Detido na Argentina, torcedor do Corinthians alega ter sido roubado por policiais

Na noite da última quarta-feira (27), cerca de 14 torcedores do Corinthians foram detidos na entrada do estádio Presidente Perón, horas antes do duelo entre a equipe brasileira e o Racing. Após abordagem da polícia de Buenos Aires, um deles foi detido por tentar entrar no local com uma bandeira enrolada no corpo – cujo tamanho é proibido pela Conmebol. Em entrevista exclusiva ao UOL Esporte, o torcedor relatou o acontecido e se queixou de ter sofrido agressões e ter sido roubado pelos policiais.

Cido Vieira
Jornalista em formação, e apaixonado por futebol desde criança. No Torcedores.com desde o ano de 2017, já acumulei diversas funções no site e atualmente me dedico a cobertura do futebol nordestino.

Crédito: Reprodução - Olétevé

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A bandeira da torcida organizada Coringão Chopp foi o estopim para começar a ação por parte da polícia, como conta o torcedor.

“A gente quer colocar a faixa da torcida para dentro em qualquer jogo, independentemente se está punido, se é proibido ou não. A gente assume o erro, porque não deveria entrar, mas demos nosso jeito porque queríamos ver a bandeira dentro do estádio. Tomamos o risco pelo Corinthians, para ter nosso nome em todo canto”, diz o torcedor.

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Segundo a Agência de Prevenção da Violência no Esporte (APreviDe), do Ministério de Segurança da Província de Buenos Aires, 14 torcedores foram detidos antes do apito inicial para Racing x Corinthians. O órgão infirmou que na ação foram apreendidas drogas, bebidas alcoólicas e bandeiras irregulares, que não tinham a dimensão aceita pela Conmebol, que recentemente vetou bandeiras que ultrapassem 2 metros por 1 metro.

“Nós até falamos que, se desse alguma coisa errada, eles [policiais] só nos mandariam tirar [a faixa] e voltar para o ônibus. O máximo que fariam seria nos deixar no ônibus. Mas aí perceberam porque estavam mandando tirar tênis, tirar meia, chutando durante a revista, dando tapa na nuca”, denuncia o torcedor, reclamando de violência policial. “Durante a revista o cara sentiu e já começou a puxar a faixa, foi quando saiu nos vídeos”, explica.

Apesar da solicitação para que não fosse filmado, o torcedor apareceu um vídeo divulgado na última quinta-feira (28) pela APreviDe, no qual policiais aparecem retirando justamente a faixa da torcida organizada Coringão Chopp que estava enrolada em suas pernas. A partir daí, de acordo com o torcedor foi iniciado o abuso de autoridade por parte dos policiais.

“Nos levaram para dentro de um camburão, sem ar. Quando eu cheguei já tinham quatro lá dentro. Falamos que estávamos com sede, mas disseram que não tinha água. E que era para ficarmos tranquilinhos, mas que esse jogo a gente já não assistiria”. Ele ainda afirma que vários torcedores foram detidos sem justificativa.  “Eu ainda assumo meu erro, mas também não justifica a ação deles, de bater, pegar o dinheiro de todo o mundo como pegaram”, reclama.

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Em sua versão, o torcedor do Corinthians conta que todos objetos pertencentes aos torcedores foram recolhidos pela polícia e guardados em sacolas. Após assinarem os boletins de ocorrência, os torcedores tiveram acesso aos seus pertences, mas notaram ausência de boa parte dos itens.

“Faltava dinheiro de todo o mundo, relógio, correntinha de prata… Até tênis sumiram e, quando um torcedor foi reclamar, tomou um monte de pancada”,

Ao contrário do que foi noticiado pela APreviDe, o torcedor diz não ter visto torcedores sendo detidos com drogas.

“Se tinha, eu não vi. O que ouvi foi eles falando que, se ficássemos quietinhos, eles liberariam depois do jogo; se déssemos trabalho, jogariam um monte de coisa para assinarmos lá [na delegacia]. Até creio que não [tinha droga], porque ficaram responsáveis vários torcedores conhecidos. A maioria foi [detida] de forma aleatória”.

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