Como o VAR atuou na Copa do Mundo Feminina de 2019?

O VAR teve papel importante no Mundial Feminino na França, porém somente nas oitavas de final gerou mais paradas para revisão de imagens do que em toda a Copa do Mundo Masculina na Rússia, em 2018

Adriano Oliveira
Colaborador do Torcedores

Crédito: Robert Cianflone/ Getty Images

Aos 16 minutos do segundo tempo, um filme deve ter passado pela cabeça de Megan Rapinoe, estrela da seleção dos Estados Unidos e eleita melhor do mundo em 2017, em sua caminhada em direção à bola na cobrança do pênalti que inaugurou o placar da decisão da Copa do Mundo Feminina, no domingo (7).

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A jogadora foi uma das que mais demonstraram indignação à resistência da Fifa em utilizar o VAR na Copa realizada na França. “Eles não ligam para o futebol feminino da mesma forma que o masculino”, disse Rapinoe no início da temporada. O pênalti, convertido por ela e que abriu o caminho para o já esperado quarto título de seu país na competição, teve checagem e confirmação do árbitro de vídeo.

Quando o uso do sistema de assistência por vídeo à arbitragem ou VAR (na tradução da sigla em inglês) já estava presente e atuante no futebol masculino, a Fifa (entidade máxima do futebol internacional) ainda mostrava indecisão em aplicar a tecnologia no feminino.

O próprio presidente da entidade, o suiço-italiano Gianni Infantino, declarou no Mundial da Rússia em 2018 que “havia se tornado difícil imaginar uma Copa do Mundo sem o VAR”.

Porém, a Fifa só confirmou em março deste ano o uso do recurso na Copa do Mundo Feminina, a três meses da abertura, após reunião de seu Conselho em Miami, nos Estados Unidos.

Megan Rapinoe, da seleção dos Estados Unidos, na Copa do Mundo Feminina de 2019.

Megan Rapinoe, destaque da seleção dos Estados Unidos (Foto: Elsa/ Getty Images)

Apesar da demora exagerada, a decisão da Fifa foi quase óbvia, já que sua utilização é voltada para evitar erros e, portanto, melhorar o nível do esporte, além de representar um esforço para a igualdade entre homens e mulheres.

O VAR teve papel importante na Copa do Mundo Feminina deste ano, sendo acionado em muitas partidas. Através da tecnologia, pênaltis foram marcados ou não e gols foram anulados. Por outro lado, o tempo gasto para análise foi excessivo. Somente na fase de oitavas de final, o sistema gerou mais paradas para revisão do que em toda a Copa do Mundo Masculina de 2018, na Rússia.

A participação do árbitro de vídeo foi mais decisiva e emblemática na partida entre Inglaterra e Camarões, justamente pelas oitavas de final do torneio feminino. A anulação de um gol feito pela camaronesa Nchout aos dois minutos do segundo tempo, após revisão do VAR, levou a jogadora às lágrimas dentro de campo.

Na etapa inicial, o uso do sistema já havia validado um gol que a assistente de campo assinalou impedimento. A juíza então voltou atrás e confirmou o segundo gol das inglesas. Depois, o VAR novamente entrou em ação e anulou o gol de Camarões logo no início do segundo tempo, indicando uma situação de impedimento no começo da jogada.

Revoltadas, as jogadoras africanas se recusaram a continuar em campo, o que causou uma paralisação de quatro minutos no jogo. Nchout, autora do gol anulado, desabou em lágrimas. Depois de bastante conversa, a partida recomeçou e logo em seguida a Inglaterra anotou seu terceiro gol na vitória por 3 x 0.

Jogadoras da Seleção Camaronesa na Copa do Mundo Feminina da França, em 2019.

Jogadoras da Seleção Camaronesa (Foto: Elsa/ Getty Images)

O VAR também não ficou de fora nas duas últimas partidas do Mundial. Na decisão do terceiro lugar entre Suécia e Inglaterra, aos 32 minutos do primeiro tempo, quando o placar apontava 2 x 1 para as suecas, a atacante White fez o gol de empate, porém invalidado após checagem do árbitro de vídeo que viu toque de mão da jogadora inglesa.

Na grande final entre Estados Unidos e Holanda, o sistema confirmou a existência do pênalti batido por Rapinoe, que fez o primeiro gol da vitória por 2 x 0 sobre a Holanda e selou o tetracampeonato norte-americano.

Como funciona

O VAR é um sistema de revisão de lances ou jogadas acionado por checagem de imagens em vídeo. Além do trio de arbitragem tradicional (árbitro e dois assistentes) em campo, o recurso emprega uma equipe comandada por um árbitro assistente que fica numa sala analisando as imagens e tem comunicação remota com o apitador.

Na Copa Feminina realizada na França, o VAR dividiu opiniões, contrárias e a favor de sua utilização. Afinal, a decisão na maioria das vezes continua sendo do árbitro dentro de campo, que analisa as imagens e as interpreta.

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