“Porco assado” gerou polêmica da final da Copa do Brasil entre Cruzeiro e Palmeiras; relembre

Um campeonato do tamanho da Copa do Brasil esconde histórias onde nem se imagina. E muitas vezes mesmo sem querer, um jogador vira personagem dessas histórias. Um simples jantar quase gerou uma crise no elenco do Cruzeiro. É o que contou o ex-atacante Marcelo Ramos ao Torcedores.com.

Natália Andrade
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução/Estado de Minas

Na véspera da final, Marcelo, Cleison, Uéslei e Roberto Gaúcho foram convidados pelo jornal Estado de Minas para falar do segundo jogo da final, que seria no Parque Antarctica, então estádio do Palmeirs. A matéria, feita em um restaurante, contou com um convidado “especial”: um porco assado, que era uma clara referência ao mascote palmeirense.

Marcelo Ramos disse que não houve maldade e que era apenas uma brincadeira, sem intenção de polêmicas. A foto dos jogadores comendo o porco foi primeira página do jornal e repercutiu mal tanto em Minas quanto em São Paulo. Enquanto os paulistas viram a imagem como uma forma de menosprezar o rival, cruzeirenses julgaram como uma forma de motivar o já favorito adversário. O responsável pela reportagem chegou a ser ameaçado de demissão.

Levir Culpi, treinador do Cruzeiro na época, chegou a cobrar duramente a atitude dos atletas, que até hoje afirmam não ter tido a intenção de afrontar o rival. Além do título, a vitória trouxe alivio: “Graças a Deus a gente conseguiu ganhar o titulo lá dentro. Se tivéssemos perdido, a responsabilidade ia ser jogada em cima da gente, já que fizemos essa matéria comendo uma leitoa, um porco”, disse Marcelo Ramos.

Uma trajetória campeã

Marcelo Silva Ramos é um baiano que fez história tanto na Bahia quanto em Minas Gerais. Artilheiro pelo Bahia, onde iniciou sua carreira, fez história também pelo Cruzeiro e não esconde o carinho por ambos os clubes. Em seus anos de profissional, acumula diversos estaduais, um brasileirão, uma Libertadores, duas Copas do Brasil, duas Supercopas dos Países Baixos e inúmeras outras conquistas. É o sexto maior artilheiro do Bahia e o quinto maior do Cruzeiro. Simpático e atencioso, o goleador mantém o forte sotaque baiano e é facilmente encontrado em atividades ligadas aos times que o tem no hall dos grandes ídolos.

A Copa do Brasil e as  conquistas

O ex-atleta disse que não faz ideia de quantas vezes disputou a Copa do Brasil. Uma de suas conquistas, inclusive, ele viu do outro lado do mundo. É que Marcelo foi vendido para o Sanfrecce, do Japão, no meio da temporada de 2003. Ele fazia parte daquele super elenco do Cruzeiro, mas não chegou a participar do jogo que garantiu a conquista celeste.

Se das edições ele não se lembra ao certo, ele sabe de cor a trajetória que levou o Cruzeiro a conquistar a Copa do Brasil de 1996. “Sem dúvidas a Copa do Brasil que mais me marcou foi a de 1996. Os clubes que a gente eliminou: um time do Acre, Vasco, Corinthians, Flamengo e depois enfrentamos o Palmeiras na final.” Rememora o artilheiro.

Mais marcante que os jogos, era a áurea de favoritismo que rondava o Palmeiras, time que havia feito 100 gols em uma unica edição do campeonato Paulista. Mas como no futebol provocação pouca é bobagem…

A mais marcante para os cruzeirenses

Dentre o muito que se pode ser dito sobre a história do Cruzeiro na Copa do Brasil, a edição de 1996 merece destaque pela superação. Se a matéria com a leitoa irritou palmeirenses, do lado alviverde, a famosa vidente dos anos 90, Mãe Diná garantiu a  conquista ao time paulista, amplamente favorito. Mas se até o misticismo estava do lado do Palmeiras, o rolar da bola mostrou mais uma vez que no futebol favoritismo não garante nada.

Marcelo acredita que por tudo isso, a edição de 1996 seja a mais marcante para os Cruzeirenses “96 foi o ápice da minha carreira, porque a gente conquistou uma Copa do Brasil que das seis que o Cruzeiro conquistou eu acredito que foi a mais marcante. Claro que teve aquela de 2000 com gol de Geovanni. Mas a de 96 a gente empatou o primeiro jogo (1×1) com um gol meu de cabeça e toda a imprensa já dava o Palmeiras como campeão, porque tinham um grande time, o da Parmalat. E realmente eles eram os favoritos. Mas também tínhamos uma equipe forte, determinada e muito bem treinada pelo Levir. A gente conseguiu o título lá dentro do Parque Antártica, onde ninguém esperava.”

O gol do título

Se as finais da Copa do Brasil de 1996 tivessem um nome, esse facilmente seria o de Marcelo, que fez o gol de empate da primeira partida e o gol do título. Mas sobre isso e ignorando a humildade do goleador que não se vangloria pelo feito, deixo com ele a palavra:

“Saímos perdendo de 1×0 com 5 minutos e tomamos um sufoco muito grande, mas tivemos competência no gol de empate, numa falha deles no setor defensivo. O Roberto Gaúcho conseguiu empatar o jogo e nos dar uma certa tranquilidade no segundo tempo. Eles pressionaram muito, e faltando cerca de 10 minutos para o fim do jogo o Roberto Cruzou a bola, o Veloso (goleiro do Palmeiras)  falha e eu consigo marcar o gol do título. Pra mim foi muito marcante e pro Cruzeiro também.” É o que afirma o atacante, que logo após a conquista foi vendido para o PSV da Holanda e voltou no ano seguinte para ajudar o time celeste a conquistar a Libertadores de 1997.

Marcelo, por fim, lembra com carinho tanto da ex equipe quanto da competição: “O Cruzeiro é um clube fantástico, o clube que mais ganhou Copa do Brasil, e com certeza todas foram importantes. mas pra mim, particularmente, 96 ficou marcado na memória do torcedor e na minha também”.

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