PAPO TÁTICO: Barcelona é cirúrgico, vence o Real Madrid de novo e volta a dominar “El Clásico”

Não se trata apenas da segunda vitória do Barcelona sobre o Real Madrid dentro do Santiago Bernabéu em apenas três dias. Estamos falando da retomada da superioridade num dos clássicos mais famosos do mundo após 87 anos. Se os comandados de Ernesto Valverde fizeram a festa na casa do rival na última quarta-feira (27) com um placar mais elástico, o jogo válido pelo Campeonato Espanhol nos mostrou uma equipe mais cirúrgica e estratégica, mas extremamente eficiente. Do outro lado, os merengues seguem sofrendo com a perda da identidade vencedora do time após a saída de Cristiano Ronaldo e com uma certa acomodação depois do tricampeonato consecutivo da Liga dos Campeões. Hoje, o Barcelona é muito mais time que o Real.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / FC Barcelona

O técnico Ernesto Valverde foi muito bem na leitura do jogo no Santiago Bernabéu. Contra um Real Madrid que se mostrava mordido com a eliminação na Copa do Rey, o comandante do Barça deixou o meio-campo mais forte com a entrada de Arthur e deixou Messi livre no ataque para explorar o lado esquerdo da defesa madridista, mais precisamente as costas de Casemiro e os espaços entre Sergio Ramos e Reguilón. Foi por esse setor que Rakitic se lançou como autêntico ponta para tocar por cima de Courtois e anotar o único gol da partida. Se o 4-3-3/4-4-2 de Ernesto Valverde funcionava bem no Barcelona, as únicas jogadas de maior perigo do Real Madrid saíam quando a bola chegava nos pés de Vinícius Júnior. No entanto, o camisa 28 esteve bem marcado e pouco pôde fazer na partida. Faltava consistência.

Ernesto Valverde armou o Barcelona no seu usual 4-3-3/4-4-2 com Arthur no meio-campo e Rakitic mais aberto pela direita para explorar os espaços na defesa madridista. O único gol da partida (marcado pelo próprio camisa 4) saiu de uma jogada às costas de Casemiro e no espaço entre Sergio Ramos e Reguilón.

Santiago Solari mexeu no time, desfez o seu 4-3-3 inicial e apostou num 4-2-3-1 com Asensio, Valverde (volante) e Isco nos lugares de Bale (que saiu de campo vaiado), Toni Kroos e Casemiro. Mas o Barcelona seguiu com as suas estratégias, se fechou mais ainda na defesa e apostou nos contra-ataques e no nervosismo do escrete merengue. Tanto que Ernesto Valverde apenas deu gás novo ao seu time com as entradas de Philippe Coutinho e Vidal nos lugares de Dembelé e Arthur. A equipe blaugrana seguiu marcando forte e bastante atenta às descidas de Vinícius Júnior pela esquerda, talvez a única jogada de ruptura de linhas do repertório do Real Madrid. Nesse ponto, vale destacar as atuações de Pique (simplesmente absoluto na zaga), Dembelé, Busquetes e Ter Stegen (talvez o melhor goleiro do mundo no momento).

Santiago Solari desfez seu 4-3-3 e apostou num 4-2-3-1 com as entradas de Isco, Asensio e Valverde, mas ainda sem a consistência desejada. Já o Barcelona se fechou num 4-4-2 e apostou nos contra-ataques sem levar muitos sustos até o apito final. Ainda haveria tempo para Semedo substituir Busquets já no final da partida.

Se o Barcelona segue jogando um futebol eficiente (com certas doses do pragmatismo de Ernesto Valverde), a segunda vitória catalã em três dias e a supremacia em “El Clásico” deixou a certeza de que o escrete merengue precisa muito de mudanças. Dentro e fora de campo. A começar por Bale que mostra uma incompreensível má vontade com a camisa do Real Madrid. Muito se espera dele. Ainda mais depois da saída de CR7. Ao mesmo tempo, o meio-campo formado por Casemiro, Kroos e Modric já não mostra o mesmo poder dos anos anteriores. E a defesa continua sendo a grande dor de cabeça de Solari. Sergio Ramos e Carvajal andam muito abaixo do que já jogaram. E ainda há o brasileiro Marcelo, em baixa com a torcida e comissão técnica. Será que a solução é utilizá-lo no meio-campo? E quem sairia do time?

O Barcelona chegou a 96 vitórias em “El Clásico” contra 95 do Real Madrid com a vitória deste sábado (2). A supremacia no confronto veio depois de 87 anos , com vitórias seguidas no Santiago Bernabéu e na primeira temporada do rival sem Cristiano Ronaldo. Nada pode ser mais simbólico do que esses fatos.

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