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As três vezes em que o campeão da Copa do Brasil não atuava na primeira divisão nacional

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Jornalista formado na Universidade Federal de Santa Maria (2018), 22 anos, e fanático pelo futebol bem jogado para além das quatro linhas. Twitter: @luisfernanfilho/Insta: @luisfrrs

Crédito: Divulgação/ CBF

Na última década da Copa do Brasil, algumas edições da competição foram premiadas com grandes histórias de times que não despontavam entre os favoritos ao título. Talvez, nem sequer por seus próprios torcedores. Imagine, então, os clubes que foram campeões do torneio sem nem jogarem a primeira divisão nacional.

Ao todo, apenas três clubes que não atuavam na primeira divisão do Campeonato Brasileiro venceram a Copa do Brasil. O histórico do torneio já revelou grandes equipes e jogadores, mas também alguns títulos muito improváveis. Abaixo, vamos relembrar os elencos que fizeram história na competição.

CRICIÚMA-1991
Técnico Luiz Felipe Scolari, o Felipão

No longevo ano de 1991, começava a despontar no cenário nacional uma equipe do interior de Santa Catarina, o Criciúma. Os catarinenses pareciam dispostos a demonstrar para todo Brasil as suas façanhas. O clube vinha de ótimas conquistas no certame estadual, principalmente com o tricampeonato catarinense que se iniciou em 1989 e perdurou até o ano que seria inesquecível para os torcedores.

A Copa do Brasil de 91 acabou sendo uma grande vitrine para os catarinenses, mas, sobretudo, ao na época desconhecido Luiz Felipe Scolari. Com o perfil ‘viril’ e o famoso bigode, que já começava a ser marca registrada por onde trabalhava, Felipão- antes mesmo de ser chamado como tal- surgiu para todo o país.

Destemido e aguerrido, o Criciúma possuía um plantel que na época contava com bons resultados no decorrer das últimas temporadas. Nada à altura de garantir boas campanhas na elite nacional, e por isso mesmo a trajetória invicta do time surpreendeu a todos.

Em 91, o elenco comandado por Felipão havia feito uma campanha para esquecer na Série B do Brasileirão. Mesmo assim, o técnico ficou no clube a pedido dos atletas. Com um time base escalado com Alexandre; Sarandí, Vilmar (Evandro), Altair e Itá; Roberto Cavalo, Gélson, Grizzo (Emerson Almeida) e Zé Roberto; Soares (Vanderlei) e Jairo Lenzi, o Criciúma buscava obter, finalmente, bons resultados no cenário nacional.

Após a classificação sobre o Ubiratan (MS) e Atlético Mineiro, os jogadores que tinham sido dispensados depois da fraca campanha na segunda divisão nacional, foram convocados às pressas para jogar as quartas de final diante do Goiás.

Elenco e comissão técnica fecharam um pacto para seguir disputando o torneio com seriedade. Sentimento que foi premiado com uma bela campanha e a classificação em cima dos goianos, do Remo e, por fim, o título sobre o Grêmio- um dos maiores vencedores da competição.

Santo André- 2004

Outra equipe a garantir o título acima de qualquer expectativa foi o Santo André, em 2004. Comandados pelo técnico Péricles Chamusca, o time do ABC paulista conquistou a Copa do Brasil e surpreendeu a todos com um futebol competitivo.

Em processo de ascensão na época, o Ramalhão havia recém subido para a Série B nacional, quando chegou à Copa do Brasil após vencer a Copa Estado de São Paulo na temporada anterior. Além disso, o clube havia vencido a Copinha no mesmo ano, o que renderia frutos posteriormente. Em 2004, porém, veio a redenção da instituição.

O roteiro da campanha do Santo André não poderia ser menos dramático. A equipe começou de forma tímida na competição, mas com goleada sobre o Novo Horizonte por 5 a 0. Dali em diante, o time de ABC enfrentaria grandes clubes brasileiros, entre eles o Atlético Mineiro com sonoros três a zero no Estádio Bruno José Daniel.

Mesmo com a debandada de alguns jogadores até o jogo de volta, no Mineirão, o elenco de Chamusca segurou uma derrota por dois a zero e passou de fase na Copa do Brasil.

Com alguns nomes da base e a chegada de outros jogadores para encorpar a campanha na competição, a base do Esquadrão Imortal estava montada com Júlio César; Dedimar, Alex e Gabriel; Nelsinho (Da Guia), Dirceu, Ramalho (Ronaldo), Elvis (Dodô) e Romerito; Osmar e Sandro Gaúcho. Esse elenco foi capaz de derrotar outros clubes tradicionais do futebol brasileiro como o Guarani (SP), mas, sobretudo, o Palmeiras pelas quartas de final.

Após a partida de ida em 3 a 3 no ABC paulista, o Ramalhão garantiu a classificação com o empate por 4 a 4 no Parque Antártica, depois de estar perdendo por 4 a 2 até a metade segundo tempo.

Outra classificação épica seria sobre outro ‘azarão’ da competição, os gaúchos do 15 de Novembro do técnico Mano Menezes que ainda começava na carreira. O mais impressionante é que o Santo André perdia de 4 a 1 no Pacaembu para os gaúchos, mas terminou perdendo por 4 a 3 após uma reação do time no segundo tempo.

O resultado mantinha os paulistas vivos no jogo de volta. No Rio Grande do Sul, por fim, outra grande redenção no torneio. No Olímpico, os comandados de Péricles Chamusca saíram atrás, mas fizeram os três gols necessários para classificação à final com Makanaki, numa batalha épica dos interioranos.

Na grande final, havia pela frente o gigante Flamengo que, há 12 anos, não vencia um título nacional. No jogo de ida, empate em 2 a 2 entre paulistas e cariocas. Romerito e Osmar marcaram para o Santo André.

No palco atmosférico do Maracanã com seus mais de 70 mil torcedores rubro-negros, o Ramalhão demonstrou controle e frieza ao derrotar o franco favorito por 2 a 0, com gols de Sandro Gaúcho e Élvis. Assim, o clube da então segunda divisão nacional calou a todos no chamado Maracanazzo.

Paulista de Jundiaí- 2005

Curiosamente, no ano seguinte ao feito do Santo André, outro pequeno paulista fez história na Copa do Brasil. Em 2005, o Paulista de Jundiaí surpreendeu a todos com uma bela campanha que rendeu ao clube a projeção no cenário nacional, principalmente de jovens atletas.

Comandados pelo técnico Vágner Mancini, os jundiaienses marcaram o nome na história da competição. Assim como o Santo André, o Galo da Japi havia conquistado títulos apenas em divisões inferiores.

Mesmo não figurando na elite do futebol nacional, os paulistas contavam com a remessa promissora de jogadores como Victor, Réver e Márcio Mossoró. Esse último, diga-se, sendo o destaque da campanha. Assim, o time de Jundiaí eliminou o Juventude, Botafogo no Maracanã, Internacional, Figueirense, Cruzeiro e finalmente o Fluminense.

Na grande final diante dos cariocas, o Paulista teve uma atuação fulminante no jogo de ida, no Estádio Jayme Cintra. Mesmo com o empate sem gols no primeiro tempo, na saída para o intervalo, técnico do Fluminense, Abel Braga, resumiu como se desenhava o jogo. “Horrível. Parece um time que nunca disputou final de campeonato. Estamos tremendo!”, enfatizou furioso.

Na segunda etapa, no entanto, Márcio Mossoró e Léo fizeram os gols da vitória por dois a zero. Na partida de volta, o jogo seria no São Januário. O Maracanã, palco da glória anterior protagonizado pelo Santo André, estava interditado.

Na noite de 22 de junho, o Paulista de Jundiaí segurou o empate sem gols em terras cariocas, consagrando-se campeão inédito da Copa do Brasil e uma das grandes histórias da competição.

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