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Opinião – Juventus 1 x 2 Ajax: Trabalho de Ten Hag justifica semifinal

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Jornalista formado pela Universidade Nove de Julho, com especialização em Jornalismo Esportivo pela Cursos Prado. Os 140 caracteres do Twitter não estavam sendo suficientes para analisar todos os jogos que o autor acompanha durante a semana. O mundo é uma bola, nada mais justo do que este perfil retratar todas as nuances do esporte mais sensacional que já inventaram. Análises táticas, técnicas e históricas sobre os campeonatos do Brasil e do Mundo, com olhar crítico, aqui no Torcedores.

Crédito: Autor do gol que classificou o Ajax à semifinal, De Ligt é o capitão do time organizado de Ten Hag. (Foto: Reprodução/Ajax)

O Ajax que não se intimidou ao encarar o Bayern de Munique, na Baviera. E empatou, na fase de grupos. Que goleou o atual tricampeão da Europa, Real Madrid, em pleno Bernabéu. E que agora, sem sentir a pressão de sair atrás no placar, vira o placar diante da Juventus de Cristiano Ronaldo. Campanha por si só histórica.

O trabalho realizado por Erik Ten Hag no Ajax é digno de semifinal de Liga dos Campeões. Vitória por 2 a 1, no Allianz Stadium, com um time que investe nos talentos de garotos como David Neres e Van De Beek, recém-nascidos em 1997, ano em que o time holandês esteve pela última vez na semifinal da competição.

Ou mesmo De Ligt, autor do gol da vitória, que só nasceria dois anos depois, em 1999.

O Ajax não se preocupou tanto em abafar a saída de bola bianconera e demorou 20 minutos para reduzir as ações de Pjanic, fundamental na transição da Juve.

Contava mais uma vez com a movimentação de Ziyech e, principalmente, de David Neres para chegar bem, ainda que pontualmente na área de Szczesny.

Só cometeu o vacilo de deixar Ronaldo livre na área, em escanteio no qual De Ligt empurrou o companheiro. O português fez o que costuma fazer, ainda mais solto. Testada que paralisou Onana. 1 a 0.

A Juve tinha Ronaldo mais avançado no ataque com Bernardeschi fixo à direita e Dybala partindo da esquerda para circular e criar. Ou tentar. Num 4-3-3 que se moldava no 4-4-2 quando Bernardeschi fechava para ajudar a De Sciglio.

O Ajax tratou de mostrar que não figura entre os oito melhores à toa. E em um chute mascado da entrada da área, Van De Beek escorregou da marcação para dar um toque de sinuca, no cantinho. Era o empate com o volante que tem um quê de centroavante. E que perdeu um gol na pequena área, quando o resultado marcava 0 a 0.

Não se intimidar foi o segredo

A volta ao segundo tempo trouxe também um Ajax mais destemido. A fim de jogar e de ter a bola, atacando como se jogasse em Amsterdã. Com Van De Beek cada vez mais aparecendo na área e próximo a ela para chutar.

Szczesny trabalhou duas vezes com primor. Evitando golaço do próprio camisa seis. E de Ziyech, à queima-roupa. Pjanic também evitou o pior, na pequena área, em saída envolvente de trás.

A Juve não tinha mais Pjanic solto para criar. Assim, a bola não chegou em Ronaldo nem em Kean, substituto de Dybala, lesionado.

O gol estava maduro. E saiu na bola parada, com De Ligt superando dois marcadores para cumprimentar Szczesny e marcar. O Ajax terminou com 13 finalizações, 10 delas no segundo tempo – quatro no alvo.

Justifica a ida à semifinal pela primeira vez em 22 anos porque não esqueceu de suas origens. Trabalho muito bem arquitetado por Erik Ten Hag.

De Johan Cruyiff, que dá nome à Arena que receberá o jogo da volta contra Manchester City ou Tottenham. Não se trata mais de um azarão. Mas de um tetracampeão que voltou a ter o status por não esquecer de sua história.