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Alexandre Gallo sobre sua saída da Seleção Brasileira: “Muito decepcionante, não esperava”

O treinador Alexandre Gallo contou sobre sua experiência como técnico e revelou detalhes dos bastidores dos jogos

Arthur Farias
Colaborador do Torcedores

Crédito: Torcedores.com

Em entrevista ao “Encontro com Meu Ex“, o ex-jogador e treinador de futebol, Alexandre Gallo, contou sobre demissão na beira dos Jogos Olímpicos, experiência como diretor de futebol no Atlético Mineiro e detalhes dos bastidores do esporte.

 Há 39 anos trabalhando com futebol, Alexandre Gallo disse que a vivência como jogador o ajuda bastante no trabalho de treinador. Ele revela que uma das coisas que mais facilita para ele no dia a dia, é o relacionamento com o time e entender o que se passa na cabeça do atleta. “É um fator muito importante porque muita gente não tem o acesso à o que é um vestiário de clube”, contou.

Além disso, Alexandre Gallo informou que mesmo com tantos anos de experiência no mundo esportivo, ainda procura se atualizar na área e faz cursos sobre o tema. “Me qualificando para poder trabalhar em alto rendimento”, disse.

Gallo revelou ainda que não tem um trabalho específico como treinador que tenha o marcado. Para ele, todo trabalho que é positivo ou negativo, dá para captar bons ensinamentos. “Eu tive muitos momentos importantes. Consegui ser campeão no Sport de uma maneira invicta, foi legal. Também fui campeão da Recopa no Inter, que era uma situação de extrema importância porque era uma tríplice coroa para eles, pois era Libertadores, Mundial e Recopa. Fui campeão no Figueirense também. Fiz uma campanha boa no Náutico em 2012 e foi a maior campanha de pontos corridos em um time do nordeste, até então. A própria Seleção Brasileira tivemos 84% de aproveitamento… Então acho que todo trabalho vitorioso é bacana, é glamouroso, mas principalmente eu agradeço pelos trabalhos que não foram tão eficientes porque esses realmente te ensinam”, relembra Alexandre Gallo.

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Ao ser perguntado sobre “o porquê que o Brasil não consegue projetar tantos treinadores, como a Argentina”, ele responde que quando trabalhava nos Emirados Árabes, tinha cerca de seis técnicos brasileiros. Alexandre Gallo conta também que quando trabalhou do Japão em 2006, dividia os treinos com mais outros cinco profissionais, então o mercado na Ásia era bem amplo, ou seja, muito importante para o nosso país. Mas o Brasil praticamente perdeu esse mercado, pois a UEFA chancelou e fez com que apenas a sua licença valesse. “Isso começou a complicar a nossa situação. A mesma coisa é que, a gente pode aceitar um treinador de Portugal vir trabalhar aqui e os nossos não poderem ir trabalhar em Portugal. O que fizeram com PC Gusmão em Portugal foi uma covardia muito grande. os treinadores de lá se reuniram e pediram à Federação que ele saísse. Nós não fazemos isso aqui”, relatou.

Depois disso, Alexandre Gallo pergunta qual treinador estrangeiro que teve sucesso no Brasil, então ele mesmo responde que nenhum. “O projeto que existe no Brasil é ganhar quarta-feira. Nós temos uma média de três meses e 20 dias de um treinador em um clube, ou seja, você poderia mudar treinador de futebol para mágico. Essa rotatividade é muito ruim. Os times que têm um pouco mais de sucesso, são os que têm uma manutenção um pouco maior. Nós temos 50, 60 jogos para que o treinador possa mostrar o seu trabalho”, expôs.

Sobre ter saído tão perto do ciclo olímpico e do Mundial, Alexandre Gallo afirma que foi muito decepcionante e não esperava essa situação. “Tenho certeza que deixei um legado. Fiz uma busca de jogadores brasileiros na Europa, e o Andreas Pereira que jogou na seleção principal é um grande legado. Eu achei mais 150 jogadores brasileiros sem registro na CBF e jogavam em grandes clubes na Europa. Achamos novos jogadores para a Seleção. O Elderson, goleiro do Manchester City, foi um achado desses”, esclareceu.

Sobre a polêmica de que, ao convocar o Matheus Biteco, essa escolha teria influenciado sobre a saída de Alexandre Gallo, o treinador conta que tudo não se passa de boatos. “É até um bom espaço para a gente contar o que aconteceu. Isso foi uma desculpa para que acontecesse. Eu sempre fui um livro muito aberto com todas as convocações do período em que estive lá”, começa a se explicar. “Nós tínhamos um único jogador que tinha sido convocado e não o achávamos. Era o Matheus. Ele estava se recuperando de uma lesão na Alemanha. Entrei em contato com o seu agente, que me passou o telefone do atleta e eu mesmo fiz a ligação para saber qual era o momento dele. Até porque ele é um profissional de muita confiança e capitão da equipe dos nascidos em 95, 96. Ele respondeu:’professor, estou há 30 dias fazendo a minha transição, mas como tem 30 dias para o mundial, eu vou entrar na parte técnica e vou estar totalmente apto para jogar’. Após isso, recebemos uma carta da empresa que fez a aquisição do atleta, dizendo que ele não poderia ser convocado. Liguei novamente para seu representante, e ele me falou que ‘os direitos federativos ainda permanecem no Grêmio’. Liguei para o Rui Costa, que hoje está no Atlético Mineiro e falei se o atleta estava com os direitos federativos ainda no Grêmio e ele respondeu ‘está e pode convocar’. E foi isso o que aconteceu”, declarou Alexandre Gallo.

Alexandre Gallo continua o assunto falando que foi apenas isso o que aconteceu e mais do que esse relato, é mentira. “Desde que o diretor de seleções que entrou, já realmente começou a ter uma divergência de pensamentos sobre futebol e eu sabia que isso muda o comando da seleção e obviamente que a pessoa quer trazer o grupo de trabalho dele”, finalizou.

“A transferência de responsabilidade é a grande armas dos covardes”, respondeu Alexandre Gallo ao ser perguntado o porquê ele acha que foi mais fácil divulgarem uma história ao invés de falar que houve uma divergência de pensamentos.

Alexandre Gallo agora quer voltar a ser treinador! Para a surpresa de muitos, ele já decidido que quer regressar aos campos. Inclusive já recebeu propostas para futuros trabalhos. “rês convites apareceram”, falou.

Confira o vídeo da entrevista: