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PAPO TÁTICO: Vitória na altitude e atuação decisiva de Diego Alves não podem esconder os problemas do Flamengo de Abel Braga; entenda

Diego Alves foi o grande nome da vitória do Flamengo sobre o San José, na estreia das duas equipes na fase de grupos da Copa Libertadores da América. Além do camisa 1 do Mengão, Cuellar, Bruno Henrique, Éverton Ribeiro e a dupla de zaga formada por Léo Duarte e Rodrigo Caio também se destacaram no jogo disputado na altitude de Oruro. Mas nada disso (nem mesmo o entendimento de Bruno Henrique e Gabigol no ataque rubro-negro) pode apagar a péssima atuação coletiva dos comandados de Abel Braga. A maneira como a equipe jogou em determinados momentos mostrou um Flamengo muito abaixo do que pode render. Ainda mais com tantos nomes de peso no elenco e as possibilidades que cada um deles oferece num bom esquema de jogo.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Alexandre Vidal / Flamengo

Abel Braga repetiu seu 4-1-4-1 costumeiro na estreia do Flamengo na Libertadores e viu o argentino Néstor Clausen armar o San José num 4-2-3-1 com Sanguinetti por dentro e Ramallo e Iker Hernández pelos lados. A altitude de mais de 3.700 metros se fazia presente a cada pique dos jogadores rubro-negros no estádio Jesús Bermúdez. Mas as condições locais não podem servir de desculpa. Abelão errou e errou feio na estratégia de jogo. Ao dar a bola para o adversário e tentar o gol nos contra-ataques, O Flamengo viu o San José se assanhar na partida e a ameaçar a meta de Diego Alves várias vezes. Ao mesmo tempo, Arrascaeta sentia os efeitos da altitude e não conseguiu render nem mesmo quando trocou de lado com Bruno Henrique e foi para o lado esquerdo de ataque. O uruguaio ainda está devendo.

O Flamengo teve muito pouca movimentação na primeira etapa e sofreu com as investidas do San José causadas pela estratégia equivocada de Abel Braga. Além disso, Arrascaeta não jogou bem nem no lado esquerdo do ataque rubro-negro (onde se sente mais confortável) e segue devendo bastante.

A entrada de Éverton Ribeiro no lugar de Arrascaeta era óbvia pelo cenário que se desenhava na partida. O Flamengo precisava de alguém que prendesse a bola no meio-campo e que melhorasse o passe. E não é exagero dizer que o camisa 7 fez o time de Abel Braga melhorar uns 500 por cento diante do San José (embora a equipe boliviana ainda estivesse obrigando Diego Alves a trabalhar). Tanto que o único gol da partida saiu num dos únicos momentos em que o Fla colocou a bola no chão e trabalhou as jogadas de ataque. Bruno Henrique cortou para o meio, viu a entrada de Gabigol no espaço vazio e fez o passe preciso para o camisa 9 tocar na saída de Carlos Lampe. Daí para o apito final da partida em Oruro, o Flamengo seguiu errando e se garantindo nas grandes atuações da sua dupla de zaga e do seu goleiro. Muito pouco.

A entrada de Éverton Ribeiro melhorou demais o time do Flamengo na segunda etapa. O camisa 7 segurou mais a bola e trabalhou melhor as jogadas. Mesmo assim, o grande nome do jogo foi o goleiro Diego Alves, autor de grandes defesas diante de um não mais do que esforçado San José.

É bem verdade que o torcedor rubro-negro pode e deve comemorar os três pontos e a estreia com o pé direito na Libertadores. No entanto, quem viu o jogo pôde ver o Flamengo tendo uma péssima atuação coletiva. Não foram poucas as vezes em que os jogadores do San José tiveram liberdade para chutar de média e longa distância além de ter levado muito perigo nas bolas aéreas. Faltava mais inteligência para jogar na altitude e medidas mais simples, como valorizar a posse de bola, fazê-la rodar e aproveitar as melhores chances “na boa” para poupar o fôlego. Mas o Flamengo simplesmente dava a bola ao adversário e se segurava na defesa como podia. Tanto que não foi por acaso que Diego Alves foi eleito o melhor jogador da partida com toda a justiça. O camisa 1 fez todo tipo de defesa durante os 90 minutos.

A atuação coletiva do Flamengo preocupa demais. E o jogo contra o Vasco no próximo sábado (9) pode ser determinante para o time. Certo é que o técnico Abel Braga terá que mostrar muito mais repertório do que simplesmente dar a bola ao adversário e esperar a chance certa. Há como se fazer mais.

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