Calendário apertado e muitas dispensas: Como será o ano da Seleção Feminina de Vôlei

Quatro competições a serem disputadas, e várias atletas pedindo dispensa da convocação. Como será a temporada de seleções para a Seleção Feminina de Vôlei, em ano de disputa de pré – olímpico.

Tauany Rodrigues
Apaixonada por vôlei, futebol americano e futebol, mas amante de todos os esportes.

Crédito: Instagram FIVB (@fivbvolleyball)

Nunca antes na hstória de José Roberto Guimarães como técnico da Seleção Feminina de Vôlei, ele precisou lidar com uma situação como a de agora. De todas as atletas que ele convocou, cinco pediram dispensa. Outras duas atletas, antes mesmo da convocação, já anunciaram que não se juntariam ao grupo no centro de treinamentos da CBV em Saquarema. Além das dispensas, o calendário do ano está cheio.

Dispensas

Cada atleta que não irá se juntar a seleção, apresentou um motivo. Camila Brait, líbero do Osasco Audax, não serve a seleção desde o seu corte as vésperas da olímpiada Rio – 2016. Mas diante das grandes atuações da líbero pelo seu clube, e da falta de confiança do treinador nas jogadoras da poisição que serviram a seleção nesse período de tempo, Brait voltou a figurar na lista das convocadas, mas novamente, pediu dispensa. A atleta alegou que vive outro momento em sua vida pessoal e que precisa entender como servir a seleção hoje, impactaria na vida da família dela, que tem uma filha de pouco mais de um ano.

Outra experiente atleta, campeã olímpica que pediu dispensa foi a levantadora Dani Lins, do Hinode Barueri. Dani sofreu com uma lesão na lombar durante a temporada, e decidiu tratar do físico e não servir a seleção esse ano. Drussyla, ponteira que defende o Sesc Rio também pediu dispensa por questões físicas.

Tássia e Gabi Cândido, do Sesi Vôlei Bauru, alegaram problemas pessoais e também não irão servir a seleção. No caso de Gabi, a mesma postou em suas redes sociais que sofre de síndrome do pânico e nesse momento precisa estar com a família para se tratar.

Thaísa, central bicampeã olímpica que defendeu o Hinode Barueri, não só pediu dispensa, como anunciou que irá se aposentar da seleção. A atleta passou por duas graves lesões no joelho e decidiu preservar seu físico para ter uma carreira mais longa em clubes.

Adenízia, que atualmente atua no Savino del Bene Scandicci da Itália, pediu dipensa por motivos pessoaias. Mas se colocou a disposição para ajudar a seleção no próximo ano.

Boicote?

Com a alta quantidade de atletas pedindo dispensa da seleção, levantou – se a hipótese de que haveria um boicote por parte das jogadoras com a seleção e com a comissão técnica.

Não seria a primeira vez que isso ocorreria no time feminino. Em 2002, sob o comando de Marco Aurélio Motta, atualmente treinador do Eczacibasi Vitra da Turquia, houve uma debandada da seleção. Atletas como Érika, Walewska, Raquel, Fofão e Virna, abandonaram a seleção durante a disputa do Volley Masters na Suiça. E sem as jogadoras titulares que não serviram a seleção, o Brasil ficou em sétimo lugar no Mundial de 2002.

Mas, diferente do que aconteceu com Motta, a situação atual não sugere um boicote. O que de fato ocorreu é que as atletas tomaram essa decisão ao mesmo tempo. Mas cada jogadora apresentou um motivo ao técnico da seleção, que também não acredita em boicote.

A hipótese de tantos pedidos de dispensa ser uma ação coordenada das jogadoras vem a tona justamente quando a seleção feminina enfrenta os piores resultados e desempenho dentro de quadra, desde que foi campeã olímpica em Pequim 2008.

Daquela geração campeã, a última a sair da seleção foi Thaísa. E a transição das gerações anteriores para essa, não está sendo fácil. Os resultados não são os mesmoS e a cobrança chega como não havia chegado antes. Esse fator pode ter dado a impressão de que a seleção está em crise. Mas o próprio treinador da seleção afastou essa possibilidade, e disse saber que as atletas pediriam dispensa.

Calendário

Além dos pedidos de dispensa, o caléndario da Seleção Feminina em 2019 está cheio. Liga das Nações, Pan – Americano, Copa do Mundo e Pré – Olímpico são as competições que o time brasileiro irá enfrentar. Desses cinco torneios, o mais importante sem dúvidas é o pré – olímpico.

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A preocupação de José Roberto Guimarães é recuperar as atletas fisicamente. Tandara e Natália, principais jogadoras dessa seleção, estão se recuperando de problemas físicos. Natália sofreu com um problema no joelho durante a temporada, e Tandara sofreu um entorse durante uma partida da Liga Chinesa. Além disso, a temporada foi bastante disputada, e a maioria das atletas não tiveram nem um mês de descanso. Isso faz com que a preocupação do treinador cresça.

Zé convocou 30 atletas para a Liga das Nações, primeiro torneio a ser disputado. Ele deverá mesclar as jogadoras, para evitar mais desgastes e baixas na seleção.

Confira o calendário da Seleção Feminina de Vôlei em 2019:

Liga das Nações de Vôlei: de 21 de maio a 7 de julho.

Pré – Olímpico: de 2 a 4 de agosto.

Pan – Americano: de 7 a 11 de agosto.

Copa do Mundo: de 14 a 29 de setembro.

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