“Fora de cogitação”, declara vice-presidente da Turner em relação à parceria com Globo para a transmissão da Série A

Neste ano teremos um feito inédito no que diz respeito as transmissões esportivas do Campeonato Brasileiro. Pela primeira vez não teremos um canal do Grupo Globo transmitindo uma partida da Série A, graças a negociação da Turner com alguns clubes da divisão principal do futebol brasileiro.

Flavio Souza
Colaborador do Torcedores.com.

Crédito: Divulgação / Facebook oficial Fábio Medeiros

Athletico, Bahia, Ceará, Fortaleza, Internacional, Palmeiras e Santos são os clubes que firmaram acordo com a empresa.

A compra de parte dos direitos da competição pela Turner já é um marco no que diz respeito ao futebol na TV paga brasileira.

Palmeiras e Fortaleza irão estrear no campeonato às 19 horas do próximo domingo (27), em transmissão exclusiva pela TNT, dando início a esta nova fase para as transmissões esportivas.

Em entrevista ao site “UOL Esporte Vê TV” do site “UOL”, Fábio Medeiros, vice-presidente de esportes da América Latina da Turner falou da estratégia da empresa e negou qualquer chance de parceria ou co-cessão com a Globo “Isso hoje está fora de cogitação”.

Veja outros pontos citados na entrevista.

Fato inédito na TV paga

Fábio acredita no potencial do futebol brasileiro, comparando o mesmo até com a Champions League, ao falar do processo de compra dos direitos de transmissão:

“Foi um projeto que nasceu há muito tempo, quando percebemos uma oportunidade que numa época parecia bem improvável. Era um sonho bem distante. Mas a gente foi construindo aos poucos. Começamos a nos envolver com futebol brasileiro com a Copa do Nordeste. Ali percebemos que havia uma janela para novos projetos. Em 2014 começou a ficar mais real, já com o suporte financeiro muito forte da Turner, que entendeu a possibilidade e a oportunidade que isso poderia trazer. Eles entraram no Esporte Interativo antes mesmo da compra de 100% do canal. Desde então começamos a conversar sobre projetos futuros. Isso naturalmente não teria sido possível sem o investimento deles (Especula-se em cerca de R$ 300 milhões/ano. Isso fora as luvas pagas nas assinaturas dos contratos em 2016. Medeiros não confirma o número). A gente sabe que o futebol local é sempre o principal direito do país. Até mais importante que o da Champions League por exemplo. Vai além da racionalidade do torcedor. Por mais que o time dele esteja ruim, ele quer vê-lo jogar.”

Envolver o torcedor

Usando o que foi testado na Copa Nordeste, a ideia é que as transmissões passem a ao telespectador a sensação de estar no estádio:

“A gente sempre teve um pouco esse negócio de trazer o torcedor para dentro da transmissão. Desde a Copa do Nordeste mostramos mais a torcida, aumentamos o som da arquibancada. Uma das novidades é que vamos fazer um tratamento sonoro diferente. Para isso a ideia é fazer uma operação de áudio assistida. Vamos abrir o microfone no ataque de cada time para ver qual lado da torcida está vibrando mais. Queremos que o torcedor se sinta dentro do estádio. Outra coisa é que cada um dos 20 times do Brasileirão terá um torcedor-símbolo na programação e nas transmissões dos jogos.

Nossa missão será entregar um Brasileirão como nunca se viu antes. Isso engloba ter o torcedor mais presente, criar uma emoção mais intensa nas transmissões e ter um ângulo e enfoque digital inéditos. A gente sabe que quando tem um jogo decisivo o torcedor acorda pensando naquilo. Somos um grupo formado por fanáticos. Então entendemos o comportamento deles desde quando acordam, o que querem consumir às dez da manhã, o que querem ver quando falta uma hora para o jogo começar e o que querem receber no celular no final da partida. Entender essa demanda a cada hora do dia e em cada device é o nosso grande diferencial. Queremos criar uma experiência para cada plataforma, para cada torcedor, para cada sentimento. Entender a dinâmica de como o torcedor lida com essas coisas é fundamental.”

Negociação diferenciada com Palmeiras

Algo que gerou um pouco de ruído no acordo do contrato com o Palmeiras, que recebeu um valor extra, mas contornado pela Turner, conforme citado por Medeiros:

“As conversas com os clubes estão indo bem. São detalhes finais. A gente nunca teve nenhuma preocupação com contrato. Sempre cumprimos tudo como tinha que ser. Agora chegando mais próximo da competição naturalmente estamos sentando com todos eles, até porque a gente não quer ser apenas os donos dos direitos. Queremos ser parceiros deles. Pretendemos fazer até acima do que está no papel. Iremos realizar um road tour pelos clubes para explicar a dinâmica de redes sociais, como o digital pode ajudá-los e uma série de iniciativas que não têm a ver com os contratos, desde sócio torcedor a como eles conseguem gerar mais receita. Quando tiramos os canais do ar eles demoraram um pouco para entender o que estava se passando. Com isso reagiram de uma maneira um pouco confusa. Não sabiam o que estava acontecendo, onde os jogos seriam transmitidos. Mas a gente sabia que com um pouco de calma e chegando mais perto do campeonato chegaríamos a um acordo com todo mundo. É o que estamos buscando.

Estamos equiparando (condições financeiras). O Palmeiras tinha algumas propriedades extras que os outros clubes estão tendo agora. Muita coisa foi falada sem muita base. O jogo de despedida do Zé Roberto, por exemplo, apareceu depois e foi um negócio legal que fizemos com eles. Todos esses detalhes e oportunidades estão sendo avaliadas agora. Isso é importante para nós. E se aparecerem outras oportunidades de parceria com os clubes vamos fazer. Seja agora ou daqui um ou dois anos. Mas reforço que os contratos sempre foram cumpridos.”

Transmissões mais “emotivas”

Fábio declarou que o estilo das transmissões será mantido, com os narradores indo mais para o lado “emotivo”, considerado por muitos como gritaria:

“Esse não tem muito como mudar. É a parte mais difícil. Transformar a vida das pessoas através da emoção do esporte é o que nos faz acordar todo dia. Esse é o nosso DNA e o grande responsável pelo sucesso do nosso engajamento. Fazemos desse jeito pois de fato acreditamos que aquilo muda a vida das pessoas, nem que seja por 10 segundos. Não vamos agradar todo mundo nunca. Mas quando olhamos os resultados, toda semana quebramos o recorde de audiência na Champions League, parece que tem bastante gente concordando conosco. Então não tem como mudar.”

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