de regime do Apartheid, protestavam pacificamente contra a Lei do Passe, que regia onde os negros poderiam circular. A polícia abriu fogo contra os protestantes, resultando em 69 mortos e quase 200 feridos. Em 1969, a ONU criou o dia internacional contra a discriminação racial que é comemorado todo dia 21 de março em homenagem a esse tenebroso massacre.

Bruno Rodriguez
Colaborador do Torcedores.com.

Apenas esta semana tivemos dois casos de injúria racial envolvendo brasileiros no futebol mundial. O atacante brasileiro naturalizado russo, Ari que joga no Kuban Krasnodar da Rússia foi discriminado por Pavel Pogrebnyak que criticou a convocação de Ari pela seleção russa. O russo disse “É engraçado/ridículo ter um jogador negro na seleção russa. Eu não entendo o sentido disso.”. Questionando até o porquê de darem um passaporte ao Ari. Não tão longe do Brasil, na Bolívia, o também brasileiro Serginho que atua no Jorge Wilstermann foi alvo de insultos racistas e até imitações de macaco pela torcida adversária, do Blooming. Serginho abandonou a partida.

As reações foram diferentes. Ari relevou e passou por cima da situação, há quase dez anos no futebol russo já não deve ser a primeira vez que o jogador passa por declarações infelizes como essa. Serginho foi mais intempestivo, resolveu deixar o campo revoltado, abandonando sua equipe no meio da partida. O presidente do Blooming disse que vai processar o meio-campo brasileiro por ter abandonado o jogo. Ambas as reações são justas. Ari teve mais calma, afinal já está na Rússia há anos e “acostumado” a isso. Não é tão verdade. O atacante não estava presente no momento da triste declaração racista, talvez teria sido diferente.

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Não existe maneira correta de se reagir. Daniel Alves quando comeu a banana que atiraram nele e levantando a hashtag que correu o mundo, #somostodosmacacos, pareceu ter reagido bem e dado um basta na situação. Ideal seria se tivesse dado certo. Não dando a razão ao brasileiro que joga na Bolívia. Talvez Serginho não devesse ter reagido dessa maneira e pode até ser punido (!), mas o foco não é esse. A preocupação maior deve ser com os agressores que devem ser punidos por seus atos de racismo. E com o psicológico das vítimas. Visando o trauma que essas situações criam.

Mais uma vez casos de injúrias raciais no futebol viram manchete. Mais um ano do massacre de Sharpeville se passa e o futebol nos lembra que o racismo ainda existe. A luta não acabou e, infelizmente, não vai acabar tão cedo. O combate a essas injúrias raciais leva tempo, não se dá de um dia para outro. A conscientização é muito importante e funciona, porém o principal método é educando as próximas gerações. Mostrando para nossas crianças o mínimo, que é tratar toda pessoa como ser humano, sem se importar com a cor da pele.

Contudo, o futebol, assim como todo outro esporte, é um espelho da sociedade, um reflexo. Diversos casos de racismo já ocorreram no futebol ao longo do tempo e todo caso gera uma solidariedade coletiva justa e bonita, da qual se cria uma sensação de que foi resolvido. Falsa sensação. O tempo passa e a situação se repete, muda-se o local, os agressores e a vítima. Fica a impunidade.