Craques dentro e fora do campo, elas lutam pela igualdade que merecem

Seres humanos, alguns homens outros mulheres, mas todos um só, uma mesma espécie de vida. É por essa igualdade que grandes estrelas do futebol mundial como Marta, Alex Morgan e Megan Rapinoe lutam.

Lucas Calegari
Colaborador do Torcedores

A Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019, disputada na França, tem se destacado em muitos aspectos. No Brasil por exemplo, temos pela primeira vez duas emissoras disputando a audiência da “TV aberta” nos jogos da amarelinha.

Porém, nos últimos dias uma discussão antiga tem tomado cada vez mais força. Igualdade entre homens e mulheres, é por esta bandeira que lutam e já lutaram tantas pessoas.

Um pedido que vai muito além do financeiro. Aliás, imagino que o primordial para essas mulheres não seja receber o mesmo salário que os homens da sua classe trabalhadora.

 

O poder da Rainha

Marta nesta Copa do Mundo já chegou a marcas incríveis. Ela é a primeira pessoa no mundo a marcar ao menos um gol em cinco Copas do Mundo diferentes e se tornou a maior artilheira da história das Copas, agora com 17 gols e média de quase um gol por partida.

Mas os recordes quebrados tem sua atenção dividida com a luta da jogadora por igualdade, entre homens e mulheres.

#GoEqual é a campanha que ela abraçou. Após estrear no Mundial com uma chuteira que no lugar do símbolo de uma marca de material esportivo que poderia estar lhe patrocinando, tinha um símbolo de equidade, colorido em tons de azul e rosa que se misturavam.

Ao fazer o gol, levantar a perna e apontar para o símbolo, pedia igualdade e valorização não só para ela, mas também para suas companheiras e adversárias.

Marta comemora seu décimo sétimo gol em Copas do Mundo. Foto: Robert Cianflone/Getty Images

Ela está sem uma patrocinadora de material esportivo, pois estavam oferecendo uma redução salarial absurda, segundo ela.

Mais do que o dinheiro, mostra a falta de valorização por tudo que a Marta já fez para o esporte do Brasil. A mesma falta de valorização que existe com as categorias de base dos nossos clubes, onde muitos nem tem.

No último jogo da fase de grupos, contra a Itália, Marta foi a campo com um batom de cor firme, forte. E após o jogo ela disse que a cor era “sangria”, que tinha que dar o sangue mesmo e que tinha gostado do resultado e iria continuar usando, pois a luta é incessante.

 

 

Grandes campeãs

Alex Morgan e Megan Rapinoe são grandes estrelas da seleção norte-americana de futebol feminino. E as colecionadoras de títulos tem aproveitado o destaque desta Copa do Mundo, para defender mais uma vez a bandeira da igualdade entre gêneros. E mais, o respeito a todas as opções escolhidas, inclusive para quem queira se relacionar com pessoas do mesmo sexo.

Ambas lideram uma ação na justiça, das jogadoras contra a Federação Norte-Americana de futebol. Onde exigem simplesmente que sejam tratadas com a devida importância delas para o esporte.

Reclamam corretamente por exemplo, do porque são colocadas para fazer viagens longas de classe econômica. Enquanto o time masculino que nunca chegou à uma final de Olimpíada ou Copa do Mundo, viaja de primeira classe. (O time feminino tem quatros títulos Olímpicos e três Mundiais.)

Foto: Robert Cianflone/Getty Images

Alex Morgan nesta última semana disse, que caso os EUA conquiste o título deste Mundial, ela não irá até a Casa Branca para a tradicional foto de um grande campeão com o presidente americano.

Megan Rapinoe, uma das principais e mais experientes jogadoras do elenco, parou de cantar o hino do seu país. Foi uma maneira de repudiar o preconceito e a desigualdade, segundo ela. Que diz não se sentir protegida pela bandeira nacional, por ser uma americana gay. E vai além, dizendo que talvez nunca mais volte a cantar o hino norte-americano.

Mais do que atletas que tem um super destaque dentro das quatro linhas, Marta, Alex Morgan e Megan Rapinoe (assim como outras, Ada Hegenberg por exemplo, melhor norueguesa da atualidade e uma das melhores do mundo, abriu mão de disputar esta Copa do Mundo por protesto, pedindo igualdade entre homens e mulheres no futebol do seu país.) são exemplos de uma sociedade que luta por um mundo mais justo, equilibrado, igual.

 

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