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“As pessoas não aceitam o jogo”: confira algumas das dificuldades do futebol feminino no mundo árabe

Com um público majoritariamente masculino, o espaço das mulheres dentro do futebol no mundo árabe é bastante restrito.

Luan de Carvalho
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução/Instagram: Houriya Al-Taheri

O futebol feminino vem ganhando espaço entre os torcedores e também na mídia. Principalmente com a sua transmissão do mundial da França em TV aberta, realizada pela Rede Globo. Mas isso não quer dizer que ainda não exista preconceito com as jogadores. E se formos para os países árabes, palco da próxima Copa do Mundo masculina, o cenário ainda é bem pior. Em uma reportagem realizada pelo GloboEsporte.com mulheres mostram a dificuldade que é conviver com o universo do futebol nesses países.

Se hoje o Brasil é uma das potências do futebol feminino, com uma das melhores jogadoras da história ainda na seleção, não foi com pouca luta esse lugar de destaque. Há 40 anos no Brasil, era proibido por decreto oficial – assinado por Vargas durante o Estado Novo –  “mulheres praticarem desportos incompatíveis com as condições de sua natureza.” Ou seja, mulher e futebol não era algo compatível.

Problemas em assistir aos jogos

E no mundo Árabe as mulheres estão lutando bravamente para conseguir um espaço nesse cenário abertamente masculino. Até mesmo para assistir a uma partida as mulheres poderão sofrer algum tipo de preconceito. Certamente olhares estranhos receberão.

Foi o que relatou a brasileira Júlia Sette ao Globoesporte.com. Morando em Dubai ela ao estádio assistir uma partida do campeonato nacional.

– Notei um estranhamento muito grande de outros torcedores quando cheguei ao estádio – estranhamento com o qual já estou acostumada. Reparando melhor, porém, não conseguia identificar sequer mais uma mulher em situação semelhante à minha – notou ela sendo a única mulher presente em um público com mais de 4 mil pessoas.

Ela ainda comenta sobre uma situação constrangedora que passou no intervalo da partida.

-Possivelmente motivados pela certeza de que não haveria uma mulher por ali, tanto o banheiro masculino quanto o feminino estavam sendo usados pelos homens que viam o jogo. Observando a situação, um segurança se voluntariou a me auxiliar – disse Júlia.

 Dificuldades das mulheres que vivem do esporte

Se é uma situação constrangedora para mulheres que vão apenas assistir aos jogos, imagine para quem depende do esporte para viver. Houriya Al-Taheri, treinadora da seleção feminina dos Emirados Árabes conversando com o Globoesporte.com contou detalhes e as dificuldades de atrair novas atletas de futebol feminino trabalhando no mundo árabe.

Os desafios e barreiras são quanto ao número de clubes e participantes nas competições. Só existe uma Liga. Não temos muitas garotas jogando. E a barreira cultural, claro. As pessoas não aceitam o jogo. Eles acham que o futebol é para os homens. Aqui no Oriente Médio eles têm esse tipo de barreira. Agora estamos tentando convencer as famílias, porque temos uma treinadora mulher. E as meninas estão bem cobertas, usam um uniforme adequado, e a FIFA aceita.


Foto: Reprodução Instagram Houriya Al-Taheri

Em relação à Copa do Catar, a Especialista em questões de gênero do Oriente Médio, Muna Omran confirma que as mulheres que forem ao país para assistir aos jogos não sofrerão nenhum tipo de problema, porém alerta outros aspectos culturais.

Eles (Catar) estão abertos, não vão mudar muito o cotidiano deles, mas a mulher ocidental vai ser muito bem recebida. O que elas têm que tomar cuidado, por ser um país muçulmano, é com a vestimenta. Não vai usar shortinho, camiseta, não vai usar regata. Quando for para uma mesquita, por exemplo, se pede para que se cubram.

 

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