Campeão em 1990, Djalminha relembra primeira conquista da Copa do Brasil pelo Flamengo

A primeira taça nacional ninguém esquece. Em 1990, ele era apenas um garoto de 19 anos que, após conquistar a Copa São Paulo de Futebol Júnior, conseguiu subir ao profissional do Flamengo e fazer história no primeiro título do time carioca, na Copa do Brasil. Hoje, com 48 anos, Djalma Feitosa Dias – Djalminha – relembra essa marcante conquista que mudou a sua vida.

Elisa Marinho
Colaborador do Torcedores

Crédito: Arquivo O Globo

Torcedores: O que significou aquele título para você?

 Djalminha: Foi muito importante porque, no primeiro ano como profissional, ganhar um título como a Copa do Brasil aumenta a confiança.

Djalminha não foi o único que subiu da base para o profissional do Flamengo naquele ano. Este, que até então era um menino (como Nélio e Marquinhos), pode estar ao lado de jogadores já consagrados, a exemplo de: Renato Gaúcho, Júnior e Fernando, líderes daquele time campeão da Copa do Brasil.

Torcedores: Existia muita troca de experiência? Ou tinha muito choque de pensamento, por causa da diferença de idade?

Djalminha: Não, não tinha conflitos. A mescla de idade é sempre muito boa.

Torcedores: O entrosamento que vocês já tinham na base facilitou a conquista do título?

 Djalminha: Ajudou, mas não foi fundamental, pois poucos eram titulares.

O Flamengo iniciou a campanha na Copa do Brasil de 1990, com duas goleadas em cima do Capelense-AL. No primeiro jogo, em Moça Bonita, o time carioca venceu por 5×1. Já a partida de volta, no Rei Pelé, terminou em 4×0. Nas oitavas de final, o Flamengo enfrentou Taguatinga-DF e venceu o jogo de ida, na Gávea, por 2×0. O de volta, na Boca do Jacaré, terminou empatado em 1×1.

Nas quartas de final, o Flamengo encontrou pelo caminho o campeão brasileiro de 1988, Bahia. Na primeira partida, no Joia de Princesa, empate em 1×1. O jogo de volta aconteceu em Juiz de Fora-MG e o clube carioca venceu pelo placar de 1×0. Na semifinal, o Flamengo enfrentou o Náutico no Maracanã e venceu por 3×0. Nos Aflitos, o jogo ficou no 2×2. A grande final foi contra o Goiás, em Juiz de Fora. O Flamengo ganhou por 1×0 e ficou no empate sem gols no Serra Dourada.

Essa campanha é desdenhada pelos adversários, por alegarem que o time carioca só encontrou pelo caminho equipes menores, o que obviamente é rechaçado por Djalminha, ao afirmar que, independente de qualquer coisa, nunca é fácil conquistar títulos.

O meia foi uma peça fundamental naquela equipe. No segundo jogo da semifinal, contra o Náutico, nos Aflitos, por exemplo, Djalminha abriu o placar, que terminou em 2×2 e garantiu o time carioca na decisão, após a vantagem construída no jogo de ida, por 3×0. De acordo com Djalminha, aquele fora um gol muito bonito e importante, em uma das partidas mais difíceis daquela campanha.

A importância do garoto do ninho de apenas 19 anos foi tão grande que o único gol marcado na final contra o Goiás, em Juiz de Fora, nasceu de um cruzamento dele.

Djalminha: Bati uma falta e o Fernando fez de cabeça.

Entretanto, mesmo com uma excelente atuação no jogo de ida, e havendo disputado praticamente todas as partidas, o técnico Jair Pereira optou por não escalar Djalminha na partida de volta, levando a campo: Zé Carlos, Aílton, Vitor Hugo, Rogério e Piá; Uidemar, Júnior, Bobô (Nélio) e Zinho; Renato Gaúcho e Gaúcho.

Djalminha: Ele preferiu colocar um time mais experiente e eu aceitei de boa.

No fim, o Flamengo conquistou, no dia 07 de novembro de 1990, no Serra Dourada, com o placar de 0x0, sua primeira Copa do Brasil. Mas, um fato curioso é que, naquela campanha, o Flamengo ganhou a Copa do Brasil usando seu principal palco – o Maracanã – apenas uma vez.

Djalminha: Acho que estava fechado o Maracanã. Jogávamos muito em Juiz de Fora-MG.

Em 1990, a Copa do Brasil estava em seu segundo ano e não tinha a dimensão que tem hoje. No início daquela década, por exemplo, o campeonato teve que disputar, em suas primeiras fases, audiência com a Copa do Mundo da Itália, o que poderia explicar a pouca atenção direcionada ao campeonato.

Djalminha: No início os jogos realmente não enchiam, mas não sei os motivos.

Aquele time do Flamengo, em especial, tinha uma responsabilidade muito grande: dar  continuidade a uma geração magnífica do clube carioca, que foi campeã da Libertadores e Mundial. A conquista da Copa do Brasil mostrou que o Flamengo continuaria no rumo dos títulos.

Djalminha: O título fortaleceu o grupo para as conquistas do Carioca de 91 e Brasileiro de 92.

Além de todos os desafios comuns a um garoto que sobe da base para o profissional, Djalminha teve que enfrentar uma enorme responsabilidade: a cobrança para ser igual ao maior ídolo do clube.

Djalminha: Havia uma pressão grande, pois se buscava um novo Zico.

Djalminha além de ser um dos primeiros campeões da Copa do Brasil é um admirador do campeonato, em especial, por proporcionar duelos entre grandes equipes e times de menor visibilidade.

Djalminha: É importante dar oportunidades aos clubes menores duelar com os grandes e a Copa do Brasil proporciona isso.

Foram três anos no time profissional do Flamengo. Em 1993, o meia encerrou seu ciclo com o desejo que a história no clube durasse mais. Uma passagem relativamente curta, mas cheia de conquistas, paixão e entrega.