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PAPO TÁTICO: Arsenal aproveita as chances e acaba com invencibilidade de Solskjaer na Premier League

O ex-técnico Muricy Ramalho tem uma frase que resume muito o futebol hoje em dia: a bola pune. De nada adianta ter mais posse de bola e mais chances claras se você não consegue colocar a bola dentro do gol. E foi exatamente isso que aconteceu com o Manchester United neste domingo (10) diante do Arsenal. Os comandados de Unai Emery foram muito mais eficientes do que os Red Devils e saíram vitoriosos do clássico no Emirates Stadium, em Londres. O resultado não só recoloca os Gunners na zona de classificação para a próxima Liga dos Campeões como acaba com a invencibilidade do técnico Ole Gunnar Solskjaer à frente do United na Premier League. Resultado justo para a equipe que teve mais consistência e eficiente em todos os noventa minutos.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / Premier League

As duas equipes entraram em campo com linhas de cinco jogadores na defesa. A única diferença dos esquemas táticos estava no posicionamento do meio-campo. O Arsenal tinha no alemão Özil o “enganhe” do 3-4-1-2 de Unai Emery e jogava de maneira compacta e com bastante aproximação entre os setores. Já o Manchester United apostava numa espécie de 3-1-4-2 com Pogba mais solto pela esquerda e Matic protegendo a última linha. Lukaku chegou a acertar o travessão minutos antes de Xhaka abrir o placar (em falha do goleiro De Gea). Enquanto o Arsenal se fechava na defesa, o United se lançava ao ataque apostando nas jogadas pelos lados e na movimentação da dupla de ataque, mas sem muito sucesso. Vale destacara aqui a bela atuação do goleiro alemão Leno (o melhor em campo), com defesas providenciais.

Arsenal e Manchester United armados com linhas de cinco na defesa, mas eram os Gunners quem melhor executavam os movimentos da formação proposta pelo seu treinador. Özil distribuía bem o jogo no meio e os volantes Xhaka e Ramsey apareciam com frequência no setor ofensivo.

Até o pênalti convertido por Aubameyang, o segundo tempo era uma repetição do primeiro. O Manchester United tentava chega no ataque na base do “abafa” e dos chutes de média distância enquanto o Arsenal explorava os contra-ataques. Após o segundo gol dos Gunners, Solskjaer desfez o esquema com três zagueiros e voltou ao 4-2-3-1 com as entradas de Greenwood e Martial nos lugares de Matic e Dalot respectivamente, mas só fez abrir ainda mais espaços na sua defesa, isolar o quarteto ofensivo e isolar o brasileiro Fred na marcação. Do outro lado, Unai Emery mandava Nketiah, Denis Suárez e Iwobi a campo nos lugares de Lacazette, Aubameyang e Özil para dar fôlego novo ao ataque e segurar a bola na frente. Acabou vencendo a equipe que mostrou mais eficiência e mais força mental para suportar as investidas do adversário.

Solskjaer desfez o 3-1-4-2 após o segundo gol do Arsenal e apostou num 4-2-3-1 que não conseguia furar o bloqueio defensivo do seu adversário. Do outro lado, Unai Emery apenas deu fôlego novo ao seu time e administrou o resultado até o final da partida no Emirates Stadium.

Ao mesmo tempo em que o Arsenal vinha de derrota para o Rennes na Liga Europa, o time de Unai Emery conseguiu se recuperar jogando um futebol coletivo bastante efetivo para superar um rival que vinha de uma classificação histórica sobre o Paris Saint-Germain na Liga dos Campeões. Mesmo com os desfalques de jogadores importantes como Lingard e Mata, o Manchester United vinha num melhor momento e mais embalado do que os Gunners. A derrota desse domingo (10) nos mostra duas coisas: a primeira é que o futebol é o esporte que mais prega peças no torcedor (e por isso mesmo é que ele é o melhor esporte da galáxia); e a segunda é que a saída dos Red Devils da zona de classificação para a Champions League tem raízes fincadas no péssimo início de competição da equipe então comandada por José Mourinho.

O que aconteceu com o Arsenal nesta trigésima rodada da Premier League aconteceu com o Vasco no Campeonato Carioca e com o próprio Manchester United contra o PSG. Essa é mais uma prova de que não adianta ter mais posse de bola. É preciso colocar a redondinha no gol para ser feliz nesse esporte.

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