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PAPO TÁTICO: Holanda renovada mostra força, mas esbarra na eficiência da Alemanha de Joachim Löw

Holanda e Alemanha já protagonizaram partidas históricas ao longo dos anos. E neste domingo não foi diferente. Os comandados de Ronald Koeman (aquele mesmo que brilhou no Barcelona) mostraram um bom futebol e ótimas opções táticas na Johan Cruijff Arena, em Amsterdam. Mas a eficiência da Alemanha de Joachim Löw acabou se fazendo presente para o desgosto da torcida local. A vitória por 3 a 2 dá um pouco de paz ao treinador alemão, que se viu no meio de um furacão depois dos maus resultados e também afastar Hummels, Boateng e Müller dos Nationalelf. Já a Holanda deixou a sensação de que pode ser aquela velha Holanda de tempos não tão remotos assim. Destaque para as atuações de Frenkie de Jong, Van Dijk, Depay e Promes.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Facebook / UEFA Euro 2020

É bom lembrar que a renovação da Holanda passa pela recuperação do bom e velho 4-3-3 de movimentação obsessiva que marcou os tempos áureos da Laranja Mecânica nos anos 1970. Ao contrário da troca de posições entre os setores, a mudança de posicionamento ocorre com a bola no pé e em alta velocidade. Só que quem estava do outro lado era a sempre poderosa e eficiente Alemanha. Joachim Löw apostou num 3-4-3 com Goretzka, Leroy Sané e Gnarby se mexendo muito atrás dos volantes holandeses. Ao mesmo tempo, Kimmich e Kroos distribuíam bem o jogo e os alas Keher e Schultz apareciam com frequência no ataque. Os dois gols alemães saíram em jogadas pela esquerda. O primeiro em escorregão de De Ligt e o segundo num belo chute de Gnarby.

Ronald Koeman resgatou o velho 4-3-3 dos tempos da Laranja Mecânica, mas viu a Alemanha abrir dois gols de vantagem ainda no primeiro tempo. A movimentação de Goretzka, Sané e Gnarby no setor ofensivo desestabilizou a defesa laranja. Link do Share My Tactics.

Ronald Koeman sacou Babel e mandou Bergwijn para o jogo. A substituição deixou a Holanda mais envolvente no ataque e o time laranja chegou ao empate com De Ligt e Depay em dezoito minutos. Do outro lado, Joachim Löw agiu e mandou Gündogan para a vaga de Goretzka para povoar o meio-campo, melhorar a marcação e cadenciar mais o jogo. A alteração deu certo e a Holanda só conseguiu chegar perto do gol alemão em lançamento de Depay para Wijnaldum, lance que contou com a intervenção do sempre eficiente Neuer. O castigo veio aos 45 minutos do segundo tempo, quando Reus cruzou rasteiro da esquerda e o ala Schultz apareceu pelo meio da área para tocar à esquerda de Cillessen. Uma vitória com a cara da eficiência alemã em plena Johan Cruijff Arena.

A Holanda se recuperou na segunda etapa e igualou o marcador, mas Joachim Löw acertou em cheio com a entrada de Gündogan no lugar de Goretzka. A Alemanha ganhou mais volume de jogo e conseguiu um gol salvador com Schultz aparecendo como atacante. Link do Share My Tactics.

Apesar da derrota em casa, a Holanda mostrou uma evolução sem precedentes desde o vexame nas Eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia. O time ainda precisa de ajustes, mas nomes como Frenkie de Jong, De Ligt, Dumfries e Promes se encaixaram muito bem no esquema tático de Ronald Koeman (um dos que aprenderam com Johan Cruijff no Barcelona). O time sabe o que faz com a bola, usa bem as triangulações e possui jogadores com raro trato com a bola. A eficiência alemã foi mais feliz em Amsterdam (e também aliviou um pouco a barra de Joachim Löw), mas o futuro parece extremamente promissor para a Holanda. Não somente pelos últimos resultados, mas pelo futebol que a equipe se propõe a jogar. Algo que resgate o passado e o adapte ao presente.

A eficiência da Alemanha já é bem conhecida de todos e a renovação elaborada pelo seu treinador pode sim dar resultados. No entanto, este que escreve não duvidaria da capacidade desse time da Holanda. Ainda mais quando o escrete laranja joga sem o enorme peso nas costas de anos passados.

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