Surfe: conheça as mulheres que foram pioneiras do esporte no Brasil e no mundo

Isabel Leham, Phyllis O’Donnell, Margot Rittscher e Deborah Farah são algumas das pioneiras que abriram caminho para as mulheres no surfe mundial

Dandara Prado
Colaborador do Torcedores

Crédito: Reprodução/Youtube

Aquela história de que esporte é só para homem, porque a mulher precisava cuidar do corpo para conceber um bebê, é passado. As mulheres vem conquistando seu espaço e o surfe é um exemplo disso. Infelizmente, ainda é comum que as mulheres sofram assédio, descriminação e machismo dentro da água. Mas graças as mulheres empoderadas que fizeram (e fazem) parte da construção da história do surfe, tudo isso vem mudando. Saiba mais sobre apostas esportivas e como jogar!

Neste ano, a World Surfe League (WSL) igualou a premiação da Championship Tour (CT), e de todos os eventos entre homens e mulheres, um passo importante para a igualdade de gênero nesse desporto, que agora é olímpico. Pensando nisso, resolvemos relembrar a entrada da mulher no mundo do surfe e ressaltar a importância feminina nesse esporte.

Internacional

A primeira mulher a se arriscar nas ondas foi Isabel Letham em 1914. Nascida em 1899, em Sidney,  Isabel cresceu em um subúrbio a beira-mar de Freshwater (AUS). A australiana teve a ajuda de Duke Kahanamoku, nadador olímpico e famoso surfista do Havaí, que a convidou a experimentar o surfe no estilo havaiano da época: em pé.

Foi a pioneira no surfe em pé nas pranchas, enquanto os outros homens australianos praticavam bodysurfing, na época conhecido como surf shooting, com pranchas de madeiras. Conhecida como “sereia de água doce”, a australiana surfou até os 70 anos. Feminista que lutava pela inserção das mulheres no surfe australiano, morreu em 11 de março de 1995.

Outra mulher de destaque é a a australiana Phyllis O’Donnell, que conquistou o primeiro campeonato mundial em 1964, quando ainda não era organizado pela World Surf League. O evento aconteceu na praia de Manly, na Austrália. A australiana acumula ainda outros títulos, entre eles o bicampeonato mundial em 1965. Phyllis foi a segunda mulher a entrar no Australian Surfing Hall of Fame (Hall da Fama do Surfe Australiano, em português) em 1996 e alguns anos depois, em 2014, também entrou para o Surfing Walk of Fame de Huntington Beach (Calçada do Surfe da Fama de Huntington Beach), na Califórnia.

Nascida em 1937, Phyllis começou a surfar no longboard quando mudou-se com os pais para Tweed Heads, na Austrália. Passou a ser conhecida como “surfista agressiva” por enfrentar dentro da água os homens que não a aceitavam surfando. Aposentou-se do surfe aos 37 anos, hoje com 82 anos mora em um asilo na praia de Pottsville, na Austrália.

Brasil

A primeira mulher a surfar no Brasil  foi Margot Rittscher, entre os anos 1936 e 1939 utilizando a “tábua havaiana” do seu irmão, Thomas. Nascida em Nova York, mudou-se para a cidade de Santos (SP) com a família aos 15 anos. Apaixonada pelo mar, Margot surfou até a década de 1960. A surfista morreu aos 93 anos em 2012, transformando-se em um ícone do surfe.

Nesta mesma década, em 1965, ocorreu o primeiro campeonato oficial de surfe feminino. Maria Helena Beltrão, Heliana Oliveira e Fernanda Guerra participaram da disputa na praia do Arpoador, no Rio de Janeiro. Um campeonato a nível nacional só foi realizado em 1987, e apenas homens participaram. As mulheres só tiveram espaço na competição 10 anos depois. A carioca Deborah Farah marcou história ao se tornar a primeira campeã brasileira, no mesmo campeonato em 1997.

Outra mulher de destaque é a Andrea Lopes. A carioca foi a primeira brasileira a participar do Circuito Mundial em 1991. Na época, ela tinha apenas 17 anos. Além disso, também foi a primeira brasileira a conquistar uma etapa do CT em 1999, no Rio de Janeiro. Andrea ainda é tetracampeã brasileira (1999, 2001, 2002 e 2006).

Atualmente, Silvana Lima e Tatiana Weston-Webb são as representantes do Brasil na WSL. No nível mundo, a havaiana Carissa Moore e as australianas Stephanie Gilmore  e Sally Fitzgibbons são destaques no surfe. Outro nome de grande importância é a big wave Maya Gabeira, que é dona do recorde de maior onde surfada por uma mulher.

Para quem pensa que o surfe feminino não tem futuro, está enganado. Entre tantas meninas talentosas por todo o Brasil, Sophia Medina e Tainá Hickel são nomes importantes para o esporte. Quem sabe alguma das duas não será a primeira brasileira a conquistar o título mundial?

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