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Doria “desmente” Bolsonaro e mira F1 em Interlagos até 2040

Governador de São Paulo se reuniu com Chase Carey, CEO do Liberty Media, grupo proprietário da F1, e com o prefeito paulistano Bruno Covas nesta terça-feira, no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista

Leonardo Marson
Jornalista com passagens pelas revistas Racing e House Mag.

Crédito: Ferrari

O Governador de São Paulo João Doria (PSDB) reforçou nesta terça-feira (25) que trabalha ao lado da Prefeitura de São Paulo para manter o Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1 no Autódromo de Interlagos. O político esteve reunido nesta tarde com Chase Carey, CEO do Liberty Media, empresa proprietária da maior categoria do automobilismo mundial, e prestou coletiva nesta tarde, no Palácio dos Bandeirantes, na capital paulista. O discurso desmente a fala do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que, na véspera, disse que o GP do Brasil estava “99% ou mais” certo de que acontecerá no Rio de Janeiro.

“Lamento frustrar o presidente Bolsonaro, mas a decisão não está tomada, ela ainda será tomada, como disse o Chase Carey. Não é uma decisão política, emocional ou institucional, e sim de negócios. E com base nisso a Fórmula 1 decidirá, levando em conta os nossos argumentos, os do presidente Bolsonaro e dos representantes do Rio”, disse Doria, que mira a realização do GP em Interlagos por mais 20 anos.

“[Queremos a F1] até 2040. Montamos um grupo de trabalho que estará reunido com representantes da Fórmula 1 em São Paulo, sob liderança do Tamas Rohonyi [promotor do GP do Brasil], e, com isso, vamos trabalhar com o tempo necessário para fornecermos informações adequadas para que essa decisão seja madura, decisiva e empresarial”, seguiu o governador paulista.

“Fiquei muito feliz com a declaração do Carey de que agora, além da corrida, há toda uma experiência para o público, porque aumenta o efeito da F1 no local onde se realiza, e até mesmo fora. O evento pode ser realizado em São Paulo, mas pode ter atividades fora de São Paulo também, como a Fan Fest”, completou Doria, lembrando que Carey não se comprometeu em realizar o GP do Brasil no Rio de Janeiro, em declaração dada na segunda-feira, após a reunião com Bolsonaro.

Carey, que se mostra interessado em manter o Brasil – país que ostenta a maior audiência da Fórmula 1 no planeta – no calendário após 2020, último ano de contrato com a capital paulista, evitou se comprometer com a manutenção da corrida em Interlagos, e destacou a história do Brasil na mais importante categoria do esporte a motor mundial.

“Estamos felizes de estarmos aqui. O Brasil é um mercado muito importante para nós. Temos muitos fãs e ídolos aqui. A história do Brasil na Fórmula 1 é das mais únicas e mais importantes. Tivemos muitas corridas em Interlagos por muitos anos e gostamos da parceria que tivemos aqui durante todo esse tempo. Estamos focados no futuro”, iniciou Carey.

“Sou parte de um grupo que chegou à Fórmula 1 há dois anos e estamos na batalha para desenvolver o esporte no mundo inteiro, então estamos focados para, de 2021 em diante, trazer espetáculo, emoção, energia para os fãs”, seguiu o dirigente máximo da categoria, que ressaltou ainda a necessidade de os GPs possam render, além de boas corridas, uma boa experiência ao público presente nos autódromos.

“Estamos procurando garantir um evento que possa prover grandes corridas, mas também queremos ter um espetáculo que engaje as pessoas em toda a região da cidade sede, de modo similar ao Super Bowl. Então esperamos discutir as oportunidades aqui no Brasil. Discutimos, nos últimos dias, qual seria a melhor solução tendo em vista o espetáculo e a experiência para os fãs”, completou o CEO do Liberty Media.

São Paulo possui contrato com a Fórmula 1 até a temporada de 2020, mas o Rio de Janeiro planeja a construção de um autódromo na região de Deodoro para passar a sediar o Grande Prêmio do Brasil a partir de 2021. O início das obras para a construção da praça esportiva na capital fluminense deve acontecer em setembro.

Foto: Ferrari