Relembre a passagem de Ayrton Senna pela Toleman

Há 25 anos, Ayrton Senna deixava de correr por causa de um terrível acidente em Ímola, na Itália. Mas é tempo de celebrar as boas memórias que o brasileiro deixou. Neste texto será relembrado sua passagem pela Toleman, uma equipe pequena pela qual estreou na Fórmula 1 e conquistou seus primeiros pontos e pódios.

Juvenal Dias
Jornalista formado pela Universidade P. Mackenzie/SP desde 2013. Atuo na área esportiva desde 2010, quando ingressei no Diário Lance! Lá permaneci por seis anos e tive oportunidade de fazer parte da cobertura dos Jogos Olímpicos Rio-2016. Desde 2017 sou colaborador do Surto Olímpico. Já fui também do Bola Parada. Estou no Torcedores desde meio de 2018.

Crédito: Site oficial/ Ayrton Senna

A Toleman foi uma escuderia inglesa fundada por Ted Toleman. Esteve presente na principal categoria do automobilismo mundial de 1981 a 85, quando foi comprada pela Benetton. Nos dois primeiros anos, quase não se classificava para as corridas. Não tinha um motor confiável, mal conseguia terminar as corridas em que se classificava. Seus melhores resultados tinham sido dois quartos lugares com Derek Warwick, em 1983. Inegavelmente, o piloto mais relevante de sua história foi Ayrton Senna.

O brasileiro fez sua temporada de estreia pela Toleman. Senna chegara com grande expectativa na Fórmula 1, com 24 anos de idade, com o título da Fórmula 3 inglesa recém-conquistado. Não só pelo título chamava a atenção, mas também pelos testes que realizara tanto na Toleman, como na Williams e na McLaren. Ayrton permaneceu apenas uma temporada. Extraiu muito mais do que o carro oferecia e conquistou três pódios e mais dois lugares na zona de pontuação. Contudo, 1984 não foi um ano só de alegrias. Senna aprendeu bastante de como as coisas funcionavam (ou, no caso da Toleman, não funcionavam) na categoria. Das 16 corridas daquele ano, não classificou-se para San Marino e em oito teve que abandonar e uma foi substituído por ter assinado contrato com a Lotus para o ano seguinte. Mesmo assim terminou o campeonato em nono com 13 pontos, empatado com Nigel Mansell.

Instável, a Toleman teve outros três pilotos na temporada, Stefan Johansson (SUE), Johnny Cecotto (VEN) e Pierluigi Martini (ITA). Terminou o campeonato de construtores com a sétima colocação, graças a Senna e Johansson. Ayrton correu com o carro de número 19.

Início – 1984

A estreia do piloto brasileiro com a Toleman foi “em casa”. No GP do Brasil, disputado no circuito de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Partiu de 16º. Depois de oito voltas, precisou abandonar. Para decepção geral da torcida, Piquet também parou no meio do caminho e a vitória ficou com Alain Prost. O francês seria responsável por “tirar” a primeira vitória das mãos de Senna ainda naquele ano, em uma das corridas mais espetaculares do brasileiro.

Nas duas provas seguintes viriam os dois primeiros pontos de Ayrton com a Toleman. Na época, apenas os seis primeiros pontuavam. Assim, ter chegado em sexto na África do Sul e em Zolder, na Bélgica, já era um grande feito para o estreante. Logo após esses resultados, veio a única corrida na carreira de Senna em que não conseguiu tempo de classificação. Justamente em Ímola. Na sexta-feira, teve problemas com o motor Hart e não marcou tempo. Dessa forma, restou melhorar o carro para o sábado, Todavia, choveu durante os treinos. O piloto foi o mais rápido. Mesmo assim, ficou longe dos tempos do dia anterior, com pista seca. Um novo abandono na França frustrou as pretensões de Senna pontuar.

Mônaco e o início de um reinado

Esta é uma corrida que merece um capítulo à parte tanto para a Toleman, quanto para Senna. Inicialmente a largada tinha sido adiada em 45 minutos por causa da forte chuva. O brasileiro se classificou com o 13º tempo. Para quem acredita que não é possível ultrapassar nas ruas apertadas do principado, precisa assistir a corrida de Ayrton naquele ano. Ao término da primeira volta, já ocupava a nona colocação. As condições de pista eram extremas, mas a Toleman de Senna mostrava habilidade para superá-las. Na 16ª volta, já era o terceiro, atrás de Prost e Niki Lauda.

Senna ultrapassou Lauda, por fora, no começo do 19º giro. A partir de então, começou uma caça incessante ao francês da McLaren, com uma Toleman infinitamente inferior. Foram mais 12 voltas até a direção de prova decidir paralisar e finalizar a prova. Foi uma decisão polêmica, com Prost não cruzando a linha de chegada e Senna passando em primeiro. O regulamento dizia que, no caso de interrupção antes de completar 75% da prova, valeria as posições da volta anterior à interrupção e somaria-se metade dos pontos. Dessa maneira, Prost foi declarado vencedor, Senna ficou em segundo com sua Toleman.

Na época, o primeiro recebia 9 pontos. Prost recebeu 4,5. Pode ter tirado a primeira vitória de Ayrton, mas, se tivesse terminado em segundo com a pontuação cheia, teria sido campeão mundial. Porque o segundo recebia 6 pontos e Prost terminou o campeonato meio ponto atrás de Lauda.

Por outro lado, Senna já mostrava-se confortável em um circuito quem venceria em outras seis oportunidades e tornar-se-ia “Rei de Mônaco”. Nenhum outro piloto alcançou tal marca.

Restante da temporada com a Toleman

No Canadá, a Toleman resistiu e Senna terminou em sétimo. Porém, em Detroit e Dallas, voltou a ter problemas e o piloto teve que abandonar. Um novo pódio veio com o terceiro lugar em Brands Hatch, na Grã-Bretanha, colocação que se repetiria na última corrida, em Estoril, Portugal. Entre essas duas corrida, retiradas nas corridas da Alemanha, Áustria, Holanda e Europa, em Nurburgring. Ayrton não correu em Monza, na Itália, porque a Toleman o penalizou pela quebra de contrato, ao ter assinado com assinado com a Lotus.

Apesar de não ter saído de bem com a Toleman, Senna deixou boa impressão na equipe que seria extinta depois de mais um ano. Assim foi a estreia do que tornaria-se uma lenda.

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