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Velejador troca UBER por títulos na classe Star

Depois das estrelas no UBER, o niteroiense Pedro Henrique Trouche de Souza, brilhou!

Flávio Perez
Colaborador do Torcedores

Também conhecido como Bolder, o atleta entrou de vez na lista dos principais proeiros do mundo da classe Star.

O título da badalada Star Sailors League ao lado de Jorge Zarif, ganhando de lendas como Robert Scheidt, Lars Grael e Bruno Prada, colocou o velejador de 27 anos no topo do ranking de sua função no Brasil e terceiro do mundo.

Nada mau para quem há um ano fazia UBER para complementar a renda, numa modalidade de investimento alto.

Os resultados na vela foram financeiramente mais significativos do que o aplicativo de viagens rápidas.

”Entrei no Uber para ajudar a pagar contas, quando comecei a morar sozinho no segundo semestre de 2016 e fui até março de 2017, mas comecei a velejar mais e melhor e não foi mais necessário”, disse Pedro Trouche.

Já fora do Uber, o velejador está em Miami, nos Estados Unidos, para a disputa da tradicional Bacardi Cup. O evento no Coral Reef Yacht Club será de 3 a 9 de março e conta com cinco duplas brasileiras. O proeiro de Niterói fará dupla com o paulista Marcelo Fuchs.

Está será a segunda vez dele na Bacardi Cup. A primeira foi ano passado ao lado do americano Luke Lawrence e a equipe ficou em nono.

Os brasileiros na Star são apontados como os melhores do mundo, algo comparado ao surf, que tem o Brazilian Storm.

A onda verde-e-amarela na categoria das estrelas da vela não é tão recente assim: Torben Grael, Lars Grael, Robert Scheidt e Admar Gonzaga, e mais recentemente Jorge Zarif entram em qualquer competição como favoritos. Pedro Trouche troca UBER por títulos na Star

E tem tanta gente boa não citada! Por isso, a função de proeiro é bastante procurada pelos timoneiros profissionais.

”Na função, minhas referências são todos os quatro proeiros brasileiros no top 10 mundial, esta turma na qual hoje me sinto orgulhoso de dizer que faço parte”.

Atualmente no ranking da Star, o Brasil tem cinco proeiros entre os 10 do mundo.

Além de Pedro Bolder, que é o terceiro, estão Samuel Gonçalves, Arthur Lopes, Henry Boening e Bruno Prada.

”A classe Star é a classe das lendas vivas, é um barco muito técnico e de muita historia, são mais de 100 anos de classe, é um barco que apaixona”.

”Quero fazer parte disso, quero colocar meu nome nas taças históricas, e aqui aprendo muito com os mais experientes”.

No hall dos craques

Perguntado se está no hall dos melhores proeiros do mundo, o niteroiense ex-Uber é mais na dele.

”Não sei, não enxergo assim, tenho muitos desafios ainda, mas acredito que coloquei meu nome na fila desta lista, agora o foco é treinar e trabalhar forte para merecer, a dedicação para chegar existe!”.

O apelido Bolder era o nome do Optmist (categoria de introdução à vela) dele. Nascido e criado em Niterói, o velejador defende o Clube Naval Charitas desde 1998 quando tinha 7 anos.

Pedro já correu de Laser, Lightining e Finn. Mas foi na Star que sua estrela brilhou!

Em 2015, ao lado de Marcelo Bellotti, a parceira ganhou a Semana de Vela de Ilhabela na categoria. Mas os resultados de 2018, incluindo a vitória na Star Sailors League e a anterior participação no Mundial da Oxford, tiveram ainda mais repercussão.

As vitórias, no entanto, foram dedicados a duas pessoas especiais na vida dele: o pai e o avó.

”Quando tive convite para disputar o Mundial de Oxford, o meu avô estava muito mal de saúde, e alguns dias depois ele veio a falecer, meu avô é meu herói, me ensinou muito d eu cuidava dele, dava banho, fazia os curativos, acompanhava no hospital etc… perder ele foi muito duro. Poucos dias antes de embarcar para o mundial em outubro, meu pai foi diagnosticado com um câncer muito severo em um dos rins, e precisaria ser operado às pressas. Ele me pediu que eu não desistisse de participar do mundial, e no dia que me deixou no aeroporto, me pediu para ganhar o mundial para ele…como todo pai “babão” fala para um filho quando vai competir, mas nos dois estávamos com os olhos cheios d’água, e eu falei para ele ‘pai, ganhar o mundial vai ser muito difícil, mas prometo ganhar uma regata para você’. Ele sorriu e eu embarquei”.

Pedro continuou: ”Foi uma das regatas mais importantes da minha vida, quando montamos a primeira boia em primeiro, virei para o Tomas Hornos e falei: “a gente merece isso, vamos ganhar esta regata.” Assim quando voltei presenteei meu pai com o troféu de vencedor da ultima regata”.