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PAPO TÁTICO: Conheça o San José, o primeiro adversário do Flamengo na Libertadores

O Flamengo faz a sua estreia na Copa Libertadores da América de 2019 nesta terça-feira de carnaval (5) contra o San José em Oruro, na Bolívia. Os mais de 3.700 metros de altitude, a pressão da torcida de um dos clubes mais populares do país e o já conhecido “clima” da competição sul-americana serão, sem dúvida, problemas que a equipe comandada por Abel Braga terá que superar se quiser voltar para o Rio de Janeiro com os três pontos. Mas não se engane: o time boliviano tem as suas qualidades e totais condições de surpreender o rubro-negro da Gávea. Baseado no que vimos durante os últimos dias, vamos trazer algumas características do San José e das estratégias do argentino Néstor Clausen aqui na coluna PAPO TÁTICO.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / San José de Oruro

Embora o campeonato local não seja marcado por grandes jogos e por bom nível técnico, “El Equipo Minero” vinha mostrando um bom futebol e conseguiu a classificação para a Libertadores ao vencer o Torneio Clausura no final do ano passado. No entanto, a fase atual não é das melhores. Em entrevista à Coluna do Flamengo, o jornalista Omar Otazo, da Rádio Fides, destacou que o San José sofre com as lesões do seu elenco e com o péssimo momento do seu sistema defensivo. O time de Néstor Clausen se defende com duas linhas na frente da sua área, mas sofre as consequências da falta de compactação nos seus setores e com as falhas no posicionamento dos seus zagueiros. Problemas que puderam ser percebidos na derrota para o Oriente Petrolero por 4 a 3 na oitava rodada do Apertura já em 2019.

O San José se defende com duas linhas na frente da sua área, mas o sistema defensivo tem sido a grande dor de cabeça do técnico Néstor Clausen na atual temproada. A imagem acima mostra a disposição defensiva contra o Oriente Petrolero e os espaços entre os zagueiros do time de Oruro. Foto: Reprodução / Tigo Sports.

Embora a defesa seja um problema (o time levou 22 gols em apenas 10 partidas no Apertura), o ataque do San José merece respeito. Comandado pelo veterano Carlos Saucedo, o San José tem bons números nesse quesito e ataca com bastante velocidade além de ser bastante eficiente nas bolas aéreas (ponto em que a equipe do Flamengo precisa melhorar bastante). Nesse ponto, fica bem clara a inspiração de Néstor Clausen na Argentina de Carlos Bilardo campeã do mundo em 1986. As doses de pragmatismo vistas em nessa temporada, no entanto, contrastam com a qualidade de jogadores como Rodrigo Ramallo, Javier Sanguinetti e Didí Torrico, todos com bastante trato com a bola no pé e conhecedores dos atalhos do estádio Jesús Bermúdez, palco da partida desta terça-feira de Carnaval.

Rodrigo Ramallo pode jogar como segundo atacante ou por dentro numa linha de três meias logo atrás do veterano Carlos Saucedo na proposta de jogo do técnico Néstor Clausen. O San José é rápido nas transições ofensivas e eficientes nas bolas levantadas na área. Foto: Reprodução / Tigo Sports.

Néstor Clausen costuma manter as duas linhas na frente da área nos momentos defensivos, mas varia entre o 4-2-3-1, o 4-4-1-1 e o 4-4-2 na transição ofensiva. Dois dos pilares da equipe campeã de 2018 são dúvidas: o zagueiro Marcos Barrera e o meia Javier Sanguinetti, ambos argentinos, com mais possibilidade deste último entrar em campo. E diante do que pôde ser visto da atual temporada do San José, a tendência é que Néstor Clausen não mude muito o seu 11 inicial. Se Sanguinetti tiver condições, ele deve ocupar o lado esquerdo de um 4-2-3-1 possível no escrete boliviano. Também existe a possibilidade do time se organizar num 4-3-1-2 como o argentino logo atrás de uma dupla de atacantes formada por Saucedo e Ramallo. Mas tudo isso só será revelado momentos antes do jogo contra o Flamengo.

O zagueiro Marcos Barrera e o meia Sanguinetti são dúvidas. Mas o San José que deve entrar em campo contra o Flamengo não deve mudar muito da formação acima. Um 4-2-3-1 (com as variações já citadas) que se defende com duas linhas na frente da sua área. Link do Share My Tactics.

Time por time, é óbvio que o Flamengo tem mais qualidade individual e tem todas as condições de sair vitorioso de Oruro apesar de todas as dificuldades colocadas aqui. Por outro lado, a declaração do lateral-esquerdo Renê gera uma certa preocupação (clique aqui para entender). O San José pode não ser o Barcelona ou o River Plate, mas é uma equipe que tem uma proposta de jogo clara e que pode vencer a partida sem muitos problemas. Primeiro pela altitude de mais de 3.700 metros. E depois pela qualidade já mencionada aqui dos seus jogadores. Temos velocidade com Ramallo, qualidade no passe com Didí Torrico e experiência e faro de gol com o veterano Saucedo. Pode não ser muita coisa para o torcedor rubro-negro, mas em se tratando de Copa Libertadores da América, todo cuidado é pouco.

O Flamengo pode não ter visto muita coisa do seu adversário. Mas é preciso ter atenção e inteligência para jogar na altitude contra uma equipe que promete dar trabalho. O San José tem suas armas e não terá o menor pudor de usá-las dentro de seus domínios.

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