#EmOff: Marcela Rafael relembra início da carreira e fala sobre preconceito: “Eu vou lutar por mim e por quem vem depois”

Apresentadora da ESPN concedeu entrevista exclusiva à TV Torcedores e falou sobre os momentos mais marcantes da carreira e deu dicas para quem está começando na profissão

Danielle Barbosa
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação/ESPN

Na ESPN Brasil desde 2011, Marcela Rafael se tornou uma das principais apresentadoras esportivas da atualidade, mas nem sempre foi assim. Em entrevista ao quatro “#EmOff”, da TV Torcedores, a jornalista relembrou as dificuldades do início da carreira ainda em Recife, sua cidade natal, e como fez para “ignorar” o preconceito que sofria por ser uma mulher cobrindo futebol.

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Eu não queria fazer jornalismo. Na verdade, não é que eu não queria, mas não era a primeira coisa que eu pensava desde pequena. Desde pequena eu falava ‘Eu vou ser médica’. Eu falava mesmo que eu ia ser médica, eu tinha certeza. Até hoje eu acho que eu seria uma boa médica, principalmente agora, com meus filhos. Um dia, conversando com meu pai, eu falei ‘Pai, eu quero muito fazer jornalismo’ e ele falou ‘Eu acho ótimo. Eu acho lindo’. Meu pai sempre foi muito ligado à política e lia muito, e eu também, sempre li muito. Eu achava que iria fazer jornalismo político porque eu conversava muito com o meu pai e tinha a influência dele”, recordou Marcela Rafael.

A apresentadora contou como um estágio na TV Bandeirantes mudou o rumo de sua carreira. “Quando eu estava no segundo período, apareceu um estágio na Band lá do Recife. E aí eu comecei a ir para estádio de futebol e aí eu comecei a ver a realidade da coisa. Eu ia para estádio, escutava o que tinha que escutar em campo, eu escutava o que eu tinha que escutar de jogador, de treinador, de cartola, que eu tinha que escutar de torcedores… não sei nem que eu tinha que escutar, mas eu escutava o que todo mundo da minha época escutou, e antes de mim também. Mulheres, principalmente. E aquilo me feria muito.

Eu ir para um estádio de futebol, entrar no campo para fazer o meu trabalho e escutar qualquer coisa que seja, de ‘gostosa’ até ‘sua p… você não entende nada de futebol’, era uma coisa que me machucava muito. Em alguns momentos eu pensei ‘Eu não quero isso para minha vida, eu não preciso passar por isso e eu não vou fazer isso’. Mas aí eu pensava ‘Por que eu não vou passar por uma coisa que todas as mulheres passaram?’. E aí foi quando eu comecei desde muito cedo a ter essa consciência. Eu me espelhava nas mulheres que estavam ali, que não eram muitas naquela época, isso era 2003 ou 2004 mais ou menos, mas desde aquele momento eu comecei a ver ‘Olha, eu vou seguir esse caminho, eu vou lutar por mim e vou lutar por quem vem depois. Eu vou passar por isso e pode ser que talvez outras mulheres também passem, mas elas vão passar sabendo que eu sobrevivi’”, acrescentou.

Durante a entrevista, Marcela Rafael cita a apresentadora Glenda Kozlowski, do Grupo Globo, como uma de suas principais referências e elegeu as coberturas do U.S Open e da Copa do Mundo de 2014 como as mais marcantes da carreira.

CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:

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