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Ex-volante do São Paulo lamenta má gestão tricolor e pede paciência com Cuca

Torcedores conversou com Bernardo, ex-volante do São Paulo entre a metade da década de 80 e início da década de 90

Rafael Alaby
Rafael Alaby é jornalista diplomado pela FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), com passagens pela Chefia de Reportagem de Esportes, da TV Bandeirantes, em São Paulo e site KiGOL. Pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte (FMU)

Crédito: Foto: Rafael Alaby/Torcedores.com

Ex-volante do São Paulo entre 1985 e 1991 e com participação em duas conquistas do Campeonato Brasileiro (1986 e 1991), Bernardo lamentou os seis anos de jejum de títulos do Tricolor, mostrou pessimismo com a quebra do tabu ainda em 2019 e atribuiu os insucessos recentes dentro de campo à má gestão.

 “Difícil (voltar a conquistar título em 2019). O São Paulo está vivendo momento complicado. Acho que a questão política tem atrapalhado bastante o clube. O São Paulo sempre foi referência principalmente na questão de gestão, com dirigentes altamente competentes e que colocaram o clube na vanguarda do futebol. De alguns anos pra cá, o São Paulo vem sofrendo justamente pela má gestão. Sinceramente não acredito que de algo positivo vá acontecer, de ganhar algum título neste ano”, disse Bernardo, em entrevista ao Torcedores, após participar do evento Fut-Encontro, na semana passada, no Shopping Plaza Sul, na zonal sul da capital paulista.

Embora tenha feito críticas à administração tricolor, o ex-jogador deixou seu voto de confiança em Raí, diretor executivo de futebol.

“O São Paulo está começando a entender que se as coisas continuarem desta forma, esse jejum vai continuar por um período ainda mais longo. Torço pelo Raí, que eu sei que é um cara competente e com boas intenções, ele foge do perfil de dirigente de carreira. É um cara com boas ideias, jogou futebol, torço para que tenha um pouco mais de sorte e comece a acertar mais nas escolhas”, completou.

Apoio ao trabalho de Cuca

O técnico Cuca completou recentemente dois meses de trabalho no São Paulo, porém, ainda não conseguiu emplacar sequência de bons resultados. Para Bernardo é preciso ter paciência com o comandante. Ele lembrou que Telê Santana, antes de levar o Tricolor Paulista às conquistas do bicampeão da Libertadores e do bi-mundial, não teve sucesso em seu primeiro ano.

“O futebol brasileiro talvez seja o mais imediatista do mundo. Óbvio que é cedo (para tirar conclusões sobre o trabalho de Cuca), mas para os padrões brasileiros talvez não. Eu acho que é uma coisa que tem que mudar. O São Paulo também era um time com referência nesta questão de dar tempo aos treinadores para trabalhar. No primeiro ano, o Telê não teve sucesso. Lembro que perdemos duas finais, o São Paulo teve a paciência de esperar e depois os frutos vieram. Espero que o Cuca tenha essa sorte, que os dirigentes deem a condição pra ele e só com o tempo vamos saber se o trabalho do treinador estará correto ou não. Se a cada três ou quatro meses você trocar de treinador, você nunca mais vai saber o que é o melhor para o seu clube”, comentou.

“O São Paulo mudou completamente a minha vida”, diz Bernardo

No início de 1986, Bernardo, até então com 21 anos, tomou a decisão em trocar o pequeno Marília pelo grande São Paulo, onde entrou para a história ao participar campanhas vencedoras dos Campeonatos Brasileiros de 1986 e 1991. Pelo Tricolor, ele disputou 236 jogos, com 102 vitórias, 90 empates e 44 derrotas, segundo dados do Almanaque do clube. Ele fez 16 gols.

 “Foi uma grande conquista (trocar o Marília pelo São Paulo). Uma coisa que você sonha desde criança, de estar jogando em clube grande, eu consegui com muito trabalho e também tive muita sorte porque vários clubes grandes me queriam e dei uma sorte muito grande de ter ido ao São Paulo, que era um clube com a melhor estrutura. Foi um momento de felicidade e costumo dizer que foi o clube que mudou completamente a minha vida”, encerrou.

Antes de encerrar a carreira no Athletico Paranense, em 1997, Bernardo rodou por Bayern de Munique-ALE, Santos, América do México e Vasco da Gama.

Há 15 anos, ele exerce a função de scouter (olheiro), observando o mercado e indicando jogadores do Brasil e da América Latina para times europeus.

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